Por Will Ferreira e Ana Carla Dias

Fazendo mais uma homenagem a uma grande personalidade feminina, o Pérola Negra lançou o samba-enredo que levará para a avenida em 2027 no último sábado. A agremiação fez a apresentação da obra que embalará o desfile de “Sem Vacilar, Sem me Exibir – Sou Jovelina, a Pérola Negra”, assinado pelo carnavalesco André Machado. A Joia Rara encomendou a canção para a parceria que tem como integrantes Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Mateus Pranto, Salgado Luz, Fábio Gonçalves, Leandro Flecha, Cabide, Wagner Forte e Chico Maia. Sempre presente em eventos importantes do carnaval paulistano, o CARNAVALESCO marcou presença no lançamento do samba-enredo e conversou com diversos nomes importantes da agremiação. O Pérola Negra será a primeira escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial de São Paulo.

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Direção dos compositores

Para um compositor, falar de uma artista que tantas músicas compôs é ainda mais especial. Lucas Donato, um dos compositores da obra e também intérprete da agremiação, contou como foi o processo de criação da obra: “Para mim, o samba é emoção. É muito emocionante falar da maior partideira de todos os tempos; para mim, ela e a Dona Ivone Lara são as maiores mulheres do samba, com todo o respeito à madrinha Beto Carvalho, que faz parte disso, também. Foi muito rápido para fazer o samba, assim como todos os sambas do Pérola que a gente fez: em um ou dois encontros a gente conclui. A gente mais vai se encontrar para se ver e para resenhar do que para fazer samba. Sempre foi rápido, a sinopse é boa, o enredo é bom”, comemorou.

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Ao falar sobre a obra, Mateus Pranto deu uma abordagem importante sobre o enredo da escola: “Para a gente, o que tinha que estar no samba eram as músicas dela. Geralmente, a gente fala da Jovelina naturalmente, mas tem que saber que o enredo é praticamente uma roda de samba. Essa foi a grande chave pra conseguir desenvolver tudo, pensando sempre numa roda de samba”, comentou.

Salgado Luz revelou que a obra em questão teve uma única inserção mais tardia, se é que dá para chamar dessa maneira: “Absolutamente tudo que a gente pensou no início da construção do samba está presente na versão finalizada do samba. A gente só acrescentou, só acrescentou. A única coisa que não tinha no samba no início da composição era o trecho do ‘Sou Joia Rara’, no último encontro a gente foi lá e botou esse trecho. Último encontro de dois, no caso”, relembrou.

Leandro Flecha comemorou a dinâmica da composição: “O samba do Pérola foi num caminho natural do que tem que ser. Cada um vem com uma ideia, fomos investindo nelas e deu isso. O segundo encontro foi só para a gente cantar o samba ao vivo”, divertiu-se.

Parte favorita

Embora uma parte da obra seja muito citada como a favorita, existem outros trechos que são citados. Lucas inicia: “Eu adoro muito a parte do partideiro. É o que vai ser o ponto X do desfile do Pérola. Vai ser o que vai levantar, igual foi o ‘olê mulher rendeira’ em 2026 ou o refrão do Exu Mulher em 2025. O ‘samba aqui, samba ali, samba lá’ todo mundo sabe e é fácil, a arte do partideiro também”, comentou.

Salgado completou: “Eu acho a preparação para o refrão muito bonita, também. O ’Pérola Negra chegou por aqui, passou por aqui’ também é legal, acho bem bacana”, disse.

Presidente satisfeita

Sheila Mônaco, mandatária do Pérola Negra, mostrou bastante felicidade ao falar da obra apresentada à comunidade: “O samba-enredo foi algo que me surpreendeu muito. A gente vai acabar apresentando um carnaval muito alegre e muito característico da Jovelina. O André está me surpreendendo a cada dia, estou mega feliz!”, destacou.

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A presidente aproveitou para revelar como funciona o relacionamento entre os compositores e a direção da escola: “Eu não tive participação alguma na composição. Eles só vieram com o samba pronto, para aprovação ou não. Mas, como o samba era muito gostoso, não precisou mudar uma vírgula, não precisei nem de muito esforço”, explicou.

Direção animada

Gabriel Ferreira, popularmente conhecido como Gabiru, diretor de Harmonia do Pérola Negra, trouxe uma visão interessante sobre a canção: “É um samba muito bom e muito fácil porque traz várias músicas dela. É um samba em primeira pessoa, que foca em como ela está interpretando o samba. É um samba que vai crescer muito. Tenho certeza que vai marcar o Carnaval de São Paulo porque é um partido alto repleto de citações das músicas dela. Vai ser um samba muito positivo”, destacou.

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O diretor também destacou o que a agremiação pediu para o grupo de compositores: “Pedimos para eles um samba dinâmica e fácil. A gente escolheu o refrão do meio com um pedido que eu fiz para o carnavalesco, que encaixasse no refrão do meio. Isso fez com que o samba crescesse ainda mais. A gente passou todas as dicas do que precisávamos ter no samba. E, aí, a caneta correu. A gente nem imaginava que ia chegar esse samba tão bom”, comemorou.

Idealizador e conhecedor

Mente responsável pelo enredo, André Machado foi mais um integrante da escola a ter um sentimento especial em relação à obra apresentada neste sábado: “Eu estou muito feliz com o resultado. Quando eu apresentei o enredo para os compositores, eles foram muito felizes na letra, na melodia. Eu cheguei a postar na internet o quanto me emocionou, eles foram no ponto certinho: eles conseguiram fazer um samba com a cara da Jovelina, com a cara do nosso enredo. As pessoas que gostam de partido-alto vão se sentir nesse ambiente acolhedor, no qual todo mundo pode participar, nem que seja só na palma da mão. E eles conseguiram fazer isso: trazer o que a Jovelina fez em relação à melodia e à métrica da letra. Eu estou muito contente. Eu não sei se vai ser o melhor samba do Carnaval, mas com certeza vai estar entre eles”, exaltou.

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Músicos felizes

Os responsáveis pela parte musical da Joia Rara elogiaram bastante a obra. Carlos Augusto Rezende, popularmente conhecido como Sombrinha, mestre de bateria da “Swing da Madá”, foi um deles: “O samba do Pérola é um dos melhores sambas da história da escola, sem exagero. É um sambaço, gostei demais. É muito representativo para o enredo e remete às obras da Jovelina. Na verdade, o samba é baseado inteiramente nisso. O samba faz a gente viajar, principalmente a gente que gosta de samba e de partido alto, que é a cara da Jovelina. É um baita samba do Pérola”, afirmou.

A dupla de intérpretes também foi só elogios à obra: “Foi impossível não ter gostado! Quando a gente estava fazendo o samba, eu sempre mandava umas coisas pra o Juan. Mesmo ele não ser o compositor, ele também é cantor. Tem que ficar de agrado dos dois, e eu tentei ir para o lado mais próximo da gente. Eu tenho certeza que esse samba vai ser um dos sambas do Carnaval”, comemorou Donato.

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Mais que concordar, Juan Briggs revelou um sentimento de gratidão em relação aos compositores: “Eu já agradeci muito à parceria, já agradeci muito o Lucas pelo samba. É bacana que os sambas do Pérola têm vindo numa crescente: ‘Exu Mulher’ é bom para caramba, com ‘Maria Bonita’ a gente volta para o Especial. E, agora, com a Jovelina Pérola Negra, é mais outro sambaço que eles conseguiram acertar na veia. Está muito bom o samba, está muito bacana. E vai ser muito funcional. Como o Lucas disse, vai ser um dos sambas do Carnaval de São Paulo nesse ano”, disse.

Reflexões do mestre

O ritmista-mor do Pérola elogiou a encomenda de sambas-enredo e a dinâmica da escola em relação à obra: “Prefiro que seja essa forma de apresentação, assim a gente consegue se preparar um pouco mais. A gente acaba ganhando um pouquinho mais de tempo, já tendo a definição do que a gente vai tocar, do que a gente vai apresentar de arranjo e de bossa. Para hoje, a bateria já preparou alguma coisa para mostrar junto com o samba do ano que vem. Isso ajuda muito no start do nosso trabalho”, comentou.

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A imaginação de Sombrinha já está a mil por hora: “Já temos arranjos para o samba do ano que vem. O Pérola não vai fugir muito do que deu certo nos últimos dois anos em relação a BPM e andamento: a gente costuma vir com andamento bem mais para trás, para exaltar bastante o samba, mesmo. Acho que o estilo da bateria do Pérola é esse, mas também tem relação com esse samba de 2027, que pede para que seja um samba mais para trás”, disse.
Ao falar para a expectativa em relação à escola em 2027, o mestre de bateria propôs uma reflexão: “Graças a Deus as expectativas são gigantes e enormes, sempre. A gente trabalha muito para isso. Na verdade, a gente não só não ilude a nossa expectativa: a gente trabalha o máximo para que a gente consiga tornar ela real. Vamos seguir, na luta, com muita humildade, pé no chão e trabalhar bastante”, prometeu.

Samba que facilita a dança

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Pérola Negra foi enfático ao falar da obra: “A gente já tinha ouvido o samba antes. Teve uma reunião e chamaram todos os setores e apresentaram ele para a gente. E, de início, logo de cara, a gente já gostou muito. Nos identificamos muito porque a gente já estava trabalhando na coreografia sobre o enredo. É um samba muito bom e forte. A minha expectativa é muito grande em cima dele. Eu tenho certeza de que vai ser um lindo desfile”, destacou Kawê Lacorte.

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Já Nathalia Bete mostrou conhecer a discografia da homenageada: “É um samba muito emocionante, do começo ao fim. Ele nos emociona porque conta a história da Jovelina e, conforme a gente vai ouvindo a história, a gente vai se sentindo parte dela, porque todas as grandes músicas vêm embutidas nesse samba. Partes da nossa vida vão sendo revividas na nossa memória, porque trazem momentos marcantes para nós também. A nossa expectativa é que seja algo maravilhoso, porque o samba está muito lindo. Esse é um samba muito bom, que vai agradar a todo mundo, também”, refletiu.

Alê Batista, coreógrafo da comissão de frente do Pérola Negra, confessou-se exigente, mas destacou a força da obra: “O samba-enredo é maravilhoso, e olha que tenho muita dificuldade de gostar logo de cara. Mesmo os sambas que mais gosto eu demorei um pouco para gostar. Esse não: ele já veio, já bateu e ficou. Vejo muitas oportunidades e, ao mesmo tempo, é um desafio, porque é um samba alegre, é um samba para cima, e estou pensando que a velocidade da nossa comissão vai ter que ser um pouquinho mais acelerada”, adiantou.

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Planejamento em dia

A dupla responsável por conduzir o pavilhão principal da escola já destacou que a apresentação para o desfile já está sendo treinada: “A nossa cabeça está cheia de ideias, mas, com a nossa preparadora Ana Reis, a gente vai ensaiar, montar e elaborar essa coreografia para, na próxima vez que a gente for dançar, já ter essa coreografia montada. Hoje, a gente vai só no balanço, mesmo: para sentir mais a comunidade, a energia que eles vão passar para a gente. Aqui, tudo é uma união”, comentou Kawê.

Novamente mostrando empolgação com o enredo, Nathalia comentou o quanto faixas da cantora irão se mostrar presentes na dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira: “Para o próximo desfile, a gente separou algumas músicas que ouvimos, gostamos, os identificamos e trabalhamos em cima delas. Dentro da nossa coreografia, já na pista, a gente colocou algumas coisas que remetem a isso. E, mais uma vez, se for uma coisa simples, não é a nossa cara. A gente vai inovar!”, prometeu.

Evento especial

A Feijoada de Aniversário do Pérola Negra teve diversas atrações. Para celebrar os 53 anos da agremiação, o evento começou com o prato típico de celebrações de sambistas ao som de Pê Santana e Fabiano Sorriso em apresentação especial; logo depois, foi a vez do grupo Segunda Sem Lei.

O show da agremiação começou com o esquenta da Swing da Madá e com a apresentação de nomes importantes para o próximo ciclo. Joyce Rocha e Tácia Gonçalves seguem como Rainha de Bateria e Musa da Ala Musical, e elas terão a companhia de Raíla Aguiar como Musa da Bateria, Ana Pentz como Madrinha da Bateria e Milene Gonzalez como Rainha da Escola. Destaques de Chão também foram apresentados, e os segmentos da agremiação (Velha Guarda, Baianas, Comissão de Frente e Passistas) também se fizeram presentes. Após a despedida de “Valei-me cangaceira arretada, Maria que abala é gira valente e Bonita que vence demanda” e da troca do pavilhão de enredo, a escola apresentou os protótipos para o desfile de 2027.