
O Vai-Vai gravou o audiovisual da Liga-SP em um momento de entusiasmo com o samba-enredo escolhido para o Carnaval 2027. Com pouco mais de 15 dias entre a definição da obra e a gravação, a agremiação intensificou os ensaios da ala musical, bateria e comunidade para o registro ficar adequado. A preparação envolveu ensaios na Bela Vista, atividades em estúdio e encontros para alinhar os diferentes setores musicais da escola. Além do trabalho técnico, os entrevistados ressaltaram a identificação da comunidade com o samba e a importância de aproveitar o momento favorável para fortalecer a agremiação. O coral dos componentes presentes foi o grande destaque dentro do estúdio e, com certeza, foi bem captada, tanto em áudio como em imagens pela empresa Sala 22.
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Envolvimento da comunidade
O presidente Paulo Mello celebrou a oportunidade de representar a comunidade em mais uma etapa da preparação para o carnaval. Para ele, a experiência tem um significado especial por ocupar uma posição na executiva da escola. “Passei a vida inteira participando desse evento, mas, neste ano, especialmente por estar na executiva, a experiência está sendo diferente. Estou à frente da comunidade, representando todos. Estamos muito animados e vamos fazer uma grande gravação”, afirmou.
O dirigente também explicou como a escola organizou os trabalhos para o audiovisual. Com um intervalo curto desde a escolha do samba, os segmentos precisaram concentrar os esforços nos ensaios e na preparação musical “Durante a semana, a bateria ensaiou, e as alas se reuniram na Bela Vista, no espaço da escola. Todos trabalharam também no formato de coral e fizeram a passagem de canto. O pessoal está bem engajado, com o samba na ponta da língua, que é o mais importante”, declarou.

Paulo ainda destacou o trabalho realizado pela equipe musical e demonstrou confiança no resultado da gravação. “A equipe da ala musical está fazendo uma última passagem, mas também se dedicou bastante à preparação. Trabalhamos em estúdio e, por isso, acredito que estamos tranquilos”, completou.
O presidente também relacionou o bom momento musical ao ambiente vivido pela comunidade. Segundo ele, a receptividade ao samba contribuiu para deixar os componentes mais motivados. “O sentimento da executiva é de muita gratidão por ver a comunidade feliz. Ela está mais leve, sentindo o impacto dessa alegria positiva dentro da escola. Estamos aproveitando esse momento para aquecer, de fato, o Vai-Vai, e estamos conseguindo”, afirmou.
Novos elementos musicais
Diretor musical do Vai-Vai, Danilo Alves explicou que o trabalho para a gravação não se limitou à execução do samba escolhido. A equipe aproveitou o período de preparação para acrescentar elementos aos arranjos e valorizar a obra, mantendo as características musicais da agremiação. “Demos um ‘up’ no que já existia, porque o samba foi muito bem defendido. Com isso, acrescentamos alguns elementos para dar um toque especial”, explicou.

Entre as novidades, Danilo destacou a participação de um novo flautista, que também integra o time de cantores da escola, e o trabalho de bandolim de Cicinho. “Temos uma novidade: nosso grande flautista, Rodrigo Reis. Ele canta e, nos momentos em que não está cantando, faz alguns arranjos com a flauta. É sensacional, um dos grandes destaques do nosso trabalho, junto com o bandolim do Cicinho, um grande músico do carnaval que também está conosco”, contou.
O diretor musical também ressaltou a estrutura da ala musical, que conta com reforços vocais e uma equipe dedicada à construção do resultado sonoro. “Nossa ala musical é bastante robusta. Temos três mulheres fazendo o apoio vocal, além de uma equipe masculina muito forte. Será um trabalho com a cara do Vai-Vai: um samba para a frente, bonito, empolgante e cheio de alegria. O carro de som, o módulo musical, harmonia, bateria e o samba-enredo precisam estar convergentes. Todos têm que caminhar juntos, e essa integração está sendo muito boa”, afirmou.

Além do ensaio coletivo, a equipe passou o dia trabalhando com as cordas e as harmonias. Para Danilo, a identificação da comunidade com a obra facilita o trabalho musical e fortalece o envolvimento dos profissionais. “É um samba com a cara da escola. Além de falar dos trilhos do Bixiga e de Xangô, que são elementos importantes do nosso enredo, acredito que, no final, o samba exalta a escola e destaca seu brilho. É algo bonito, que envolve o componente e faz todo mundo cantar com emoção”, avaliou.
Além de diretor musical, Danilo também é um dos compositores do samba escolhido para o Carnaval 2027. Ao avaliar o resultado da obra, ele ressaltou o equilíbrio entre sua visão como autor e a responsabilidade de conduzir o trabalho musical. “Claro que não posso deixar de lado meu olhar como compositor, mas, falando como diretor musical, conseguimos escolher um samba que realmente tem o tamanho do carnaval que queremos apresentar na avenida”, concluiu.
Identificação com a escola
O cantor Luiz Felipe também demonstrou entusiasmo com a preparação para o audiovisual. Para ele, a qualidade do samba e o envolvimento da comunidade criam condições favoráveis para o trabalho da ala musical. “Isso é resultado do trabalho conjunto com a harmonia, a bateria e a comunidade. Temos reforços neste ano, com pessoas maravilhosas, como Kelly Silva e Francis Gabriel, e ainda estamos trazendo mais gente. Um samba como esse merece vozes potentes, então estamos fazendo um trabalho muito especial. Nós nos encontramos de três a quatro vezes por semana para ensaiar e também para confraternizar, fazer um churrasco e fortalecer essa união. É isso que une o nosso povo”, explicou.

Na avaliação de Luiz Felipe, a identificação dos componentes com o samba facilita a interpretação e amplia o entusiasmo para o próximo desfile. “Com um samba bom, um enredo bom e uma comunidade que abraça e quer cantar, temos uma combinação perfeita para o sucesso e para que tudo dê certo”, declarou.
Nascido e criado na escola, o cantor também falou sobre a relação afetiva com os componentes e a importância desse vínculo em sua trajetória. “O carinho que eles têm por mim é o mesmo que tenho por eles. A maioria me viu pequeno, me viu crescer. Sou nascido e criado dentro do Vai-Vai, e muitas dessas pessoas acompanharam toda a minha trajetória. Esse carinho é recíproco, e fico muito feliz com isso”, disse.

O intérprete ainda relacionou o clima positivo vivido pela comunidade à expectativa de realizar um grande carnaval. Para ele, a escola precisa transformar a empolgação atual em trabalho durante os próximos meses. “O Vai-Vai não entra na avenida apenas para se manter no Grupo Especial. Quando o portão abre, a escola já entra sendo o Vai-Vai, em busca do título. E, neste ano, não será diferente. O povo está feliz, a comunidade está feliz com o enredo, com o samba e com as fantasias. Agora, depende de nós trabalharmos durante esses próximos cinco meses para fazer um grande carnaval, à altura dessa escola quase centenária”, completou.
Buscando o ritmo ideal
O mestre Beto, comandante da “Pegada de Macaco” junto de mestre Tadeu, destacou a responsabilidade de construir os arranjos e adaptar o trabalho às características do samba-enredo. Segundo ele, a concepção musical parte de um processo desenvolvido com sua equipe, respeitando a identidade construída pela bateria ao longo dos anos. “Quem faz a maioria das coisas no Vai-Vai sou eu. Graças a Deus, tudo o que sai de arranjos da escola é feito por mim e pela minha rapaziada. O esqueleto, o coração, digamos assim, nasce dentro da minha casa, na garagem, no carro. Tudo começa ali”, explicou.

O mestre ressaltou que o desenvolvimento dos arranjos exige tempo e trabalho coletivo, mesmo diante do calendário apertado. Ele também falou da parceria com Tadeu na condução dos trabalhos. “A gente não tem pressa. Você acompanha quatro ou cinco domingos de ensaio do Vai-Vai e, depois da eliminatória, a bateria está tocando diretamente. Posso fazer uma paradinha de tamborim, parar para deixar o povo cantar e depois voltar, mas os arranjos são feitos por mim, com a gestão do mestre Tadeu”, declarou.
Beto também falou sobre a importância de cumprir os critérios de julgamento e ressaltou que a qualidade do samba influencia o desempenho da bateria. “A bateria tem o papel de tocar e cumprir os critérios de julgamento. A parte mais complicada é justamente cumprir esses critérios. Perdemos três décimos em 2026, e não dá para reclamar, porque o problema existiu. Mas, graças a Deus, cumprimos a nota máxima de que a escola precisava”, afirmou.

Para o próximo desfile, o objetivo é encontrar a construção musical que melhor valorize o samba e favoreça a participação dos componentes. “Um samba bom faz a bateria tocar melhor. Quando o samba não é tão bom, a bateria precisa fazer algumas coisas diferentes. Ainda vamos sentir como será, porque, como falei, o samba está sendo bem cantado. A partir disso, vou encontrar o arranjo perfeito para a comunidade do Vai-Vai, que tem uma dimensão que abrange o Brasil inteiro”, concluiu.









