A Acadêmicos do Grande Rio encerrou seu desfile com a imagem de uma nova civilização em construção. No último carro, a escola apresentou a “Nação do Mangue” como um ideal de sociedade pautada pela igualdade, pela comunhão e pela superação da pobreza e do sofrimento. Com a “cobre cor da lama” como signo, a alegoria final conectou as periferias de Duque de Caxias e Recife, territórios que inspiram o enredo, para afirmar um novo mundo possível, erguido com as faces, os sonhos e os sons do povo.

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Desenvolvido pelo carnavalesco Antonio Gonzaga, o enredo celebrou a resistência cultural, a ecologia e o Manguebeat, exaltando figuras como Zumbi e Chico Science. No desfecho, a escola transformou a lama do mangue em símbolo de fertilidade social e política: dali nasce uma nação onde todos vivem em igualdade. Para entender como esse ideal ecoa entre os componentes, componentes da escola refletiram sobre o tema.

Participaram da conversa Fernanda Medeiros, advogada de formação que atua com tecnologia e inovação e estreou neste ano na escola; Carolina Isse, 32 anos, nutricionista, também em seu primeiro desfile pela Grande Rio; e Sandra Rocha, 51 anos, previdenciária, que desfila na escola há quatro anos.

Como você projeta um mundo mais igualitário como propõe a Nação do Mangue?

“A Nação do Mangue fala sobre educação e consciência social. Eu acho que a consciência e a busca através da mudança da educação são boas diretrizes que a própria escola já está falando esse ano”, afirmou Fernanda.

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Carolina também destacou a base educacional como pilar central: “O primeiro ponto para a gente ter um mundo mais igualitário é a educação, desde a base, o enredo fala sobre isso, sobre as crianças, então eu acho que o principal para um mundo mais igualitário é a educação para todas as crianças”, disse.

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Sandra ampliou a reflexão para o campo da inclusão e do conhecimento: “Um mundo com menos desigualdade, mais inclusão e mais conhecimento, as pessoas estão precisando de mais conhecimento, porque a gente com conhecimento, a gente consegue entender melhor e projetar esse mundo de desigualdade”, afirmou.

Estamos no caminho certo para alcançar esse mundo ideal?

Para Fernanda, ainda há distância entre o presente e o ideal proposto no último carro: “Acho que a gente está distante, mas acho que as mudanças vão vir e vão ser mais drásticas, até pela velocidade da tecnologia, mas as pessoas, acredito que as mudanças são mais externas e elas têm que acontecer de forma mais interna do que externa”, disse.

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Carolina também avalia que o país ainda está longe de uma igualdade educacional plena: “Acho que a gente está bastante distante de ter uma educação igualitária para todas as crianças no Brasil, mas a gente entende hoje que talvez seja um interesse do governo atual, então eu acho que a gente está caminhando para isso, mas a gente ainda está muito distante”, afirmou.

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Sandra atribuiu parte desse distanciamento às tensões políticas e à falta de consciência coletiva: “Eu acho que ainda está um pouco distante, por conta das guerras, guerras entre aspas políticas, por exemplo, e faltando um pouco mais de consciência mesmo do povo em geral”, disse.

O que cada cidadão pode fazer para tornar esse ideal mais próximo?

Retomando a importância da transformação individual, Fernanda defendeu uma mudança de postura interna: “É se abrir para essas transformações que acontecem através de uma consciência social melhor e sua identificação entre o que você é realmente e aquilo que a sociedade lhe impõe. Então a busca do seu ideal tem a ver com a sua identificação através de uma coletividade e uma consciência social”, concluiu.

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Carolina apontou para a responsabilidade nas escolhas políticas: “Eu acho que individualmente, pensando numa coisa mais eficaz, é a gente escolher governos que tenham como política pública a educação, enfim, acho que é a forma mais eficaz da gente fazer esse papel”, afirmou.

Sandra voltou a enfatizar o conhecimento como ferramenta de mudança: “Conhecimento é tudo. A pessoa entender o que está acontecendo, como as mudanças do mundo em geral. Eu acho que a pessoa entendendo, conhecendo, a gente consegue chegar aí e projetar esse mundo de desigualdade”, concluiu.