A apuração do carnaval carioca definiu o 6º lugar da Estação Primeira de Mangueira após o desfile apresentado no último domingo. Quarta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí na noite, a Verde e Rosa levou para a avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidney França. O resultado manteve a escola no Desfile das Campeãs, mas deixou um gosto agridoce entre os torcedores que acompanharam a leitura das notas na quadra.

Nos quesitos, a Mangueira perdeu 0,2 em Comissão de Frente, assinada pelos coreógrafos Karina Dias e Lucas Maciel; 0,2 com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Cyntia Santos; 0,2 em Enredo; e 0,2 em Samba-enredo. A soma desses décimos afastou a escola das primeiras posições, mesmo com um desfile visualmente elogiado e uma comunidade que cantou forte ao longo da apresentação.
Dentro da quadra, o CARNAVALESCO ouviu depoimentos que revelaram sentimentos distintos.
Brener de Freitas, estudante de 25 anos, avaliou parte das notas como justas, mas contestou outras perdas: “Acho as notas relacionadas ao Samba-Enredo justas. Na minha opinião, pelo menos, não foi o melhor samba da temporada. Mas o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira perder pontos é um absurdo. Acho que não merecia, principalmente sendo que a Cyntia foi premiada neste carnaval como melhor porta-bandeira. Eu acho que as alegorias do Sidney mereciam a pontuação máxima. Eu não acho que merecia essa perda de décimos também, não. Em suma, eu acho que a Mangueira estava bem demais. Na minha visão, pelo menos, ela estava competindo pelo 3º lugar”, disse Brener.

Outro torcedor pontuou discordâncias, mas reconheceu fragilidades: “Eu achei algumas notas injustas, como a de casal de mestre-sala e porta-bandeira. Temos um casal competentíssimo. Não ser 40 pontos, não concordo. Comissão de Frente, infelizmente, não foi um ótimo trabalho, eu entendo as notas. Não concordo com as notas de enredo. Então, acho que a Mangueira, no geral, foi garfada em alguns quesitos. Mas, pelo menos, voltamos às campeãs. Eu acho que a Mangueira agora precisa escolher um samba pesado, pancada. Um samba muito forte, para a gente conseguir disputar títulos, conseguir entrar na avenida com uma força que é necessária”, pontuou João Henrique, 20 anos, estudante.

Já a torcedora Vania Akiani, de 24 anos, estudante, adotou um tom mais ponderado diante do resultado: “Eu estava muito ansiosa por ser muito mangueirense, mas eu achei coerente com o que a gente apresentou. Óbvio que eu tinha esperança de que a gente tivesse uma melhor colocação, mas eu achei coerente, sim. Eu acho que precisa melhorar. A gente tem chão, agora está tendo o dinheiro necessário, mas eu acho que falta um samba-enredo que cative mais a nossa comunidade para realmente puxar na hora de cantar e desfilar. Mas eu achei o acabamento dos carros bom, eu achei que a harmonia foi a melhor em muito tempo da Mangueira e eu achei que a gente fez um bom desfile no geral. Queria que a gente estivesse em um melhor lugar na tabela”, disse Vania.

Sem muita cerimônia, Flávia Cunha, de 29 anos, foi direto ao ponto: “Eu achei que poderiam ser melhores algumas notas. Algumas eu já esperava, como a da Comissão, porque realmente a gente ficou na expectativa de mais alguma coisa, mas não esperava que fosse tão descontado. Casal de mestre-sala e porta-bandeira também foi uma surpresa para mim, porque eu estava no setor 6 e senti tudo normal, não vi nenhum problema de bandeira nem de figurino. O Samba-Enredo eu já esperava. A gente tinha esperança de que poderiam ter notas melhores, mas, ao mesmo tempo, sabia que poderia ter alguns descontos. A gente vai precisar melhorar. A gente é muito emocionada em alguns momentos, e eu entendo, porque, como torcedor, a gente cai logo na jugular das pessoas, quer logo derrubar aquela pessoa, mas eu acho que a gente precisa ser muito fria e calculista nesse momento, até porque a gente está muito perto do centenário. Então, fazer grandes mudanças para o próximo carnaval pode ser arriscado”, finalizou Flávia.











