Com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, a Mocidade abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial.

FOTO: Mariana Santos/CARNAVALESCO
Durante o pré-carnaval, a escola foi alvo de críticas e muitos a subestimaram, mas ao pisar na Sapucaí, a Mocidade mostrou toda sua grandeza e fez um desfile leve, descontraído e com um samba que estava na boca do povo.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre Dudu mandou um recado direto e reto para todos que criticaram a Mocidade antes mesmo da bola rolar.

“Foi para lavar a alma. A Mocidade precisava disso, uma escola gigante, muitas piadinhas, muitos comentários da escola, que isso, que aquilo, que vai descer. A Mocidade é gigante. Eu sabia que esse carnaval ia ser assim, a diretoria se reinventou dentro do carnaval. E quem come calado come sempre. A gente não precisa ficar divulgando nada, e tal, o trabalho está aí e foi bem feito. Espero que tenha sido um carnaval realmente entregue pra Rita, porque, de fato, foi um enredaço, me encontrei no samba, muitas nuances maneiras, bossas tudo em cima de melodia. E agora é aguardar a cabeça do jurado aí, então, para que tudo dê certo”, iniciou Dudu.

Questionado se havia sido um cala boca para os críticos, mestre Dudu concordou e foi além: “Ah, com certeza, mas a mansidade é muito grande, tem que aprender também a apanhar, né? É uma escola gigantesca, cara, não é escolinha. Então a gente tem que também aprender e ter sabedoria de responder as pessoas, passar por alguns momentos, mas o resultado tá aí”, desabafou.
Mais uma vez liderada por Marcelo Misailidis, a comissão apresentou Rita Lee como sinônimo de tudo aquilo que não tem limite no imaginário, do que representa uma mulher livre, independente e contestadora, alguém que se permitiu viver fora de padrões preestabelecidos, enfrentando a resistência e desafiando o sistema político e de comportamento.

“Essa apresentação foi muito divertida, muito solta, alegre, comunicativa. É uma comissão de frente que já foi pensada no sentido de tentar trazer a natureza da Rita Lee. E nesse sentido, a gente tentou ser muito fidedigno a características da vida pessoal dela, que foi esse momento quando ela surge, no momento hippie, depois o momento em que ela passa pelo processo da censura, e a Rita Lee se dividia em duas situações, em duas frases que ela definia como uma mulher, que dizia assim, existem duas formas de envelhecer, ou você vira a Dondoca ou você só vira a bruxa. Enquanto o tempo destrói a Dondoca, o tempo favorece a bruxa.
Então nós destacávamos essas bruxas que acompanharam a vida dela de uma certa forma. Ela era uma mulher bruxa. E por fim ela dizia que o grande sonho dela é sair dessa vida abduzida por um disco voador. Então a gente transmuta essa censura numa saída final dela em disco voador”, comentou.










