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Foto: Reprodução de internet

Por Marcos Marinho, Mariana Santos, Matheus Morais e Vanessa Vicente

A noite de 5 de setembro e a madrugada de 6 de setembro de 2026 entraram para a história quase centenária da Estação Primeira de Mangueira. Por volta das 5h, a presidenta Guanayra Firmino anunciou a vitória da parceria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim, dizendo que é “preta macumbeira e de Oyá”. A Verde e Rosa fechará os desfiles do Grupo Especial do Rio na terça-feira do Carnaval 2027, com o enredo “Oyá Por Nós”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França.

Compositoes campeões falam com o CARNAVALESCO

“É muito difícil expressar o que estou sentindo, porque somos todos seres humanos. Eu perdi meu pai há um tempo e, no ano passado, acabei não entregando um samba à altura dos meninos que ganharam e dos outros sambas que estavam na disputa. Quando lançaram o enredo de Oyá, foi essencial para mim, porque eu tenho um desejo muito grande de fazer samba afro sempre que surge essa possibilidade. Quando soubemos que seria Iansã, que já havíamos mencionado em alguns sambas, sentimos que era uma oportunidade de me recuperar também de algumas coisas da vida. E conseguimos. É uma emoção muito grande falar de Oyá para a Mangueira, não apenas por ela ser a orixá protetora da escola, mas porque, para mim, ela sempre passa à frente. Tudo o que se fala, a gente consegue expressar bem, mas não é só a parceria: é a escola, que se veste bem. O Lequinho falou sobre as nossas brigas, e essa é uma grande verdade. A gente briga muito, mas nenhuma dessas brigas é por vaidade. Tínhamos uma missão praticamente impossível: seis homens precisavam se vestir do feminino e chegar o mais próximo possível dessa essência. Fizemos um pacto para conseguir isso. E eu não sei explicar como nasce uma frase que eu faço, assim como os meninos também não conseguem explicar. Para mim, o dom é divino. Não tem outra explicação”, disse o compositor Junior Fionda.

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Compositor Junior Fionda

“Esse ano, a gente viveu uma disputa histórica. É uma disputa que eu tenho 18 anos de Mangueira e eu nunca vivi nada igual. E é a disputa do nosso pré-centenário. A gente fez história. Epahey, Oyá!”, disse o compositor Paulinho Bandolim, em entrevista ao CARNAVALESCO, ele que chegou ao sétimo título na escola.

“Eu faço samba na Mangueira há 26 anos e posso dizer que nunca vi o que vi hoje. É uma sensação indescritível. Nunca tinha visto essa quadra em ebulição dessa maneira, então não tenho palavras para definir o que aconteceu. Eu nem esperava, acho que ninguém esperava. Quando a gente acompanha as disputas, sempre quer o melhor, mas isso é mais do que o melhor. Estou muito emocionado, muito, muito emocionado, e muito feliz de ver a comunidade da Mangueira abraçando o samba dessa maneira. Espero que, no Carnaval, isso se projete para a Marquês de Sapucaí, para fecharmos o carnaval da melhor forma possível, sonhando e vencendo dentro da quadra da Mangueira”, afirmou o compositor Gabriel Machado.

Mangueira não prevê mudanças na letra

A Mangueira não fará alterações na letra do samba-enredo escolhido para representar a escola no Carnaval 2027. A confirmação foi feita pelo diretor de carnaval, Dudu Azevedo, em entrevista ao CARNAVALESCO durante a final da disputa realizada neste sábado. Segundo ele, ajustes poderão acontecer na melodia e na interpretação do cantor oficial Dowglas Diniz, mas a composição vencedora será preservada. Os ensaios de canto começam em outubro, enquanto os ensaios de rua têm início marcado para 15 de novembro.

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“Não tem mudança de letra, não. Tem de melodia, da interpretação do Dowglas (Diniz), claro. A gente não prevê mudanças, não”, garantiu Dudu Azevedo.

Como passaram os sambas na final

Parceria de Lequinho: O final catártico e histórico da final veio sob o comando de Tinga. A cantora Daniela Mercury, que fez uma participação especial na gravação oficial e no clipe da obra, cantou durante a performance junto com os intérpretes oficiais. A última passada da composição da parceria de Lequinho como concorrente a hino de 2027 pelo Palácio do Samba consolidou sua força lírica e melódica. Mesmo em momentos de menos energia — porém, não menos canto —, os versos finais de cada estrofe provocavam canto alto dos sambistas, traziam imagens que faziam os torcedores dançarem e gesticularem, interpretando a letra, cada um à sua maneira. E o poderoso refrão principal cumpriu seu papel explosivo em cada passada, incendiando a quadra da Verde e Rosa.

Parceria de Arlindinho: Para encerrar a jornada em busca do hino para 2027, a parceria de Arlindinho trouxe um show em honra ao brilhante caminho construído. A cantora Majur, que interpreta a canção na gravação e no clipe, esteve presente para dar voz à obra na primeira passada. Foi bem recebida pelo público, que acompanhou o canto com força. No geral, a performance foi aguerrida, tendo momentos de canto irregular, levados na garra do carro de som. Muitas vezes, os intérpretes, Majur e seus dançarinos foram ao meio do público para reconquistar o canto da galera. Por sua vez, os sambistas se mostraram muito dependentes das vozes principais. Em uma das passadas, ao jogarem para a torcida, sem cantores principais e bateria, os presentes cantaram com pouca intensidade a segunda parte da canção. Apesar disso, um dos refrões mais populares da disputa de carnaval confirmou sua força e foi responsável por recuperar a energia da performance na maioria das passadas.

Mangueira eleva o sarrafo no show da final

O show da Estação Primeira de Mangueira neste sábado, na final de samba-enredo para o Carnaval 2027, subiu o sarrafo dos shows das finais de samba do carnaval carioca. De uma cabaça surge um búfalo, uma das representações de Oyá. O casal foi ovacionado pela quadra após uma entrada triunfal digna de Iansã e Xangô, o casal do dendê, anunciado pela cantora Nina Rosa, e o pavilhão verde e rosa foi, desta vez, encantado por Oyá, sintetizando o início do novo ciclo da escola. Dowglas Diniz e a competentíssima ala musical e bateria passearam por clássicos da escola, trazendo arranjos de cordas e vocais, além das bossas da bateria comandada por Taranta Neto e Rodrigo Explosão, que fizeram o público cantar muito no Palácio do Samba. A rainha Evelyn Bastos entrou em cena durante o samba de 2023 e foi ovacionada pelos mangueirenses, além do time completo de musas da escola.

Lucinha Nobre revela emoção ao assumir preparação de Matheus e Cintya na Mangueira

A Mangueira terá Lucinha Nobre à frente da preparação artística e técnica do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira para o Carnaval 2027. A porta-bandeira, que encerrou sua carreira recentemente, foi convidada para trabalhar com Matheus Olivério e Cíntya Santos e terá ao seu lado a coreógrafa Camille Salles. Em entrevista ao CARNAVALESCO durante a final de samba da Verde e Rosa, Lucinha revelou que o trabalho começa imediatamente após a definição do samba-enredo.

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