Durante o primeiro ensaio técnico realizado na Marquês de Sapucaí, nesta sexta-feira (30), a dupla de coreógrafos da Estação Primeira de Mangueira, Lucas Maciel e Karina Dias, conversou com o CARNAVALESCO sobre as expectativas para a comissão de frente no Carnaval 2026. Em meio ao clima de ajustes finais e intensa preparação, os dois falaram sobre o momento da carreira, o amadurecimento do trabalho no Grupo Especial e os desafios impostos pelo novo formato da cabine espelhada, além de comentarem o que o público pode esperar da performance da Verde e Rosa.

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A Mangueira levará para a Avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta exalta os saberes ancestrais afro-indígenas, a medicina da floresta e o marabaixo do Amapá, homenageando Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, curandeiro e defensor das tradições amazônicas. Dentro desse universo simbólico, a comissão de frente terá papel central na apresentação da narrativa, traduzindo em movimento, imagem e emoção a força espiritual e cultural do tema.

Ao falar sobre o significado desse trabalho em suas trajetórias, Karina destacou o processo de construção contínua e o amadurecimento artístico.

“Acho que é uma crescente, não me sinto nem lá em cima, nem começando. Estamos numa escadinha que, graças a Deus, vem dando certo. Estamos construindo tijolinho por tijolinho”, afirmou.

Lucas reforçou a ideia de evolução constante e o aumento da responsabilidade a cada novo carnaval.

“Eu acho que a gente vem com um retorno muito positivo e, com isso, a cobrança vem maior. A gente se desafia a cada ano mais. E eu acho que cada ano é um ano diferente, então é um processo maravilhoso.”

Questionado sobre a consolidação do trabalho da dupla no Grupo Especial, Lucas fez questão de destacar que, apesar dos reconhecimentos recentes, o caminho ainda é longo.

“Eu acho que temos muito para crescer ainda, apesar de termos um Estandarte de Ouro. Foram três anos de trabalho. É um trabalho consistente, senão não estaríamos onde estamos, mas ainda vamos crescer muito.”

Um dos pontos mais comentados da entrevista foi a cabine espelhada, novidade que promete transformar a dinâmica das apresentações das comissões de frente. Para Lucas, o impacto será significativo tanto para os artistas quanto para o público.

“Acho que a cabine espelhada vai ser uma surpresa para todo mundo. É um novo módulo, uma nova apresentação, um novo estilo de apresentação. Cada coreógrafo vai interpretar da sua maneira, e este ano a gente vai ter muitas surpresas. Estou muito ansioso, acho que vai ser um ano muito diferente artisticamente”, afirmou.

Sobre a orientação da apresentação — se será mais voltada aos julgadores ou à Praça da Apoteose —, o coreógrafo explicou que o objetivo é alcançar todos os olhares.

“De alguns anos para cá, a gente já vem trabalhando uma apresentação para que todo o público consiga ver. A ideia da cabine espelhada é bacana. Apesar de, no momento dos jurados, já termos esse instante de reverência, com coisas mais focadas para eles, o nosso trabalho, no geral, tem sido bem consistente para que todos consigam ver e participar.”

Ao ser indagado sobre possíveis surpresas, Lucas preferiu manter o mistério.

“Vou deixar no ar se a apresentação da comissão será em 360°, para não dar muitos spoilers”, disse, aos risos.