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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A Fábrica do Samba se transformou em um pedaço do Nordeste no último sábado de setembro. Para fazer a gravação do multimídia de “Ojuara – O Homem que Desafiou o Diabo”, enredo da Colorado do Brás para o Carnaval 2027, uma série de arranjos inspirados na cultura local foram realizados. Com samba-enredo composto por Henrique do HC, Abraão Santos, André Mattos, Marcus Lopes, Hyder Oliveira, Leo Augusto, Anderson Monks e Roberto Holanda, o CARNAVALESCO esteve presente na gravação da faixa e conversou com uma série de personagens importantes da agremiação.

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Do semiárido para a Fábrica do Samba

Para tratar de uma temática nordestina, trazer alguns instrumentos típicos da região foi a alternativa utilizada pela escola, de acordo com Marcio Chuster, popularmente conhecido como Bijú, diretor musical e arranjador da obra: “O instrumento que tem o maior privilégio certamente é a sanfona, somada com a zabumba e com o triângulo. No alusivo do nosso samba-enredo, a gente utiliza zabumba e triângulo, mas a sanfona preenche, do início ao fim, a nossa gravação”, detalhou.

Não foram apenas os instrumentos presentes em um carro de som que tiveram alterações, de acordo com o profissional: “Fizemos os arranjos com esses instrumentos justamente por ser um samba com essa temática nordestina, e por isso esses instrumentos mais se destacam. Além disso, a bateria tem algumas movimentações com um xote e, em outro momento, com um baião. Adequamos os instrumentos que são comuns em um samba-enredo, como o cavaco e o violão de sete cordas, para realizar uma base para que essas bossas aconteçam. Fizemos isso para a gente conseguir misturar essa cultura nordestina com a cultura do samba-enredo também. Tudo casou muito bem! Vocês vão ver uma faixa maravilhosa, muito rica. A Colorado está feliz demais para esse próximo carnaval”, comentou Bijú.

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Na boca do povo

Antônio Carlos Borges, popularmente conhecido como Ká, presidente da escola, gostou do que viu na gravação e destacou a sinergia dos integrantes da agremiação com a obra: “A gente fez dois ensaios de quadra e fizemos um ensaio específico para a gravação audiovisual, que está sendo hoje. Eu fiquei muito feliz, inclusive os compositores também participaram do clipe, e isso foi muito legal para nós. Você vê que, realmente, a comunidade abraçou: foi um muito curto o espaço de tempo para aprender, já que o samba tem algumas algumas falas mais difíceis. Foi tudo muito legal, foi o que eu esperava, teve um clima maravilhoso. Nossa gravação válida foi logo a segunda, correspondeu à expectativa. Foi muito legal”, disse.

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Logística especial

O bairro do Centro de São Paulo em que fica a Colorado é um conhecidíssimo reduto de compras populares, com tráfego de pedestres e automóveis de todos os tamanhos. Ciente de tal fato, a Comissão de Harmonia da escola esteve atenta a uma série de questões para garantir a melhor logística possível: “Por conta de tudo que envolve a logística em relação ao Brás, um dos maiores centros populares de compras da América Latina, ficamos atento à previsão do tempo: como ia estar um tempo bom e a rua estaria cheia, a gente combinou de concentrar todo mundo aqui na Fábrica do Samba. Fizemos isso num horário mais cedo, para dar tempo de dar uma última ensaiada e concentrar todo mundo para fazer uma linda gravação”, destacou Flávia Vieira.

Quando perguntados sobre a quantidade de integrantes presentes na gravação, os demais componentes da Comissão de Harmonia foram solícitos e ágeis: “Estávamos com 38 ritmistas na gravação, tínhamos dez destaques (entre integrantes da Corte e celebridades que vão desfilar no chão) e 60 pessoas da comunidade”, enumerou Luciano Lopes.

João Daniel completou: “Somando tudo, tínhamos cerca de 140 pessoas da Colorado do Brás na gravação. Alguns, inclusive, ficaram de fora, apenas observando. Tomamos até uma bronquinha por conta disso”, brincou.

Lembrança de outros carnavais

Intérprete da agremiação desde 2023, Léo do Cavaco destacou que a temática nordestina costuma dar bons frutos à escola: “O que definiu a disputa de samba-enredo, inclusive, foi a voz da comunidade. Foi muito apertado, mas a gente percebeu que a maioria das alas e componentes gostavam muito desse samba. Gostavam dos outros também, a gente tinha três grandes obras na final e qualquer uma das três que fosse escolhido viria muito bem, mas o samba vencedor teve um predomínio muito grande da voz da comunidade e pelo lance dos sentimentos nordestinos: é um samba que traz muito essa característica do Nordeste, uma melodia ali mais parecida com as músicas nordestinas. Isso foi o que acabou pegando no coração da galera tanto na final quanto na gravação”, comentou.

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Convenção longa

No primeiro ano à frente da “Ritmo Responsa”, bateria da escola, mestre Fábio Américo utilizou um expediente que já realizou em outra coirmã em relação aos ritmistas na gravação do audiovisual: “Estamos fazendo uma estrutura de execução com uma bossa só, que toma conta de boa parte do samba. Vamos soltar um apagão no refrão de cabeça e, daí em diante, fazemos uma série de convenções e arranjos que dura a passada inteira do samba, sendo concluída no refrão de cabeça. Eu já fiz dessa maneira no meu último ano como mestre de bateria, no Morro da Casa Verde, em 2025”, pontuou.

A ordem de desfile da agremiação também foi citada pelo ritmista-mor da escola ao comentar o que mais gosta na canção: “É um samba melodioso, lindo, que já pegou. Quando ele explode, na virada para o refrão de cabeça, porém, ele cresce muito e fica muito grande. A Colorado do Brás vai ser a sexta escola a desfilar no sábado do Grupo Especial do carnaval de São Paulo e esse horário é complicado, exige um refrão forte e que coloque a escola para cima”, finalizou.