A Vila Isabel começou o desfile olhando para trás para seguir em frente. O abre-alas levou a Sapucaí a uma versão imaginada da antiga Praça Onze, território onde Heitor dos Prazeres cresceu e descobriu a arte.

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Rodrigo da Costa Magalhães, de 36 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Antes de ganhar os nomes que marcaram a história, a região era chamada de “Pedaço Baiano”, espaço moldado por famílias que vieram da Bahia no pós-abolição e ajudaram a construir as bases do Carnaval carioca. Foi ali que ranchos ganharam forma, que festas populares se consolidaram e que um menino chamado Lino passou a transformar o cotidiano em expressão artística.

A alegoria não apresentou a praça de maneira literal. O que se viu foi uma releitura grandiosa, inspirada nas joias afro-brasileiras, nos balangandãs e na estética dos ranchos. Ouro e prata dominaram a cena. Animais simbólicos, coroas, espelhos, machados sagrados e referências às águas foram incorporados à estrutura.

Pássaros gigantes abriram asas como peças de joalheria, enquanto um coreto transformado em carruagem flutuou sobre a Avenida. Entre os chassis, um grupo teatralizado representou personagens que conviviam na Praça Onze: baianas, ciganos, judeus, muçulmanos, todos integrados à narrativa visual. A proposta foi apresentar o ambiente que formou Heitor e que ajudou a moldar a cultura popular do Rio.

Lucia
Lúcia Frigor, 65 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Lúcia Frigor, de 65 anos, professora e há mais de uma década desfilando na escola, o carro não apenas abriu o desfile, mas despertou a identificação.

“A fantasia estava linda. Com esse samba, eu me senti livre. Como mulher negra, falar de Heitor dos Prazeres me tocou muito. Eu me identifiquei com o enredo, o samba já emociona, então a abertura tinha que fazer o coração bater mais forte”, comentou a professora.

Leticia
Letícia Ferreira de Souza, de 30 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Estreando na Vila, a enfermeira Letícia Ferreira de Souza, de 30 anos, destacou o efeito visual da alegoria logo na entrada.

“Eu achei que causou surpresa. É uma fantasia muito elaborada, cheia de detalhes. As pessoas precisaram olhar com calma para entender tudo. Estava muito bonita. É um pouco pesada, mas a gente ensaiou muito. Quando entra na Avenida, a animação supera qualquer dificuldade”, afirmou.

Rodrigo
Rodrigo da Costa Magalhães, de 36 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Rodrigo da Costa Magalhães, de 36 anos, repositor de estoque e também estreante, viveu o momento com intensidade.

“É muita emoção. A gente ensaiou pensando em fazer o melhor. O desejo de ser campeão passa por essa abertura forte.” Para ele, o abre-alas recriou o nascimento artístico de um mestre. “A Vila trouxe uma história que muita gente não conhecia. Mostrou de onde veio esse homem e como tudo começou”, destacou emocionado.