Por Miguel Correia e Mariana Santos

A Em Cima da Hora definiu o samba-enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. A parceria formada por Marcota de Cavalcanti, Cláudio Russo, Gabriel Simões, Diego Nicolau, Mateus Pranto, Raphael Gravino, Gui Karraz, Manolo e Brian Santos venceu a disputa realizada na quadra da escola e será responsável pelo hino que embalará o desfile de “Luzia Pinta – Da Calunga Grande aos Calundus da Cura”, enredo que será desenvolvido pelos carnavalescos Cahê Rodrigues e Rodrigo Almeida. A escolha encerra o ciclo de disputas de samba-enredo das escolas Série Ouro para 2027. A composição vencedora superou outras três obras que chegaram à decisão: as parcerias de Henrique do HC, Thiago Meiners e Richard Valença.

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Fotos: Miguel Correia e Mariana Santos/CARNAVALESCO

Um dos compositores vencedores, Mateus Pranto, destacou o significado de conquistar novamente a disputa na Em Cima da Hora. “É a minha segunda vitória consecutiva na Em Cima da Hora, desta vez com um enredo que celebra a ancestralidade e o legado africano. É extremamente gratificante vencer em uma escola de tamanha tradição, reconhecida por seus grandes sambas e nomes ilustres. Esta conquista, alcançada ao lado de Claudio Russo, Marcota de Cavalcanti, Gabriel Simões, Rafael Gravino e outros parceiros, é o fruto de um trabalho coletivo desenvolvido ao longo de anos. Hoje, celebramos o resultado desse esforço com mais um samba memorável para a nossa agremiação”, afirmou.

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Compositor Mateus Pranto

Raphael Gravino também comemorou a conquista e ressaltou o trabalho desenvolvido pela parceria. “É uma vitória que foi trabalhada. Em Cima da Hora é uma escola que eu tenho bastante carinho. É o segundo ano que a gente conquista o samba aqui. O do ano passado também é nosso, com a junção. E é um samba lindo. Eu acho que a graça toda é essa. É um samba muito bonito, que vai conduzir a escola a fazer um ótimo desfile”, afirmou.

Sobre a parte que mais gosta na composição, Gravino apontou o refrão do meio. “O refrão de meio, para dar o balanço, ter a melodia”, destacou.

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Compositores Raphael Gravino e Claudio Russo

Com uma trajetória marcada por disputas de samba em diferentes escolas, Claudio Russo comemorou o retorno ao panteão de compositores vencedores da Em Cima da Hora.

“É uma vitória. Particularmente para mim, é um retorno. Eu ganhei dois sambas aqui na década de 1990, na Em Cima da Hora, mas sempre fui muito próximo da escola. Um dos meus maiores parceiros, que é o Marquinhos Beija-Flor, que aqui é Marcota de Cavalcanti. Para mim, é um retorno, uma felicidade muito grande, porque é um enredo sensacional. Os carnavalescos tiveram uma sabedoria muito grande em trazer esse enredo. E, para mim, a parceria é o fechamento de ouro da temporada de disputa de samba. Eu tenho certeza que esse samba vai ajudar muito a Em Cima da Hora a fazer um grande carnaval”, declarou.

Wallace Capoeira destaca construção do carnaval

O diretor de carnaval, Wallace Capoeira, avaliou positivamente o processo desenvolvido pela escola até a definição do samba oficial e destacou a qualidade das quatro obras que chegaram à decisão.

“É um prazer imenso estar aqui na última etapa da escolha do samba-enredo para o Carnaval carioca. Sinto-me muito honrado e contente com o trabalho realizado até o momento. Chegamos a esta final com quatro composições de excelência. Qualquer uma delas teria condições de conduzir a Em Cima da Hora a um belíssimo desfile”, afirmou.

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Diretor de carnaval, Wallace Capoeira

Wallace também destacou a relação construída com os compositores e a equipe da escola. “O trabalho desenvolvido pela escola tem sido muito singular. Sinto-me plenamente satisfeito com a parceria estabelecida com os compositores. O processo de seleção foi rigoroso e o resultado, memorável. Agremiação estaria muito bem representada”.

O diretor também falou sobre a chegada à Em Cima da Hora e o ambiente encontrado na escola. “Confesso que fui recebido com um carinho ímpar. Encontrei uma equipe forte, comprometida e dedicada. A chegada da Lexa, inclusive, abrilhantou ainda mais o nosso projeto, que se revela sólido e seguro. Estamos cientes dos desafios do Grupo de Acesso, mas a Em Cima da Hora está preparada e empenhada em entregar um grande espetáculo”.

Wallace Capoeira também explicou como a ancestralidade presente no enredo orienta a construção do Carnaval 2027. “Quanto ao nosso enredo, ele carrega grande potência e ancestralidade. Sob a condução de Cahê Rodrigues e Rodrigo Almeida, estamos desenvolvendo um trabalho que exalta a força da mulher negra, empoderada e protagonista da sua própria história, representada pela figura de Luzia Pinta, uma feiticeira do bem. O nosso carnaval será um tributo à ancestralidade, à magia e ao valor da mulher brasileira. A Em Cima da Hora reafirma, assim, seu compromisso em defender o lugar de destaque que a mulher ocupa e deve ocupar em nossa sociedade”.

Como passaram os sambas na final

A noite teve diferentes momentos ao longo das apresentações. A parceria de Henrique do HC abriu a final com Marquinhos Art Samba. A apresentação contou com uma introdução de Pamela Falcão e apostou em uma construção narrativa da trajetória de Luzia Pinta. A torcida, entretanto, concentrou boa parte de sua participação em coreografias, bandeiras e balões, com menor presença no canto.

Na sequência, a parceria de Marcota de Cavalcanti foi defendida por Evandro Malandro. O samba apresentou como um de seus destaques o pré-refrão principal, com potencial para provocar a participação da comunidade. A composição também buscou soluções melódicas para conduzir a narrativa do enredo e terminou a apresentação com rendimento decrescente.

O terceiro samba da noite foi o da parceria de Thiago Meiners, interpretado por Victor Cunha. A obra também apresentou Luzia Pinta narrando sua trajetória, mas teve alguns desencontros melódicos que interferiram na fluidez da composição. A apresentação manteve rendimento regular e não conseguiu estabelecer uma participação mais efetiva da torcida.

Fechando a decisão, a parceria de Richard Valença levou à quadra os intérpretes Tinga e Charlles Silva. Os dois refrões foram os trechos de maior participação do público durante a apresentação. O refrão do meio ganhou força pela intensidade da interpretação, enquanto o principal apostou em uma construção mais simples e funcional. A obra terminou a noite com bom rendimento.