O samba, em seus primeiros anos, enfrentou repressão do Estado e de uma sociedade marcada pelo preconceito. Em 2026, a Vila Isabel homenageia Heitor dos Prazeres, personagem central desse período de resistência até a organização e reconhecimento do samba como expressão cultural. O segundo tripé, “Quando o Samba fez Escola”, representou esse momento da vida de Heitor e da cultura brasileira, com as presenças dos eternos mestre-sala Manoel Dionísio e da porta-bandeira Vilma Nascimento.
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“Eu comecei cedo no samba e conheci certas pessoas famosas. Isso para mim hoje está sendo importante porque eu estou aqui representando a Portela. O convite do presidente do Vila junto com o presidente da Portela foi muito importante para mim e eu aceitei de cara”, disse Vilma.
“É muito satisfatório estar aqui hoje, até porque já estava fora do carnaval há algum tempo. Eu me desliguei um tanto quanto da Sapucaí, porque eu acho que a minha colaboração já foi dada. E apesar de saberem que eu sou salgueirense, a Vila me convidou para ser o Heitor dos Prazeres. Isso, para mim, é uma felicidade muito grande. Essa é a oportunidade para fazer uma despedida Vip”, declarou Mestre Dionísio.

Para Vilma, homenagear Heitor dos Prazeres é motivo de gratidão, por ele integrar as raízes do samba e permitir que esse legado chegue às novas gerações, sem que se perca o fundamento que sustenta o carnaval. A porta-bandeira também comentou as transformações recentes do quesito.
“Eu acho que tem que criar mesmo, senão fica uma coisa chata, sempre igual. Tem que criar, mas dentro das tradições. Só que está fugindo. Agora o casal tem que cantar; antigamente não cantava: era rindo, brincando com o público e inventando na avenida. Hoje tem que cantar para marcar os passos para os jurados. Às vezes o casal nem dança para o público, só para o jurado. E o público merece atenção”, disse.

Ainda sobre a responsabilidade de manter o legado de um quesito, o criador da primeira escola técnica para formar mestre-sala e porta-bandeira, Mestre Manoel Dionísio, afirmou que as mudanças sempre vão estar presentes.
“Eu vou sair para ficar olhando de fora a oportunidade que eu tive de em 1990 criar esse projeto, que deu certo porque eu fui perguntar a quem já estava antes de mim. Eu não fiz nada sozinho, porque uma andorinha só não faz verão. Onde quer que esteja o Mestre Delegado, o senhor Marcelino Bicho Novo do Estácio, Tidinha da Mangueira, Soninha da Mocidade… quer dizer, eu fui buscar os ancestrais que já estavam e que entendiam e que me disseram o que fazer. Eu fiz do jeito que eles fizeram graças a Deus deu tudo certo”, declarou Mestre Manoel Dionísio.
Nos estandartes que acompanham o tripé, dezenas de nomes de baluartes eternos das escolas de samba como Dona Regina, Cartola, Paulo da Portela, Ismael Silva, Hermínia Monteiro, David da SIlva, Tia Fé, Zé Espinguela, Carlos Cachaça e Tia Esther, além do próprio Heitor dos Prazeres.
Um tripé que carrega história, fundamento e legado. Vilma Nascimento e Manoel Dionísio materializam, em corpo e presença, a longevidade dessa tradição que segue reinventando o carnaval.










