
Oitava escola a desfilar no Grupo de Acesso I em 2027, fechando a noite citada, a Independente Tricolor revelou o vencedor da eliminatória de samba-enredo da agremiação em evento na quadra da agremiação, na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo. A obra escolhida para embalar o desfile de “Os Três Obás do Rei: Na Bahia da Poesia, dos Traços e das Canções”, assinado pelos carnavalescos Yuri Aguiar e Luiz Marques, era a de número seis no concurso, composto por Marcio André, Thiago Meiners, Myngauzinho, André Valencio, Rafael Aranha, Sergião da Vila, Daniel Rizzo, Fabricio SP, Nederson Iglas e Tubino. Sempre presente em eventos de grande importância para as escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO entrevistou figuras importantes da agremiação no evento.
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Parceria multifacetada
Para escrever o samba-enredo que aborda a religiosidade envolta em Dorival Caymmi, Carybé e Jorge Amado, três artistas bastante identificados com a Bahia, a parceria vencedora precisou encurtar caminhos por meio da internet: “Nossas reuniões foram somente via WhatsApp. Nossa parceria tem gente do Brasil inteiro e utilizamos todas as ferramentas que estão no nosso alcance para construir os nossos sambas. Nesse caso, eu, Marcio André e Myngauzinho do Rio de Janeiro, Rafael Tubino representando o Rio Grande do Sul, Nederson Iglas de Manaus, e o restante de São Paulo. Para juntar todo mundo, o processo foi somente on-line”, afirmou Thiago Meiners, em entrevista via WhatsApp com a reportagem.
A canção vencedora, de acordo com Meiners, é fruto de um texto bastante elucidativo produzido pelos carnavalescos da agremiação: “A sinopse da Independente é bem objetiva, você consegue entender de cara toda a proposta do enredo e do desfile. Foi um dos sambas mais rápidos que a gente fez no ano, foi algo bem intuitivo mesmo. Aliás, quero aproveitar e mandar meus parabéns ao Yuri, ao Luiz e toda a equipe da escola: sinopse e enredo estavam sensacionais”, elogiou.

O compositor também elencou qual trecho da canção composta por ele mesmo é o favorito: “Meu trecho favorito é o refrão principal. Acho que pega muito pela força da melodia e porque todo mundo gosta de uma macumba. Ele consegue aliar força melódica, facilidade de canto (apesar das palavras em iorubá) e energia”, comentou.
Vale destacar que o refrão citado canta duas vezes o mesmo verso: “Airá odô, oba ni sá, airá odô”, uma saudação a Xangô Airá, uma das qualificações do orixá ligado à Justiça, saudado no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, onde Dorival Caymmi, Carybé e Jorge Amado, homenageados no enredo, exerciam cargos religiosos.

Ousadia
Danilo Zamboni, presidente do Conselho Deliberativo da Independente Tricolor (que fiscaliza a agremiação como um todo), deu uma declaração forte sobre a canção escolhida pela escola: “Eu gostei e gostei muito do samba campeão! Para mim, um dos melhores sambas do Carnaval de 2025. Não só do Grupo de Acesso: para mim, até agora, é o melhor samba do Carnaval. Graças a Deus a gente acertou novamente. A gente tem trabalhado bastante e, com certeza, a gente vai apresentar um bom produto, que será um bom desfile; e, com certeza, retornar ao Grupo Especial”, vislumbrou.

Perguntado sobre as próximas datas que a comunidade da Independente Tricolor deve registrar no calendário, Zamboni destacou a labuta contínua da agremiação e o início dos trabalhos com a comunidade em geral: “A gente já está trabalhando desde depois da apuração, na verdade. A escola já está trabalhando a nível de diretoria e de todos os setores. A partir do final de agosto e começo de setembro, a gente começa as atividades na quadra. Mas a gente já vem fazendo esse trabalho com a contratação das equipes e de todo o pessoal que vai formar o Carnaval 2027. A esperança é a melhor e a ideia idem. Nós temos meta e objetivo, e elas estão sendo já cumpridas. Com certeza a Independente fará um grande desfile”, destacou.
Horário determinante
Intérprete da agremiação, Chitão Martins elogiou uma característica importante da canção escolhida pela escola: “A gente tinha três sambas que chegaram na final muito bons, cada um com melodias diferentes. A gente veio fazer uma audição interna aqui, com a comunidade, e o pessoal cantava o Samba 06 com uma força muito grande. Esse refrão é muito forte. A gente optou pelo samba que a comunidade abraçou e é um samba bom, como foi em 2026. A gente tem a responsabilidade de fechar o Carnaval, então é interessante ter um samba forte para poder segurar a galera (como a gente segurou esse ano) e fazer um trabalho que seja ainda melhor do que foi nesse ano”, antecipou.

Ritmo afro
Mestre Higor, comandante da “Ritmo Forte”, bateria da Independente Tricolor, já anteviu como a canção escolhida fluirá no Anhembi: “Gostei bastante da nossa escolha, é um samba muito bom. É um samba que vai nos dar muitas possibilidades para esse novo desfile. A gente acredita que é um samba que vai render bastante na avenida”, comentou.

O fato da Independente Tricolor já ter vindo de “Ngoma, A primeira Festa na Manhã do Mundo”, desfile também com temática africana, fez com que os trabalhos dos ritmistas já estejam adiantados: “Em 2026 nós já trabalhamos com um samba afro, e em 2027 vai ser um outro ano com outro tema afro. A gente já vem trabalhando algumas coisas. Nós já ensaiamos, inclusive, com o pessoal. Hoje mesmo, quem esteve aqui, já pôde presenciar algumas coisas que a gente já tem prontas”, informou.

Novos defensores do pavilhão principal
Allan Mattos e Kihara Costa, que formavam o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da Independente Tricolor em 2026, foram alçados ao posto de protetores do principal símbolo da agremiação em 2027 após a ida de Jeff Antony e Thaís Paraguassu para o Império de Casa Verde. Ambos comemoraram a eleição na escola: “Era o samba que eu já estava esperando! Desde quando soltaram os sambas concorrentes, eu já estava na torcida do Samba 6! É um samba muito bom, com versos bonitos, que conta muito bem a história dos três homenageados. É um samba muito bom mesmo”, contou Kihara.

Allan trouxe uma informação bastante relevante sobre a confiança que eles próprios depositavam na obra: “A gente, inclusive, já tinha a coreografia já para esse samba! Quando começaram a sair os sambas finalistas aqui no nosso quintal, a gente já tinha a coreografia para esse samba, já tinha montado algo porque a gente já sabia que, muito provavelmente, seria esse o samba escolhido pela escola. A comunidade, de verdade, abraçou a canção. A gente viu isso na apresentação no nosso quintal: a comunidade veio em peso, cantou, berrou, e não tinha como não ser esse”, pontuou.
A dança africana de 2026 também foi tema de palavras da dupla: “São, sim, enredos diferentes. Mas, como a gente já estava ensaiando e fazendo coreografias nessa pegada mais afro, indo numa espécie de ijexá, a gente já está mais acostumado nessa parte. É até mais fácil para a gente criar coreografias em cima do samba”, disse Kihara.
A preparadora do casal também foi tema de palavras de Allan: “Nós temos a nossa preparadora, que é a Ana Reis e que está fazendo um trabalho com a gente já. Ela policia muito a gente em relação a coreografias e etc: porque, se deixar, eu e a Kihara voamos e queremos dar piruetas. Ela nos policia e fala tudo que condiz com o que dá para ser feito, o que não dá para ser feito, o que às vezes fica dúbio na visão do jurado, o que às vezes ele pode interpretar de uma maneira ou de outra. Ela costuma dizer que a gente tem facilidade em fazer movimentos rápidos, mas dificuldade de fazer coreografias mais lentas. Está sendo muito proveitoso para a gente e a gente vai vir na mesma pegada de 2026, cumprindo os critérios do regulamento, é claro, mas na mesma pegada”, finalizou.
Casa cheia
O evento teve uma série de questões interessantes. Após integrantes da comunidade tocarem sambas de roda no meio da quadra, Zamboni recepcionou os presentes com um discurso no palco. A primeira grande atração emocionou muitos presentes: a cerimônia de posse de Allan e Kihara, projetos de longa data da agremiação que chegam para o primeiro ciclo enquanto primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola. Além da emoção natural de ambos, diversos harmonias e presentes debulharam lágrimas no momento.

Os demais casais também passaram por momentos especiais. Mariana Alves e César Augusto, segunda dupla na hierarquia de casais de mestre-sala e porta-bandeira da Independente Tricolor, receberam o pavilhão do enredo. Amanda Vasquez e Caíque Silva (terceiro casal) e Melissa Barazini e Lucas Nunes (quarto casal) também foram empossados.

Outro nome importante empossado para o desfile de 2027 da Independente Tricolor foi Ana Paula França, rainha da Ritmo Forte. Letícia Carolino, segunda princesa da Corte do Carnaval de São Paulo 2026, foi apresentada como nova musa da agremiação, juntando-se a Nathalia Souza e Francielle Salvador.

Após a despedida do samba de 2026, a Independente apresentou o samba campeão à comunidade. Nos últimos anos, a agremiação não realiza shows de finalistas, apenas divulga quem venceu a eliminatória na quadra.









