Por Júnior Azevedo, Mariana Santos, Marcos Marinho e Miguel Correia

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Apoiada por todos os segmentos portelenses a parceria de Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrosio, W. Correa & Rafael Gigante venceu a disputa de samba-enredo da Portela para o Carnaval 2027. O resultado foi divulgado por volta das 5h deste sábado e com a quadra ainda lotada. Wanderley Monteiro chega ao nono samba vencedor na Portela. O compositor já havia vencido em 2009, 2011, 2012, 2013, 2016, 2022, 2023 e 2024. Vinicius Ferreira e Rafael Gigante alcançam a quinta vitória na escola. Jefferson Oliveira chega à quarta e Hélio Porto, à terceira. Para Orlando Ambrosio e W. Correa, é a primeira conquista na Azul e Branco. O enredo “Ao mestre, com carinho” é desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. A Majestade do Samba será a primeira a desfilar na terça-feira.

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Maior vencedor da disputa de samba portelense o compositor Wanderley Monteiro conversou com o CARNAVALESCO após o resultado: “É uma alegria imensa, porque a gente já ganhou e já perdeu, mas toda vez que ganha é uma emoção nova, é como se fosse a primeira vez. E falar de Monarco não dá para terminar. O mestre é o nosso mestre, é um ícone no samba para todos os sambistas, e a gente teve essa felicidade de ganhar o samba na disputa e ter o samba na avenida falando de Monarco. É uma felicidade imensa, enorme, não dá nem para descrever. A Portela está muito organizada, está fazendo um belo trabalho, e eu tenho certeza que ela vai fazer um belo desfile e nós vamos para as cabeças com esse samba do Monarco”, garantiu Wanderley Monteiro.

O compositor Rafael Gigante frisou frequentar a Portela desde 1994. Ele comparou a vitória com o título da Copa do Mundo. “Faltam palavras para expressar o tamanho dessa emoção. Primeiramente, vencer na Portela significa triunfar na escola que nos formou como compositores, cidadãos e sambistas. Sou nascido e criado em Marechal Hermes, e a minha proximidade com Oswaldo Cruz e Madureira existe ‘desde os tempos de criança’, como diz a própria letra. Frequento a escola desde 1994 e componho para ela desde 2010. Poder representar a águia na Sapucaí com um enredo sobre o mestre Monarco, em um carnaval tão emblemático que exalta a personificação do portelense, sua elegância, garbo, profundeza e responsabilidade é algo indescritível. O Monarco nos deixou um legado de comportamento, de postura e de como agir com serenidade e compromisso diante das situações. A ficha ainda nem caiu; acho que só vou mensurar o tamanho disso com o tempo. Colocamos todo o nosso coração na composição, ao lado de uma parceria que já vem junta há muito tempo. Ganhar esse concurso é como levantar uma Copa do Mundo. Estou feliz demais”, disse ao CARNAVALESCO o compositor Rafael Gigante.

O compositor Hélio Porto conquistou sua terceira vitoria consecutiva na Portela e compartihou que seu trecho preferido no samba campeão é o refrão “Ao falar de Monarco meus olhos sempre vão marejar”, citou.

O compositor Vinicius Ferreira também celebrou a vitória: “Durante um bom tempo na nossa vida a gente fica buscando chegar no lugar ideal para vencer o samba-enredo e, todo ano, nós temos essa luta, vontade, esperança que cresce a cada dia. E quando chega no dia da final e isso acontece do jeito que a gente imaginava, acaba não sendo do jeito que a gente imaginava. É sempre muito melhor. É minha quinta vitória na Portela”, revelou.

Show emocionante

O show da Portela revisitou momentos emocionantes da trajetória do mestre Monarco. Desde sua passagem pela Unidos de Jacarezinho até o encontro com seu grande amor, Dona Olinda. As cenas foram embaladas por clássicos do cancioneiro de Monarco, celebrando em corpo e ritmo o baluarte. Jan Oliveira, diretor artístico, trouxe pessoas da comunidade de Osvaldo Cruz e Madureira para o corpo de baile da apresentação.

Bruno Ribas comandou o show do palco, cantando clássicos da Azul e Branco de Osvaldo Cruz e Madureira como “Gosto que me enrosco”, “Lendas e Mistérios do Amazônia” e “Madureira sobe o pelô”. A rainha Bianca Monteiro foi ovacionada pela quadra quando entrou no samba “Um defeito de cor” em um bloco de homenagem a Gilsinho. Na apresentação do samba de 2025, em homenagem a Milton Nascimento, representantes mulheres das harmonias de todas as escola de samba do Grupo Especial entraram no palco durante a música “Maria, Maria”. Antes do samba do Carnaval 2026, muito celebrado pelos portelenses.

Como foram as apresentações na final

Parceria de Wanderley Monteiro: Wander Pires defendeu o samba da parceria de Wanderley Monteiro, Vinícius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrósio, W. Correa e Rafael Gigante. A apresentação confirmou a força da obra que se viu ao longo de toda a disputa de samba na Portela. Na primeira passada, Wander puxou e deixou a quadra cantar a plenos pulmões todo o samba. O refrão principal foi cantado com força por Oswaldo Cruz e Madureira. Os versos “eu sou a sua eterna continuação” foram cantados com paixão pelos torcedores, que levantaram os braços. O refrão do meio passou com menos intensidade; ainda assim, foi cantado. A segunda parte cresceu em todas as passadas até explodir no refrão principal. Excelente apresentação, que confirma a trajetória do samba como um dos favoritos da safra 27.

Parceria de Jorge do Batuke: Zé Paulo Sierra defendeu o samba da parceria de Jorge do Batuke, Márcio Carvalho, Luiz Matos, João Menna Barreto, Lucas Alves, J. Ferreira e Araguaci. O refrão principal faz uma homenagem bonita aos baluartes da Portela, sendo o momento mais bem cantado do samba. O samba cresceu de andamento depois da primeira passada, dando mais vigor ao samba. O refrão do meio passou aguerrido, porém a quadra como um todo recebeu o samba de modo mais frio em relação à parceria anterior. Já o trecho final do refrão principal é aguerrido e bem cantado. Ainda assim, Zé Paulo defendeu o samba com muito vigor.

Parceria de Cecília Cruz: Pixulé cantou o samba da parceria de Cecília Cruz em uma performance enérgica. O canto foi bem sustentado pela torcida na primeira passada, sem apoio do cantor principal e da bateria, bem como em todas as vezes que o canto ficou a cargo da plateia. Entretanto, o rendimento foi decrescente, com perdas de energia dos presentes, especialmente na cabeça do samba e no refrão do meio. O fôlego se recupera com o trecho que faz alusão ao clássico do baluarte “corri pra ver”, e o sensível refrão principal, que foi responsável pelo último gás na passada final.