
A Prefeitura do Rio de Janeiro promete resgatar e valorizar a região histórica da Praça Onze em moldes similares ao do Porto Maravilha. A empreitada tem foco na requalificação urbana, patrimonial e cultural dos moradores da região. Em evento realizado na Câmara Municipal, na última terça-feira, Gabriel David, presidente da Liesa, participou de um painel com lideranças municipais para discutir as demandas do carnaval no que concerne ao projeto, destacando as conquistas que a Marquês de Sapucaí terá com as obras.
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Vindo de um carnaval de altos números, Gabriel destacou o impacto da folia que gerou “186 países com interessados nos desfiles, R$ 5,9 bilhões de reais em retorno para os cofres da cidade, 70 milhões de espectadores em TV aberta e Streaming, 7,9 bilhões em alcance de redes sociais”. O presidente atribui o sucesso as mudanças realizadas na Sapucaí, como o novo sistema de som e iluminação, fiscalizações mais rigorosas, novos serviços oferecidos e reforço do Rio Carnaval como marca.

Entretanto, as mudanças da região abrem novas demandas para o Sambódromo que Gabriel David tem como “urgentes e necessárias” pois “com toda reforma do entorno, não se pode o que esquecer do que está no meio da região”, como a reforma de banheiros ao longo da Marquês, e a construção de banheiros nos setores 12 e 13, mudanças já exigidas pelo público da Sapucaí. Também mencionou reformas que “melhorariam o espetáculo e a segurança das pessoas que vão trabalhar e assistir” como a aquisição de 700 grades, 40m de grades da pista, 10 portões de frisa e novos portões com trilho para o Setor 12.
Já para o entorno da Marquês, que será impactado com as obras da Praça Onze Maravilha, Gabriel David sugere a “Criação de passagens subterrâneas internas e externas para travessia entre os lados par e ímpar, que pouparia 1h de uma pessoa que não conseguisse se localizar e precisasse atravessar para outro lado; Ampliação dos espaços de concentração e dispersão, além de cobertura fixa do Rio da Av. Presidente Vargas”, disse.

Também aponta a “duplicação dos acessos internos às arquibancadas, garantindo fluxo diferenciado entre público e serviço; pois ali passa todo público que vai para os camarotes e arquibancadas, e também toda operação: gelo, lixo, alimentos e bebidas. Se olhar para grandes eventos do mundo, especialmente em questão de segurança, não se vê isso acontecendo. A gente vem discutindo a ideia que o corredor tenha dois andares, um para a circulação do público, e outro para a operação. São desafios que existem por conta do tombamento do Sambódromo”, afirmou.
Como uma demanda levantada por todos os vereadores que passaram pelo painel, Gabriel David também defendeu a instalação do Museu do Samba aberto à visitação na Apoteose e utilização do Terreirão como espaço de convivência e logística. O presidente da Liesa também destacou o uso do Sambódromo ao longo do ano, para além dos desfiles de escola de samba, como ocorreu com eventos relacionados ao Rio Fashion Week neste mês.
“É cartão postal da nossa cidade e do mundo, acho que o arco, obra de Niemeyer é algo emblemático e quanto mais a gente consegue utilizar esse arco, mais a gente mostrar o Rio de Janeiro para o mundo”, disse.

A Praça Onze Maravilha segue os moldes do projeto Porto Maravilha, que revitalizou a zona portuária com a derrubada do Viaduto da Perimetral e transformou a área “abandonada” da cidade em uma zona circulável, com lazer, cultura, empresas, que fomentou o potencial residencial da região. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, afirma que o projeto será feito com investimento privado, e assim como o Porto Maravilha, obtidos por meio dos Certificados de Potencial Adicional de Construção, os CEPACs.
“A gente tem um conjunto de terrenos importantes em toda aquela região, mas principalmente com a retirada do Elevado Trinta e Um de Março surge um conjunto importantíssimo de terrenos. O Elevado é sobre um conjunto de terra armada, são uns morros que ocupam toda aquela parte. Além dos terrenos que a gente já falou sobre hoje, a gente vem com o surgimento de um conjunto de terrenos a serem disponibilizados com a retirada do Elevado. Ali, o mecanismo é diferente. Você pode vender esses terrenos, para conseguir o primeiro recurso e começar a obra. E depois que a obra começar, a região vai valorizando e outros terrenos também vão valorizando e a prefeitura vai fazendo essa máquina girar. Seja vendendo terrenos, seja vendendo potencial construtivo desses terrenos. É um mecanismo que invés de pegar todo esse dinheiro na frente e fazer toda a obra, a gente vai fazendo isso ao longo do tempo. A gente vai fazendo isso ao primeiro esforço inicial, depois a gente segue fazendo essas captações à medida que a região vai melhorando”, explicou.
A vereadora Helena Vieira reforça a importância da fiscalização do uso dos investimentos, e medidas a fim de garantir a empregabilidade e fomentar a economia da região. “Tem que ter vida, tem que ter comércio, tem que ter saúde, tem que ter escola. Tudo referente ao Sambódromo e a Praça Onze, temos que valorizar, pois temos uma quantidade de moradores que vai se multiplicar. Temos que dar a qualidade de vida e a possibilidade de ‘se virar’ sem sair de casa, poder fazer a própria renda dele no local”, afirmou.
Para o vereador Átila Nunes a expectativa é que daqui a dez anos a Praça Onze Maravilha seja considerada um “case de sucesso e referência cultural no Brasil” e também considera importante ter o Porto Maravilha como referência pois “Quando a gente analisa, lá atrás, é importante perceber o que deu certo e o que não deu tão certo e um aspecto que Wellington Dias destacou, é a premissa que temos que partir que este é um projeto de estado e não de governo. É importantíssimo para o Rio de Janeiro”, declarou.










