Quarta escola a desfilar na Sapucaí na noite de abertura da Série Ouro, na sexta-feira, na Sapucaí, a Unidos de Bangu apostou na força das novas gerações para ecoar a mensagem de um dos maiores hinos da música popular brasileira. A ala infantil número 08, intitulada “A Voz do Morro é de Criança”, colocou pequenos sambistas para cantar “Zé do Caroço”, canção mais emblemática de Leci Brandão, homenageada pelo enredo.
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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Com fantasias que remetem ao serviço de alto-falante do Morro do Pau da Bandeira, a Vermelha e Branca transformou as crianças em porta-vozes de um legado que atravessa gerações, provando que, quando o morro fala, o futuro escuta.
A ideia da ala infantil surgiu para simbolizar o contraste entre a letra forte e a política da música com a inocência das crianças que a interpretam. Para Maria Valma, de 70 anos, coordenadora da ala, ver os pequenos entoando um hino de resistência na avenida é motivo de emoção e responsabilidade.
“É uma grande felicidade para nós, pois assim instigamos um entusiasmo neles, para que eles cresçam e desenvolvam o desejo de se engajar nas pautas que acreditam”, acredita.
Ela também falou sobre como conseguiu transmitir a mensagem de mobilização comunitária a uma geração tão conectada às telas.
“Eu acho que, apesar de elas viverem sob telas, as nossas crianças já estão entendendo a mensagem que estamos passando de forma clara. É muito importante esse desfile para elas nesse quesito. E o objetivo é que elas continuem aprendendo e se posicionando pelo que acreditam”, pontua Maria.
O megafone como a arma mais poderosa
Na concentração, as crianças falaram com brilho nos olhos sobre a responsabilidade de representar a escola e a homenageada, e deixaram a emoção tomar conta de si, da forma mais genuína.

Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Maria Eduarda, de 12 anos, moradora de Bangu e desfilando pela primeira vez na escola, contou ao CARNAVALESCO o que gostaria de gritar em um megafone para todo mundo ouvir.
“Eu falaria que a escola veio muito bonita, muito arrumada, com tudo muito organizado. Vamos receber a nossa Leci Brandão como ela merece, com a nossa música e o nosso enredo maravilhoso. Que a gente consiga, este ano, aumentar a nossa escola”, conta.

Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Daniele Coelho, de 14 anos, compartilhou a emoção do momento que está vivendo, provando que criar sonhos nas crianças é transformador.
“Nossa fantasia vem representando o Morro da Mangueira. Fiquei muito feliz de estar participando desse dia. A minha primeira grande experiência de vida. Quero lutar para que eu e todos os jovens possam viver momentos históricos como esse também. Que todos curtam bastante o Carnaval!”.

Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Isadora Tereza, de 13 anos, também compartilhou a expectativa da estreia na avenida.
“Estou muito animada e muito ansiosa para ver tudo o que vai acontecer no meu primeiro desfile na Bangu em homenagem à Leci, que conheci pela escola”, contou ela, provando que a missão da escola também é levar cultura e conhecimento a uma nova geração.

Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Já Gabriela Vitória de Oliveira, 10 anos, se emocionou ao falar da estreia e deixou uma linda mensagem com reflexão, bem madura para a sua idade.
“Eu diria para todos curtirem bastante a vida, porque ela é curta. Enquanto eu puder estar vivendo, eu vou curtir mesmo momentos como hoje. Estou até arrepiada. É a primeira vez. Faltam alguns minutos para começar e eu espero que a Unidos de Bangu ganhe”, afirma.

Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Camile Vitória, 14 anos, que também desfila pela primeira vez e sonha em seguir carreira no Carnaval, foi direta e expressou apenas um desejo: “ É Unidos de Bangu. É sobre isso. Somos unidos até morrer. Estamos aqui para ver nossa escola crescer”.
Daniele Chaves, 11 anos, e Maria Luísa, 12 anos, moradora de Padre Miguel, que já desfilou na Estrelinha da Mocidade e agora integra a ala da Bangu, concordam com a amiga e em tom de alegria e divertimento, gritam em tom de torcida: “Para cima, Bangu!”.
Entre megafones cenográficos e vozes ainda em formação, a ala 08 mostra que a resistência também pode ser cantada com pureza.










