Na madrugada do dia 15, a Mocidade Alegre cruzou a avenida com um desfile marcado por força simbólica, identidade e emoção. À frente da bateria, Aline Oliveira traduziu em corpo, ritmo e presença uma trajetória construída ao longo de décadas dentro da escola.
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Cria da casa, Aline não viveu a avenida apenas como rainha. Viveu como alguém que conhece o chão que pisa, o som que conduz e a responsabilidade que carrega. São 23 anos de Mocidade e 14 anos à frente da bateria, transformando experiência em maturidade e entrega.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, a rainha falou sobre o peso simbólico do posto e a dimensão que ele ocupa em sua vida, destacando que representar vai muito além da imagem.
“Eu sempre gosto de falar da responsabilidade que isso traz, né? Eu acho que vai muito além do glamour. Eu sou cria da casa. 23 anos em Mocidade, 14 anos como rainha, e cada ano é um ano literalmente novo de desafio, de responsabilidade, que eu me sinto muito honrada de poder representar tantas mulheres poderosas, rainhas, de crianças, inspirarem um dia e chegar a esse cargo”, declarou a rainha.
Na avenida, essa responsabilidade se refletiu em postura firme, olhar atento e diálogo constante com a bateria. Aline ocupou o espaço com consciência, sabendo exatamente o que significa ser referência dentro e fora do desfile.
“É um posto que eu fico com muito carinho, com muito amor, mas com certeza a responsabilidade é uma coisa que… ela é muito de verdade, assim, sabe? Mas eu fico muito honrada de saber que eu represento positivamente. E eu brinco que se não fosse positiva, eu não teria. Já há 14 anos.”
A relação profunda com o ritmo é outro elemento que diferencia sua atuação. Bailarina de formação, Aline construiu sensibilidade musical antes mesmo de ocupar o posto de rainha, algo que se fortaleceu com o tempo dentro da própria escola.
“Eu sou bailarina, sempre estudei ballet clássico e jazz, então eu já tinha um feeling musical. Mas quando eu entrei na Mocidade e vi Nanny Moreira, que era rainha, tocando tamborim, eu percebi novas possibilidades. Quando entrei na escola, nem imaginava ocupar o posto de rainha. Entrei para aprender e crescer.”
O aprendizado virou prática. Dos primeiros passos à vivência nos instrumentos, Aline percorreu caminhos que hoje se refletem na forma como conduz a bateria na avenida.
“Fui para a escolinha. Quando eu toquei tamborim, eu já fui para o surdo, agogô, caixa. Aí eu fui indo, eu amo.”
Na madrugada do desfile, essa intimidade com o som ficou evidente. Aline não acompanhou a bateria, ela se integrou a ela. Corpo, ritmo e energia funcionaram como uma engrenagem única, resultado de anos de convivência com os mesmos ritmistas e de uma relação construída com respeito e escuta.
Segundo a própria rainha, a maturidade adquirida ao longo dos anos foi essencial para alcançar esse equilíbrio entre pessoa e posto.
“Acho que ao longo dos anos a gente vai ganhando mais maturidade também para conseguir equilibrar todas as coisas, tanto ser rainha dentro e pessoa sem ser rainha. E a gente vai equilibrar tudo. Para não cair na maturidade, para ser um corpo só, dentro da bateria.”
Ao cruzar a avenida na madrugada do dia 15, Aline Oliveira reafirmou que sua presença não é apenas simbólica. É fruto de história, pertencimento e dedicação contínua. Uma rainha que representa não apenas um posto, mas uma vida inteira ligada à escola e ao coração da bateria.










