A nostalgia tomou conta da Sapucaí com o desfile do Salgueiro. Dentre as muitas referências nostálgicas que rechearam a homenagem à trajetória de Rosa Magalhães, a que provavelmente aqueceu o coração da plateia de todas as idades foi a feita pela ala “A Turma do Sítio apronta”, que trouxe jovens fantasiados de Emília e Visconde de Sabugosa, do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

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Jessica Bonfim com as criancas
Jessica Bonfim com as crianças da ala. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A ala se inspirou no jeito encantado de criar de Rosa, que já misturou o Sítio com os contos de Hans Christian Andersen, para convidar o público lembrar da própria infância, ou, para os pequenos, se identificarem com os personagens queridos, como se estivessem abrindo um livro de história pela vez.

Mesmo tendo deixado a infância há pouco tempo, a componente Aisha Foz, de 15 anos, já lembra dessa fase com saudosismo. Empolgada, ela falou sobre a alegria de vir representando o tema.

“Eu desfilo no Aprendizes do Salgueiro desde os meus dois anos e meio de idade, e quando abriu a ala jovem com essa temática, eu fiquei muito feliz, porque fez parte da infância de muitas crianças, inclusive a minha, que cheguei a ver o Sítio do Picapau Amarelo”.

Eduarda Marrie e Aisha
Eduarda, Marrie e Aisha. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já a amiga de ala Marrie Vitória, de 11 anos, contou que a emoção veio já nos ensaio, por um motivo muito especial.

“Eu assisto Sítio até hoje. Quando eu vi essa roupa, pensei ‘gente, eu estou me lembrando de quando desfilei em 2015, com uma fantasia de Emília também. Eu cheguei a chorar muito, porque remete à nossa infância e a dos nossos familiares que já desfilaram”.

A “Emília” Eduarda Ibrahim, de 11 anos, percebeu a reação do público ao reconhecer os personagens tão marcantes.

“Os mais velhos e as crianças se identificam muito com essa nostalgia. O Salgueiro é uma escola muito grande, de honra, que traz muitas histórias e tradições. Eu estou muito feliz de estar aqui. É uma emoção muito grande. A gente consegue lembrar que está brincando, representando a Emília, que é personagem da infância não só das crianças, mas também de pessoas muito mais velhas”.

Tarso Teles
Tarso Teles. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A identificação geracional também foi citada pelo jovem Tarso Teles, que acha que vai ser o principal motivo de emoção para os mais velhos que assistirem a apresentação.

“Acho que os mais velhos ficarão orgulhosos pela informação, a educação e os bons livros estarem sendo passados de geração em geração”.

Segundo Tarso, a história chega nas pessoas até hoje de de diversas formas, afinal, ele nunca assistiu a um desenho animado ou seriado do Sítio, e sim, conheceu os personagens pelo livro, quando leu pela primeira vez aos seis anos de idade.

Diretora de ala Jessica Bonfim
Jessica BoNfim, diretora da ala das crianças. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A diretora da ala, Jéssica Bonfim, de 40 anos, explicou a proposta e a mensagem principal que ela quer passar com toda a nostaLgia.

“É uma ala que traz muita emoção, porque todo mundo faz uma viagem na própria infância. Os personagens são muito queridos por todos nós. Minha filha tem 7 anos e estuda sobre eles na escola, e assim a gente conseguiu conectar uma infância distante com a da atualidade. Hoje existe uma dificuldade de preservar essa fase da vida como algo puro, e a Emília e o Visconde trazem essa coisa bem genuína. Quando estamos aqui com eles, voltamos a ser crianças também. Pulamos, cantamos, gritamos, choramos e sorrimos. E essa mistura de contos europeus com o que a gente tem no Brasil mostra como o carnaval é para todos. Um evento que une povos e culturas de uma forma muito bonita”.

Uma grande preocupação que se tem ao trabalhar com crianças e adolescentes é o bem-estar deles. Para isso, as fantasias foram confeccionadas de modo que os trouxesse conforto, e eles mesmo confirmaram isso.

“A fantasia não pesa, é como se você estivesse brincando normal, nem sente o corpo pesado. Quando nós entramos na avenida vestindo ela, nos distraímos, brincamos, nos divertimos e entramos totalmente na história”, afirmou Aisha.

“A fantasia acaba virando uma roupa normal. Estou andando com ela e nem sinto nada, só um pouco de calor por causa do calor do Rio de Janeiro mesmo”, pontuou Marrie.