Por Marcos Marinho e Victor Busch
A São Clemente definiu no último sábado o samba-enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. Em uma final marcada por apresentações equilibradas e uma disputa acirrada, a escola optou pela união das obras das parcerias de Nelson Amatuzzi e Helinho 107. O samba resultante ainda será divulgado oficialmente, mas já tem definida a relação de compositores que assinará a composição. A obra será assinada por Nelson Amatuzzi, Cesar Ouro, Leozinho Nunes, James Bernardes, Eugênio Leal, Armandinho do Cavaco, Andre Russo, Edmar Jr, Vando Cardoso, Victor Mendes, Hugo Bruno, Claudio Russo, Helinho 107, Claudio Filé, Henrique Figueira, Edu Cuíca, Julio Pagé, Luciano Fogaça, Robson Trindade, Julinho Azevedo e Cesar Ricardo. No Carnaval 2027, a São Clemente será a primeira escola a desfilar na sexta-feira, 5 de fevereiro, pela Série Ouro, com o enredo “Crialogia – gambiarra à brasileira”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon.
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O presidente Thiago Almeida fez um balanço positivo do momento vivido pela escola e destacou o retorno de integrantes da comunidade e de segmentos tradicionais da agremiação.
“Foi bastante positivo. Estou muito feliz com a quantidade de clementianos que voltaram e que estão entrando para a escola. Foi uma retomada importante para a gente. Nossa escola, com a Ala de Compositores, a Velha-Guarda, todo mundo em peso, precisava de um respiro novo. Acho que já fazia um tempo que a gente precisava trilhar um caminho diferente”, afirmou.
O dirigente também fez questão de reconhecer a trajetória de Renatinho, seu antecessor na presidência da escola. “Ele fez história, isso é um fato, e a marca que a São Clemente se tornou com ele a gente não tem o que falar. Mas hoje estou muito feliz e com a quadra cheia, está incrível. Foi uma disputa acirrada: muitos bate-papos, encontros, conversas e trocas. Mas acho que hoje a gente tirou o nosso melhor”, completou.

Fora da quadra, a São Clemente também acelera os trabalhos para colocar o projeto de Annik Salmon na Sapucaí. Segundo Thiago Almeida, a troca na presidência aconteceu apenas em junho, o que reduziu o tempo disponível para a montagem da equipe de ateliê e exigiu uma corrida contra o relógio.
“Conseguimos trazer de volta o Thiago Borges, nosso chefe de ateliê, que trabalhou muitos anos com a gente aqui na São Clemente. A gente olhava para os desenhos pensando: ‘como é que ele vai tirar isso do papel?’, e ele conseguiu transformar tudo. As fantasias ficaram lindíssimas, na pegada que a Annik queria levar. A obra é dela. Fez um trabalho lindo. Ficamos de cara com o que ela apresentou. Acho que vai ser o xodó da gente. Ainda não vimos os outros, mas, pelo que ela explica do projeto, está incrível. Se a gente conseguir executar, vamos levar um carnaval bonito para caramba para a São Clemente”, comentou o dirigente.
Compositores celebram o resultado
Entre os compositores da obra escolhida está Claudio Russo, que viveu uma situação especial na disputa. O compositor contou que seu filho foi campeão no ano anterior sem a sua participação na parceria e que, desta vez, o convidou para integrar a composição.

“É muito importante para mim, porque meu filho ganhou ano passado e eu não estava na parceria. Ele me chamou este ano para entrar na parceria que tinha sido campeã, e mais uma vez a gente consegue ganhar, especialmente ao lado do meu filho”, afirmou.
A vitória também aumentou a marca de Nelson Amatuzzi na escola. Pentacampeão na São Clemente, o compositor não escondeu a emoção com mais uma conquista.
“É uma emoção maravilhosa. Sou pentacampeão nessa escola do meu coração. Estou muito emocionado”, declarou.
Como passaram os sambas na final

Parceria de Edinho: O samba passou de maneira regular na final. O refrão principal traz uma síntese interessante do enredo e do momento que a escola está atravessando. O refrão do meio e a segunda do samba cairam de rendimento ao longo das passadas, mas o samba conseguiu encontrar sustentação na sequência. Uma passagem regular.
Parceria de Helinho 107: Defendido por Igor Sorriso, o samba fez uma excelente exibição. O refrão foi muito cantando pela torcida com muita força. A segunda parte do samba conta com belas melodias muito bem trabalhadas por Igor. O samba saiu do palco levado no gogó pela torcida da parceria.
Parceria de Nelson Amaruzzi: Rafael Tinguinha esteve à frente do microfone do samba. Apesar de contar com versos mais literais na primeira parte, o samba passa bem e se mostra de fácil entendimento e canto. O refrão do meio brinca com situações que evocam a ideia de gambiarra, o que é uma boa sacada para dar uma virada. O refrão principal é bem cantado, mas não cresce em relação ao restante do samba, ganhando o destaque como refrão. De todo modo, outra excelente exibição na noite de final.
Parceria de Marcelo Adnet: Defendido por Pixulé, o samba passou com bastante pressão desde o início. Destaque para a segunda do samba com versos poéticos que sintetizam bem o enredo da escola. O refrão principal também é cantado com força, evocando o momento da escola e reafirmando a gambiarra como sabedoria popular, mas com avançar das passadas o rendimento do samba caiu um pouco.









