Encerrando os desfiles da Série Ouro na noite do último sábado, na Marquês de Sapucaí, a Unidos da Ponte transformou o abre-alas em síntese do enredo “Tamborzão: O Rio é baile! O poder é black!”, conectando ancestralidade africana, cultura do funk e estética tecnológica em uma mesma pulsação visual.
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A primeira alegoria traduziu em imagem e movimento a proposta do carnavalesco Nícolas Gonçalves, ao celebrar o funk como força cultural das periferias e herança negra em permanente reinvenção. O abre-alas conectou tecnologia, referências rituais africanas e efeitos de pulsação em 150 batidas por minuto, velocidade comum ao gênero. Enquanto as máscaras evocavam a origem dos batuques, os elementos luminosos apontavam para o presente do baile.

O cantor estadunidense Stevie B, conhecido por misturar freestyle, hip-hop e funk, esteve presente na alegoria como símbolo do diálogo internacional da batida negra.
“A sensação é incrível. Isso aqui é uma experiência enorme com a cultura brasileira. São 6 horas da manhã, mas a gente tem que aguentar e realmente desfrutar”, afirmou o cantor.
Apesar de já conhecer o país, Stevie disse ainda se surpreender com a intensidade do ritmo: “150 BPM é uma velocidade alta para qualquer um. Mesmo depois de alguns anos vindo ao Brasil, é a primeira vez que sinto isso tão de perto”.

A funkeira Raíssa Real, de 23 anos, estreante pela Unidos da Ponte, também foi destaque no abre-alas e celebrou o desfile ao lado de nomes importantes do gênero. Segundo ela, a alegoria evidenciou mulheres africanas, o DJ monumental e as caixas de som que remetem aos paredões dos bailes.
“Tem muita ancestralidade africana, do início do tamborzão ao funk atual. Eles misturaram essas estéticas e eu achei incrível. O enredo está lindo, a música é linda. Acho que vai entregar bastante”, afirmou.

O figurinista Rafael Rocha, de 27 anos, também em seu primeiro desfile pela escola, surgiu caracterizado como “Exu da Batida”, fantasia que unia referências afro-religiosas a cabos e conexões do universo sonoro do baile.
“É uma energia de chegada. Mesmo sendo a ponta final do conjunto de abertura, sinto que estou ajudando a colocar essas batidas para jogo. Minha fantasia é a própria batida, e chegar na avenida já nessa vibração do tamborzão é muito impactante”, finalizou.










