A Acadêmicos do Grande Rio foi a segunda escola a desfilar nesta terça-feira e levou para a avenida o enredo “A Nação do Mangue”, celebrando a resistência cultural, a ecologia e o Manguebeat. Desenvolvido pelo carnavalesco Antonio Gonzaga, o tema destacou a força das comunidades periféricas, evocando a figura de Zumbi, a potência criativa de Chico Science e a síntese musical da Nação Zumbi, principal expoente do movimento que uniu guitarras e tambores ancestrais para reinventar a cena cultural brasileira. Na ala 17, dedicada à Nação Zumbi, componentes ressaltaram o valor de o samba dialogar com outros gêneros musicais.
Para saber mais sobre isso, o CARNAVALESCO conversou com integrantes da ala: Ana Claudia Imelk, 45 anos, gerente de dados e analytics, estreante na escola; Luiz Leone, 61 anos, supervisor de vendas, desfilando há cinco anos, mas ligado à agremiação desde 1989; e Amanda Cortez, 31 anos, gerente de projetos, também estreante na Grande Rio.
Qual a importância de o samba reverenciar outros ritmos e contar a história deles?

“Eu acho super importante para poder expandir e trazer esse conhecimento para outros povos que curtem outros ritmos, conhecer também outras culturas, outros gostos e expandir isso culturalmente dentro do Brasil”, afirmou Ana Claudia.
Luiz Leone destacou o caráter agregador da festa. “Eu acredito que todo ritmo de músicas, todo ritmo que venha trazer para nós do Carnaval, é válido, porque são vários gêneros que nós temos. O Carnaval é isso: é uma mistura de gêneros, de músicas, de pessoas, de raça, de todo tipo. Então isso é que é o bom do Carnaval”, disse.
Para Amanda, a valorização é essencial. “Muita importância, porque é uma questão cultural. Eu acho que referenciar toda a cultura que a gente tem no Brasil de um modo geral sempre é importante. O Carnaval está aí para isso”, afirmou.
Você gostaria que essa via fosse de mão dupla, que o samba também fosse representado por outros gêneros?
“Com certeza, eu acho que é uma via de mão dupla, acho super importante essa troca e para a gente de fato expandir a cultura do Brasil, que o samba está presente desde sempre. Faz parte da nossa raiz”, afirmou Ana Claudia.
Luiz também defendeu essa reciprocidade. “Seria muito bom. Claro. Porque o samba, o Carnaval, o samba é o Brasil. Hoje em dia a gente leva o samba para o mundo. Então é necessário que os outros ritmos também possam levar o nosso samba para os outros ritmos. Eu vejo muito grupo de pagode cantando ritmos de rock, diversas diversidades de ritmos. Então eu acho necessário”, disse.

Amanda concordou com a proposta de intercâmbio cultural. “Com certeza. Essa mistura é sempre muito agregadora. Todo mundo ganha”, afirmou.
Qual a importância de o Carnaval trazer nomes como Nação Zumbi, Rita Lee e Ney Matogrosso para a avenida?
“São pessoas ícones da nossa cultura, da cultura brasileira, e acho que vale trazer isso como representatividade, expandir o conhecimento para um povo mais novo que não conhece essas pessoas que fizeram história no nosso país e na nossa cultura. Acho super importante expandir isso, trazer isso para a atualidade”, afirmou Ana Claudia.
Luiz relembrou memórias afetivas ao falar dos homenageados. “Eu acho muito importante porque são pessoas históricas, pessoas que fizeram o nome delas na música popular e em outras diversidades de projetos que eles vinham ter. Então eu acho que foi necessário isso, e o Carnaval é isso, ele é agregador, agrega essas pessoas, vem trazer Ney Matogrosso. Quem não se lembra de Ney Matogrosso no Secos e Molhados? Na minha época dancei muito Secos e Molhados, década de 70. Rita Lee, na época de Rita Lee, o conjunto Tutti Frutti. Então são pessoas que escreveram o nome na história da música. Então é necessário que venham e que venham outros ritmos também e outros homenageados. Seria muito bom”, concluiu.

Amanda reforçou o caráter plural da escolha. “Faz parte da nossa cultura. Tem toda a história da escola e do enredo desse ano. Então acho que agrega muito e, para mim, é tudo uma questão cultural que faz todo sentido trazer a multiculturalidade. A pluralidade é sempre bem-vinda”, concluiu.









