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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A gravação do audiovisual da Mocidade Unida da Mooca para o Carnaval 2027, realizada no dia 2 de outubro, na Fábrica do Samba, trouxe muitas surpresas e se diferenciou de maneira clara das faixas de muitas coirmãs em diversos aspectos. A fantasia de quem estava no coral e o início da canção foram duas das distinções mais marcantes do registro de “Modupé, Cardeais!”, enredo da MUM para o próximo desfile, com samba-enredo composto por Santaninha, Rubens Gordinho, Gui Cruz, Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Vitor Gabriel, Mateus Pranto, Willian Tadeu e Biel. O CARNAVALESCO acompanhou a gravação do audiovisual da agremiação para a próxima temporada e conversou com nomes importantes da escola. A Mocidade Unida da Mooca será a sexta escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial de São Paulo.

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Respeito às tradições

Algo que permeou a gravação do audiovisual da MUM para o Carnaval 2027 foi a preocupação com as festividades antigas da cidade de São Paulo. A característica começou nos arranjos para a faixa, como explicou Dennys Silva, um dos responsáveis pela parte musical e mestre da “Chapa Quente”, bateria da MUM.

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“A gente só faz o que o samba pede, desde o começo. Gravamos esse samba no dia 16 de abril, então foi muita maturação, respeitando as ideias dos compositores. É uma comunhão de pessoas pensando no melhor tom, na voz dos cantores e no andamento da escola. Tudo é muito bem pensado para exaltar o samba, a nossa obra, o nosso hino”, destacou.

Paulo Henrique, popularmente conhecido como PH do Cavaco, ressaltou que não houve predominância de nenhum instrumento na gravação.

“As cordas não têm privilégio de nada, tanto que hoje a gente colocou até um banjo na gravação. A bateria faz o lance dela, a gente faz a nossa parte e responde, tudo com muito respeito musical entre ambos. Por isso, o conjunto fica muito bom”, comentou.

Facilitadores

Cerca de uma semana antes da gravação do audiovisual oficial da escola para a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP), a Mocidade Unida da Mooca produziu sua própria versão, convidando as escolas que representam os cardeais do samba paulistano, homenageados no enredo.

Ao ser perguntado sobre como o curto intervalo entre as gravações e as diferentes dinâmicas poderiam atrapalhar ou ajudar a agremiação, Dennys avaliou que a experiência trouxe benefícios.

“Essa situação super nos ajudou! Fizemos apenas uma adaptação para ter um tamanho melhor, diminuindo um pouco a introdução. No arranjo em si, não houve mudança alguma: foi igualzinho ao do audiovisual, que durou 16 minutos e teve oito passagens. Aqui, estamos com duas passagens sem introdução”, explicou.

Imersão completa

Presidente da Mocidade Unida da Mooca, Rafael Falanga destacou a proposta artística como o principal diferencial da gravação.

“O diferencial da MUM é trazer uma proposta à moda antiga, de acordo com o enredo. Vamos fazer uma gravação sem uma grande introdução, indo direto para o samba, tal qual era feito antigamente. Cada componente do coral fez sua própria fantasia. Queremos retratar os carnavais antigos não só no áudio, mas também na parte visual”, afirmou.

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O presidente também valorizou o envolvimento da comunidade na construção da identidade visual do clipe.

“A energia está pairando sobre a MUM! A galera comprou muito essa história. Mas preciso dar nome aos bois: quem trouxe essa ideia foi um dos nossos diretores de Carnaval, Vanderley Silva. Ele sugeriu que, em vez de corrermos atrás dos figurinos padrões, trouxéssemos os carnavais antigos para a parte visual do clipe. A comunidade e o coral compraram a ideia, e houve uma movimentação imensa ao longo da semana. Deu super certo! Está todo mundo lindo e vai refletir o enredo”, comemorou.

Horário favorável

Ao ser perguntado sobre a logística para os componentes chegarem à Fábrica do Samba, Vanderley Silva, integrante da direção de carnaval da escola, respondeu com bom humor.

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Vanderley Silva, integrante da direção de carnaval da escola

“Tinha o metrô Palmeiras-Barra Funda e os ônibus de linha que chegam aqui na Fábrica do Samba. Como era uma sexta-feira, com todo mundo vindo do trabalho, montamos um esquema de recepção, maquiagem e alimentação. O horário da gravação também era confortável: às 22h30”, pontuou.

O diretor também explicou como surgiu a ideia de fantasiar os integrantes do coral.

“A princípio, nossa ideia era serpentear no espaço do coral, com todo mundo de calça branca e camisa do enredo. Fui para casa e, na manhã seguinte, tive a ideia de cada um fazer sua própria fantasia, tal qual se fazia antigamente. Achei que o Renan Ribeiro e o Rafael Falanga iam dizer que eu estava maluco, mas eles gostaram. O Renan fez um vídeo e ajudou a produzir, enviando as imagens do que queria no audiovisual. O resultado vocês viram aí”, disse.

Preparação de bamba

Os intérpretes também entraram na onda dos antigos carnavais. Com chapéus panamá, Gui Cruz e Pixulé mostraram descontração ao falar da preparação para a gravação.

“Segui o manual do bom intérprete e mais um pouco: dormi bem, tomei muita água e comi maçã. Mas também admito que comi fast food, tomei minha caipirinha e estou aqui”, brincou Pixulé, atual vencedor do Estrela do Carnaval de Melhor Intérprete do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Gui Cruz também entrou na brincadeira e contou que teve pouco tempo para se preparar.

“Trabalhei para caramba hoje, até as 19h. Só depois cheguei ao barracão e comecei a pensar na gravação”, riu.

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Ao comentar o que mais chamou sua atenção na proposta, Gui destacou a concepção artística e a participação dos componentes.

“A proposta artística como um todo é sensacional! Cada pessoa do coral produziu a própria fantasia para reproduzir os carnavais de antigamente. Pensamos na arte desde o princípio: não fizemos nossos gritos de guerra nem introdução na gravação. Tudo para fazer como se fazia samba antigamente. Parabéns à Diretoria Artística da Mocidade Unida da Mooca por pensar artisticamente no carnaval, porque carnaval é arte e alegria”, exaltou.

Na primeira gravação de audiovisual da Liga-SP com a Mocidade Unida da Mooca, Pixulé também se surpreendeu com o resultado do trabalho do coral.

“Quero puxar a sardinha para a minha comunidade: eles deram um show! Pensei que a escola faria os figurinos e deixaria todo mundo uniformizado, mas cada um fez a sua fantasia e deu certo. Ficou maneiro demais, maravilhoso! Deu liga demais!”, comemorou.

Tradicional até na bateria

Dennys explicou a escolha do andamento da “Chapa Quente” para a gravação e destacou a preocupação em preservar as características do samba.

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“A gente foi com um andamento de 140 a 142, no máximo, porque é um samba que não pede muito. Estamos fazendo uma releitura do que se tocava nos carnavais antigos, sem deixar o andamento tão para trás a ponto de desconfigurar o que o carnaval faz ultimamente. Vamos com três bossas para a pista e duas na gravação. Tranquilidade máxima, tem que priorizar o samba”, afirmou.

O mestre também ressaltou a formação tradicional da bateria como um dos destaques da obra.

“A gente tem caixa, surdo, repinique, agogô, chocalho, tamborim e cuíca. É um carnaval que relembra os antigos, com uma bateria bem tradicional, sem predomínio de naipe algum”, concluiu.