Em homenagem ao Bembé do Mercado, maior candomblé de rua do mundo, a Beija-Flor de Nilópolis apresentou a junção de duas culturas distintas, unidas por um mesmo elo: a ancestralidade negra. A ala 28, “Evoco a Baixada de Todos os Santos que pede e agradece”, desfilou em forma de oferenda, simbolizando gratidão e pedidos coletivos.

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Claudio Files
Cláudio Files, de 63 anos, professor de filosofia. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O professor de filosofia Cláudio Files, de 63 anos, desfila na agremiação há cerca de oito anos e destacou, entre os muitos sentidos do enredo, a ressignificação do 13 de maio, data da abolição da escravidão no Brasil, como o aspecto que mais lhe chamou atenção.

“Trazer Santo Amaro para o carnaval do Rio de Janeiro é a junção de duas forças estrondosas da nossa cultura. É a representação do carnaval como festa negra e da Bahia como potência da negritude. Também deixa claro que a abolição não nasceu da bondade de uma princesa europeia, mas foi fruto de luta, quilombos, morte e sofrimento”, declarou.

Juliana Ferreira
Juliana Ferreira, 36 anos, jornalista. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Juliana Ferreira, jornalista de 36 anos, desfila pela segunda vez na azul e branco da Baixada, embora torça pela escola desde a infância. Ela contou que já se programava para conhecer o Bembé do Mercado antes mesmo do anúncio do enredo e, por coincidência, esteve em Santo Amaro no mesmo período que a comitiva da agremiação. 

A experiência permitiu perceber de perto as conexões entre a Santo Amaro e Nilópolis, como a centralidade da avenida Mirandela para o encontro da comunidade.

“Tem a celebração do carnaval, mas também o agradecimento pela vida e pelos ancestrais que nos trouxeram até aqui. Essa travessia das águas não representa só a passagem pela Avenida, mas o presente, a gratidão e toda a construção da escola”, afirmou.

vitor sampaio
Vitor Sampaio, de 24 anos, dentista. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O dentista Vitor Sampaio, de 24 anos, está em seu segundo desfile pela agremiação. Após estudar o enredo, ele identificou paralelos entre o Bembé e o que define como o “quilombo de Nilópolis” representado pela Beija-Flor.

“O povo do Bembé representa muito o quilombo da Beija-Flor, do povo preto, do povo macumbeiro. A gente tem a mesma identidade cultural. Existe um encontro real com essa manifestação e com essa festa maravilhosa”, contou.

raisa schefer
Raísa Schefer, 32 anos, servidora pública. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Servidora pública de 32 anos, Raísa Schefer estreia na escola neste carnaval. Para ela, o desfile também carrega um sentido de agradecimento espiritual, tanto pelo título conquistado em 2025 quanto pela oportunidade de viver a experiência coletiva na avenida.

“Desfilar é a coroação de uma trajetória dentro da comunidade. A gente celebra essa vivência, estar com pessoas que ama e compartilhar esse momento na avenida”, disse.

Nilópolis e Santo Amaro se encontram na Sapucaí como territórios irmãos, que se abraçam para celebrar a liberdade.