O carnaval se faz de muitas culturas, e o Tuiuti vive as diferenças em plenitude neste ano. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, do carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola apresentou, na última noite de desfiles do Grupo Especial, a formação da religião afrocubana Ifá.
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Com cores e símbolos que evocam a estética afro, a ala celebrou o sincretismo religioso próprio das tradições nascidas da diáspora africana sob a experiência da colonização. Os componentes empunhavam machados de dupla lâmina, os oxês, insígnia de Xangô, orixá da justiça que, na Santeria e no Lukumi, é associado a Santa Bárbara, protetora católica contra as tempestades, representada por estandartes no centro da formação.
Herança da afrodiáspora, esses cruzamentos também ecoaram no Brasil, onde Iansã é celebrada em 4 de dezembro, mesma data dedicada à santa católica.

Em um contexto marcado pela intolerância religiosa, o enredo joga luz sobre uma religião de matriz africana ainda pouco conhecida, afirmando-se como instrumento de combate ao preconceito. O componente Moacir Estaric acredita que a força popular do samba pode impulsionar o conhecimento sobre a cultura afro-cubana.
“É um samba que está sendo muito elogiado. Acho que isso vai ajudar o brasileiro a entender um pouquinho e a se permitir, pelo menos, conhecer”, declarou.

Na ala, um paralelo revela uma diversidade que ultrapassa os limites do próprio enredo: há componentes vindos de várias partes do Brasil e do mundo, ressaltando a abertura do Paraíso do Tuiuti a novas culturas. A mistura de origens e a exaltação do sincretismo reforçam o carnaval como espaço de encontro entre diferenças. A italiana Cintia Ojeda destaca não apenas o Tuiuti, mas o Brasil, como território de acolhimento cultural.
“Aqui todo mundo pode desfilar, todo mundo pode estar junto. O lindo do Brasil é isso: você tem várias culturas, várias religiões, e todo mundo pode viver feliz e junto, sobretudo no carnaval”, afirmou.

Também italiano, Federico Bernardi ressalta a diversidade religiosa brasileira e reconhece a importância do enredo para ampliar o conhecimento sobre o Ifá.
“Quando chegamos ao Brasil, encontramos uma diversidade incrível em tudo, da religião à cultura. Gostamos dessa escola por essa razão: aprender e conhecer mais sobre essa religiosidade, não só africana, mas também cubana e brasileira”, finalizou.









