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Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O Coletivo Babatunde, formado por quatro coreógrafos com raízes na dança afro, balé clássico e contemporâneo, chegou ao time da Imperatriz Leopoldinense para comandar a comissão de frente do próximo carnaval, reafirmando a pele camaleônica da agremiação. O anúncio oficial foi realizado no dia 28 de março, em um evento na quadra, com a presença da comunidade leopoldinense. A proposta veio do carnavalesco Leandro Vieira, com o objetivo de se reinventar no quesito e abrir mais espaço para artistas negros no maior espetáculo da Terra. Os coreógrafos (Ana Gregório, Fagner Santos, Márcio Dellawegah e Sabrina Sant’Ana) afirmaram que foram surpreendidos com o convite. Sabrina diz que, além de surpresa, se sentiu valorizada e reconhecida pela agremiação. Ana Gregório contou como recebeu o convite.

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“Eu cheguei para a reunião pensando que era alguma coisa relacionada a projeto social. Quando eu cheguei no dia e vi o Leandro sentado à mesa, eu falei: ‘Ih, a coisa é bem pior’ [risos]. Quando ele falou, eu não acreditei de primeira, fiquei uns cinco segundos parada, olhei para a Sabrina, olhei para o Márcio, olhei para o Wagner, e falei: ‘É isso mesmo, galera?’. Aí eles: ‘É!’. Aí eu: ‘Então tá!’. Foi muito assim, porque a ficha ainda está caindo”.

O Coletivo Babatunde é marcado pela pluralidade daqueles que o compõem. Cada artista tem sua área de domínio e o que seria um desafio se torna o trunfo.

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“O maior desafio talvez seja exatamente a maior facilidade, que vai ser exatamente esses pensamentos que nós quatro temos, por sermos de áreas distintas, confluírem no resultado da comissão de frente. Talvez seja exatamente o grande trunfo: as experiências que já temos no quesito comissão de frente, tornar isso palpável e concreto na produção da próxima comissão”, disse o coreógrafo Fagner Santos.

As referências se formam por meio do respeito que cada coreógrafo tem pelos artistas que vieram antes deles e abriram as portas pelas quais, hoje, eles estão entrando.

“Nossas referências, profissionalmente e tecnicamente falando, vêm da dança afro, vêm do balé clássico, vêm do contemporâneo, vêm dos nossos mestres que estão também no carnaval. As nossas referências são pessoas que, antes de nós, vieram e teceram esse chão, fizeram com que ficasse mais fácil para nós pisarmos e, através desse trabalho, a gente quer também referenciar e reverenciar as nossas referências”, contou Sabrina Sant’Ana.

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Os coreógrafos não deixaram de elogiar o trabalho e a parceria do carnavalesco Leandro Vieira. Para Ana, o trabalho deles será marcado por um respeito mútuo, em que as ideias serão alinhadas para que eles cheguem a um denominador comum. Já Márcio Dellawegah afirmou que Leandro é um artista completo e que garantiu participar e dar apoio ao quarteto.

“Ele é o próprio enredista, cria os próprios enredos e, inclusive, é muito participativo também nos segmentos. E uma coisa que ele deixou bem clara para o coletivo é que vai estar acompanhando esse processo de criação de figurino e de alegoria. A gente está muito feliz por essa parceria. Não é a comissão de frente da Imperatriz, é a comissão de frente do coletivo, no qual o Leandro está inserido, porque essa ideia é dele. Esse sucesso que virá, se o Orixá quiser, e já quer, vai ser também com o nome do Leandro”, contou Márcio.