louzada vaivai
Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Diz a sabedoria popular que o bom filho sempre volta à casa em que foi feliz. Tal provérbio encaixa-se perfeitamente para falar do retorno de Alexandre Louzada ao Vai-Vai. Iniciando a quarta passagem pela Escola do Povo a partir de 2027, o carnavalesco fará dupla com Victor Santos ao assinar o enredo “Três Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com Alexandre Louzada para saber sobre o sentimento do experiente profissional ao retornar para a maior campeã do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo.

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Poético

Ao falar da Saracura, Louzada estufa o peito e falar em verso e prosa: “Sem dúvida, voltar para o Vai-Vai é uma honra e uma alegria imensa. Isso é uma coisa que não chega só a mim, ela se expande. Tinha tanta gente torcendo que fosse o Vai-Vai, o que eu recebo pedidos de gente que quer desfilar e assistir não está escrito. Eu, que sou carioca, ao ver a ressonância do Carnaval de São Paulo, a memória, o acervo de grandes sambas que o Vai-Vai tem… é algo que reverbera como a escola mais conhecida fora de São Paulo. Eu me sinto, ao mesmo tempo, muito feliz de voltar”, comemorou.
Vale destacar que a passagem que se inicia em 2027 é a quarta de Alexadre Louzada pelo Vai-Vai: a primeira foi entre 2011 e 2012; a segunda, em 2015; e, a terceira, entre 2017 e 2018. Em tais períodos, conquistou as duas taças da Saracura no Grupo Especial, em 2011 e em 2015.

O carnavalesco deixa claro o quanto a Escola do Povo é importante para ele profissionalmente: “Era o momento que eu precisava disso. O Vai-Vai me torna visível perante o Carnaval do Brasil – não só de São Paulo, e é para isso que a gente trabalha: eu não trabalho por fama, eu trabalho por amor ao que eu faço. E a vida é feita de tropeços que nos traz aprendizados. O Vai-Vai é como se fosse um porto seguro, porque, independentemente de ter ajudado a escola em dois campeonatos, eu fiz grandes enredos aqui. Eu aprendi muito fazendo o Vai-Vai. Aprendi proporção, por exemplo: ‘A Música Venceu’ trouxe um palco diferente para o Carnaval de São Paulo na questão de aderir um pouco mais às alegorias – eu já acompanhava muito a festa antes disso”, relembrou.

Desafios e encantamento

Antes de falar de uma das grandes características do Vai-Vai, Louzada também destacou que o carnaval na maior cidade da América Latina é grandioso: “Hoje, São Paulo dá aula de gestão de Carnaval – com muito pouco, as escolas conseguem fazer muito. Eu tenho que honrar essa oportunidade de estar de volta. É uma escola que combina muito comigo até na questão da sobriedade das cores. Isso me encanta e é um desafio. Quando eu vim pela primeira vez para o Vai-Vai, eu pensei o que eu faria com preto e branco – e é aí que você descobre as possibilidades. A família que você encontra, o fanatismo (no bom sentido), com 97 anos, o respeito que ela tem de apresentar uma bandeira, o respeito que ela tem pela sua bateria, pelos seus componentes, a gente vê isso no dia a dia. Vi essa cobrança e fanatismo até mesmo na última eleição. Eu e o Victor seremos mais dois soldados nessa trincheira para devolver ao Vai-Vai os seus grandes desfiles e escolher grandes enredos como esse”, comentou.

Enredo já querido

Alexandre Louzada e Victor Santos estão desenvolvendo uma temática em homenagem a Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé – três grandes amigos que compartilhavam uma série de situações. Sobre cada um deles, o carnavalesco mais experiente guarda um carinho especial: “Qualquer colega meu estaria pedindo para que esse enredo caísse na escola deles. É um grande enredo, é irretocável. Quem assistiu ao documentário aprende muito. Eu aprendi demais até da picardia baiana. Eles eram pessoas comuns: quem imagina que eles brincam da forma que eles brincam uns com os outros? Isso nos deixa uma humanidade de que a gente pode brincar um pouco mais com as pessoas por causa desse desejo, desse orgulho de ter pessoas como essa no Brasil. Talvez o maior escritor brasileiro, eu já conhecia muito a música de Dorival Caymmi porque na minha família tinha muitos músicos, e eu trabalhei em uma galeria de arte – logo, já conhecia o Caribé. Eles reúnem tudo que eu particularmente gosto: eu gosto de escrever, eu gosto de desenhar, e a música de Dorival Caymmi é uma coisa que é muito característica dele, não tem uma coisa igual dentro da simplicidade da letra – mas ele conta a vida, o dia a dia. Ele tem um fascínio muito grande com o mar, quase todas as músicas falam do mar, o que traz, o que leva. Eu estou administrando um trabalho maravilhoso, que será o desfile do Vai-Vai”, finalizou.