A Velha Guarda “Raízes de Caxias”, da Acadêmicos do Grande Rio, trouxe a reflexão sobre o amanhã no desfile da madrugada desta quarta-feira (18), na Marquês de Sapucaí. Com o enredo “A Nação do Mangue”, a terceira escola a cruzar a Avenida apresentou uma fantasia com o tema: “Quando você não ouve seus passos, você perde o chão”, conectando passado e futuro como partes de uma mesma travessia. Ao CARNAVALESCO, componentes da ala falaram sobre ancestralidade, educação e resistência como pilares para construir novos caminhos.

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A ideia de Antônio Gonzaga, carnavalesco da escola, era de inserir a Velha Guarda na construção da projeção do futuro a partir das bases que sustentam a história da agremiação. A base se inicia na compreensão de que o amanhã não se constrói sem memória, e que as raízes de Duque de Caxias são o solo firme sobre o qual a escola ergue suas narrativas.
Para Pedrinho Naval, 72 anos, aposentado e diretor da ala, ouvir os mais velhos é um gesto de sobrevivência cultural.

“A gente pensa no amanhã, porque o mundo está se acabando em violência, mas a Velha Guarda é resistência. E a gente busca passar isso para os mais novos, a educação é a chave. A ancestralidade é tudo e ela que guiava a educação dentro da minha casa, o costume de pedir a benção”, afirmou.
Ele reforçou o papel ativo dos veteranos dentro da escola: “Eu falo sempre para a minha Velha Guarda; ‘Nós somos jovens que deram certo, nós não somos velhos’. A Grande Rio cultiva muito o amor ao samba nos mais novos, um exemplo é a Pimpolhos da Grande Rio”.
Rosângela Cardoso, 65, enfermeira aposentada, também destacou a importância de manter vivos os ensinamentos recebidos na infância.

“Eu sempre ouvi os mais velhos, fomos educados pedindo bença, dizendo onde íamos, perguntávamos que horas podíamos voltar, hoje não existe mais isso”, avaliou.
Para ela, cultivar o amor pelo samba desde cedo é parte desse processo formativo.
“O amor pelo samba no meu caso começou aos 8 anos no Império Serrano, na Grande Rio, temos a Pimpolhos, onde incentivamos esse amor, eles aprendem também, tem aula de tudo, de inglês e até ballet”.
Maria das Graças, 73, aposentada, emocionou-se ao lembrar da própria trajetória no samba.

“Na minha criação eu ouvia muito os mais velhos, a ancestralidade e acho isso fundamental, assim como cultivar o amor ao samba desde pequeno. Se eu pudesse seria até professora para ensinar e fazer com que mais jovens gostassem”, disse.
Ela relembrou o início aos 15 anos na Portela e celebrou duas décadas na escola de Caxias.
“Vim passando mal, mas não quero nem saber, eu quero é estar na Avenida com a minha escola. É muita emoção, não tem como não estar aqui. O carnaval para mim é amor”.









