Com pouca gente, a quadra da Grande Rio foi tomada por tristeza e indignação após a apuração da Quarta-Feira de Cinzas, quando a escola ficou em oitavo lugar, não retornando para desfilar entre as campeãs depois de muitos anos sem que isso acontecesse. Para torcedores e componentes, o resultado foi difícil de aceitar, principalmente as notas da bateria e da harmonia.

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Fotos: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A babá Rosilene Cristina, de 40 anos, não escondeu a revolta ao comentar a perda de três décimos da bateria e se solidarizou novamente com o Mestre Fafá, que foi visto como injustiçado ao ter seu quesito apontado como o motivo do vice-campeonato da Vermelha e Verde no ano passado.

“Eu fiquei muito chateada. Perder três décimos na bateria? Estávamos muito bem ensaiados. O mestre Fafá não merecia isso de novo. Ele deu o sangue dele. E o enredo, que fala de educação, de manifesto social? Eu, que levanto cedo para trabalhar todos os dias, me senti representada. A gente podia até não ganhar, mas ficar em sétimo, sexto… Oitavo não aceitamos. Perdemos com honra, mas fomos roubados nos quesitos fantasia, harmonia e evolução”.

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Rosilene Cristina, de 40 anos, não escondeu a revolta

Durante toda a apuração, a cada nota baixa anunciada, ouviam-se gritos com xingamentos à influenciadora, a rainha de bateria Virgínia Fonseca, mesclados com “Volta, Paola!”. Apesar da onda de ódio, Rosilene saiu em defesa dela.

“Ela é nova, está começando, como todas as outras começaram. Ninguém nasce sabendo. A gente vai evoluindo. Não é culpa dela”.

Representando a bateria, o ritmista Anderson Reis, de 46 anos, que toca surdo de marcação, ficou inconformado com o resultado do seu quesito, que neste ano foi ainda pior que no anterior. Para ele, a bateria cumpriu seu papel, e a perda de pontos foi um golpe duro.

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Ritmista Anderson Reis, de 46 anos, que toca surdo de marcação

“Nosso sentimento é de tristeza. A gente fez o melhor, tanto a bateria quanto a escola toda. Não tem mais o que falar, não. Cabeça de jurado é diferente. Todo ano é a mesma coisa. Alguns têm que sorrir e outros têm que chorar”, lamentou ele, revoltado.

Questionado se havia algo que a escola deveria melhorar para o próximo ano, ele polemizou: “Se fizer samba de macumba, ganha de novo. É o que o povo gosta. Tentamos trazer outros aspectos da cultura este ano, mas ninguém liga para isso”.

A professora Sabrina Costa, de 36 anos, que desfilou na ala 16, também questionou as notas, especialmente a da harmonia.

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Professora Sabrina Costa, de 36 anos, e a amiga a técnica de enfermagem Amanda Moreira

“Acho que não foi justa a nota da bateria e também não concordo com o 9,6 da harmonia. Já tínhamos entendido que poderíamos não ser campeões, mas não concordamos em ficar fora das seis finalistas”, disse, confirmando o sentimento coletivo da quadra, que estava conformada de que a escola poderia até não conquistar o título, mas merecia ficar em uma posição melhor.

Segundo sua amiga, a técnica de enfermagem Amanda Moreira, de 38 anos, alguns componentes desistiram de entrar na avenida porque não suportaram o calor e o peso das roupas, o que desfalcou as alas.

“Esteticamente estavam lindas, mas muito grandes e quentes. Eu mesma passei mal no fim do desfile. Tinha espuma dentro da fantasia, não havia necessidade disso. Ficou muito difícil evoluir assim”, relatou.

Fabíola Moreira, de 44 anos, da ala das baianas, concordou quanto à praticidade das fantasias como fator que atrapalhou a evolução.

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Fabíola Moreira, de 44 anos, da ala das baianas

“As fantasias são muito bonitas, as alegorias também. Mas tem que ter praticidade. O povo canta, evolui, mas, com fantasias gigantescas, fica difícil”.

Apesar de tudo, o amor incondicional dos tricolores pela Grande Rio permaneceu intacto e, se bobear, ainda mais intenso.

“Estou chateada e triste, mas continuo sendo minha Grande Rio”, declarou Rosilene, em lágrimas.

“Daqui a pouco começa tudo de novo. Voltaremos com outro enredo e novos ajustes para o próximo carnaval. A gente é Grande Rio de qualquer jeito”, afirmou Fabíola, com firmeza.