Um navio feito de livros, memórias e personagens conduziu a homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães e transformou o abre-alas em uma poesia à imaginação
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O Salgueiro iniciou seu desfile com impacto imediato. O abre-alas surgiu na Avenida como um grande navio-biblioteca, reunindo livros monumentais, esculturas exuberantes, personagens fantásticos e símbolos náuticos em uma composição que sintetizou o universo criativo de Rosa Magalhães. Antes mesmo de qualquer explicação, o carro já comunicava ao público que aquela viagem começava na leitura, na pesquisa e na imaginação, as marcas centrais da trajetória da carnavalesca homenageada.

A alegoria se impôs pela grandiosidade. No primeiro chassi, estantes e volumes gigantes dividiam espaço com bússolas, âncoras, esferas e criaturas marinhas. A imagem da embarcação construída a partir de livros traduziu a ideia de que cada enredo criado por Rosa partia de mergulhos profundos em referências históricas, literárias e culturais. O segundo chassi ampliou essa narrativa ao fazer personagens “saltarem” das páginas: figuras híbridas, seres fantásticos, elementos barrocos e ícones populares surgiram como se ganhassem vida diante do público.

O excesso era proposital. Candelabros, douramentos, texturas e sobreposições criaram um labirinto visual que remetia ao estilo marcante da artista. Nada parecia aleatório. Cada detalhe dialogava com desfiles passados, com imagens que marcaram época e com o traço inconfundível da professora que transformou pesquisa em espetáculo. A ideia central estava clara: a biblioteca não era apenas cenário, mas o cérebro criativo que conduziu décadas de Carnaval.

Advogada de 27 anos e componente do Salgueiro há mais de uma década, Juliane Paes desfilou no abre-alas e se emocionou ao falar sobre a potência simbólica do carro. Para ela, o impacto não estava em um elemento isolado, mas na construção como um todo.
“Eu acho que é o conjunto que mais impressiona. A riqueza de detalhes da biblioteca, dos livros, do navio… tudo isso resume de forma muito bonita a história da Rosa Magalhães, que é a grande homenageada da escola. O Salgueiro mostrou que preza pela cultura, porque cada carro está muito rico, muito pensado. Você olha e percebe a mistura de referências, os elementos simbólicos, tudo dialogando. O carro fala por si. Antes mesmo de qualquer explicação, você entende que está ali o universo criativo dela. A imagem consegue contar essa história sozinha. É emocionante fazer parte disso”, contou a advogada enquanto se emocionava.

Quem também viveu uma noite especial foi o ator e diretor Gilberto Gawronski, que desfilou pela primeira vez na escola motivado pela homenagem à antiga professora e amiga. Integrando o abre-alas, ele destacou o peso afetivo daquele momento.
“Eu vim para o Salgueiro por causa dessa homenagem. A Rosa foi minha professora, foi minha colega de trabalho e se tornou uma grande amiga. Estar nesse cortejo é uma alegria imensa. É uma forma de agradecer tudo o que ela representou para tantos alunos.”
Ao representar simbolicamente o pensamento e a imaginação da carnavalesca na abertura do desfile, ele ampliou o significado da homenagem.
“Estar nesse carro é também celebrar o legado que ela deixou na formação de tantas pessoas. A Rosa foi uma grande mestre. A gente fala muito de Carnaval, mas fala também de educação, de generosidade, de partilha de conhecimento. Eu me sinto privilegiado por ter sido aluno dela e espero estar à altura dessa homenagem”, revelou o ator.

A criadora de conteúdo Manuela William, de 31 anos, estreou na escola a convite do Salgueiro e destacou a força visual da alegoria logo na concentração.
“Eu me senti muito honrada por começar minha trajetória aqui em uma escola desse tamanho, que me acolheu tão bem. E o abre-alas é impressionante. O que mais me marcou foi ver o livro se abrindo e os personagens surgindo dali: o navio, as sereias, os candelabros. É como se a gente estivesse vendo as ideias dela ganhando vida na nossa frente”, citou a convidada.

Ao transformar livros em embarcação e memória em espetáculo, o Salgueiro apresentou mais do que uma alegoria de abertura. Apresentou a origem de um método criativo que ajudou a moldar o Carnaval moderno. E fez isso da forma mais salgueirense possível: com grandiosidade, emoção e respeito à professora que ensinou que toda grande viagem começa na imaginação.









