A ala “O rei retoma as batucadas carnavalescas”, da Mangueira, levou para a Sapucaí uma faceta pouco conhecida de Mestre Sacaca: sua intensa relação com o carnaval do Amapá. No desfile da Verde e Rosa, o Xamã Babalaô foi celebrado como Rei Momo, posto que ocupou por mais de duas décadas, significando a alegria no estado, que recebeu o samba como expressão cultural na década de 50.

Detalhes da fantasia
Detalhes da fantasia
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

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Os componentes vestiram uma fantasia que remetia às vestes tradicionais do Rei Momo, com cores vibrantes e elementos da realeza popular.

Marcelo Bastos de 44 anos
Marcelo Bastos, de 44 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Para o engenheiro Marcelo Bastos, de 44 anos, mangueirense apaixonado, desfilar representando essa figura histórica é mais do que especial. Incorporar sua alegria na Avenida é algo que vem com naturalidade.

“O Rei Momo é a história do Carnaval do Rio de Janeiro. Vir nessa ala é poder representar o início da festa e o que ela significa. O Rei Momo é a figura que recebe a chave da cidade, por isso, é bem importante. E expressar sua alegria na Avenida é muito natural para mim. Minha família inteira é de Carnaval. Minha mãe foi a primeira rainha do Cacique de Ramos, meus tios sempre foram passistas. Essa alegria já está no sangue. É fazer por amor, brincar, cantar e representar o nosso pavilhão”, comenta.

Romario Gomes
Romário Gomes
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O advogado amapaense Romário Gomes contou que fez de tudo para estar no desfile assim que soube da homenagem ao Mestre Sacaca.

“É uma emoção muito grande ver o nosso estado sendo representado na maior festa do planeta. Vivemos o carnaval no Amapá com muita paixão, e estar aqui é gratificante. O Rei Momo é o nosso símbolo maior do Carnaval. O nosso curandeiro representa toda a nossa amazonidade, do Carnaval ao futebol. Ele mais do que ninguém poderia juntar tudo isso para representar a Mangueira. Estamos muito felizes de estar aqui”, revela o componente.

Romário explicou um pouco mais sobre a festa, citando que a Mangueira foi pessoalmente buscar sua inspiração para montar o desfile com fidelidade.

“A festa de São Tiago acontece todo 25 de julho e representa a luta entre mouros e cristãos. Mazagão veio do Marrocos e foi a primeira capital do nosso estado. No último festejo, o pessoal da Mangueira esteve lá, se encantou, e hoje somos uma ala dessa festividade. Estamos representando o marabaixo, o futebol, nossas escolas de samba. É muito lindo ver a nossa história sendo contada na avenida”, detalha.

Ana Clara de 20 anos
Ana Clara, de 20 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Para a estudante Ana Clara, de 20 anos, também amapaense, desfilar na ala é um motivo de orgulho pelo reconhecimento da própria cultura.

“Essa ala é muito importante, porque fala da tradição amazonense da festa de São Tiago, no Mazagão, que é muito histórica e importante para nós do Amapá. É algo muito representativo para a gente estar aqui. A ala está lindíssima e a Mangueira arrasou”, afirmou, emocionada.