*Por Mariana Santos e Juliane Barbosa

A Marquês de Sapucaí viveu mais uma noite histórica com a abertura dos desfiles do Grupo Especial. Na Avenida, tradição e reinvenção caminharam lado a lado, enquanto nas arquibancadas e frisas o público acompanhava atento, vibrando, analisando e julgando cada detalhe.

A estreia da noite trouxe a força da Acadêmicos de Niterói, seguida pelo impacto visual e conceitual da Imperatriz Leopoldinense, a tradição incontestável da Portela e o canto poderoso da Estação Primeira de Mangueira, que encerrou a noite com emoção à flor da pele.

Mais do que espetáculo, o primeiro dia foi também termômetro. O público presente na Sapucaí avaliou evolução, harmonia, samba-enredo, alegorias e o conjunto geral. Entre gritos de “é campeã” e comentários técnicos dignos de jurado, a arquibancada mostrou que entende e sente o Carnaval.

Niterói 

A escola estreante no Grupo Espacial abriu a noite de desfiles com samba quente e estética impactante. Para o público, o enredo da escola, que narra a trajetória do presidente Lula do sertão do Brasil ao Palácio do Planalto, foi o ponto alto do desfile.

A mangueirense Kenya Pinheiro, veio diretamente do Amapá prestigiar sua escola do coração, que homenageia uma personalidade da sua terra. Mas para a amapaense, a Academicos de Niterói se destaca ao trazer para a avenida um samba e presidente ‘popular’.

Kenya Pinheiro Povo Fala Niteroi
Kenya Pinheiro. Foto: Juliane Barbosa e Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Lula foi eleito presidente três vezes, ele é extremamente popular. Foi uma noite maravilhosa, não tenho nada do que reclamar por ter vindo de tão longe assistir as escolas”, afirmou.

Imperatriz Leopoldinense 

Na boca do povo, a Imperatriz Leopoldinense conquistou até quem não veste o verde e branco. Segundo os entrevistados, o samba-enredo levantou a Sapucaí com potência, enquanto as cores vibrantes e o conjunto visual da escola brilharam aos olhos do público. Para muitos, foi um desfile que ultrapassou a rivalidade e se impôs pela qualidade.

Graziela Perez imperatriz
Graziela Perez. Fotos: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Graziela Perez, 31 anos, professora de educação física e torcedora da Mangueira, admitiu ter se rendido ao desfile da escola de Ramos.

“A Imperatriz deu um show na Sapucaí. Eu sou mangueirense, mas mesmo assim me encantei com as alegorias e fantasias. A escola veio muito bem trabalhada. Merece muito estar no Sábado das Campeãs”, declarou a mangueirense.

Sueli Souza imperatriz
Sueli Souza. Fotos: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Sueli Souza, 62 anos, servidora pública e torcedora declarada da Portela, destacou a força do samba-enredo e a energia transmitida na Avenida.

“Olha, eu sou portelense demais, mas o samba da Imperatriz foi impossível ficar parado. Parabéns aos intérpretes porque deu vontade de dançar o tempo inteiro que a escola ficou na avenida”, comentou a servidora pública.

Portela

Num desfile com fortes emoções, a portelense Veronica saiu da Sapucaí feliz com a entrega de sua escola. Apesar do conjunto e fantasias de forte presença, a evolução foi prejudicada com um problema no último carro alegórico. Entretanto, o enredo de fácil leitura através das alegorias e fantasias foi destaque

Veronica Bonfim Povo Fala Portela
Verônica Bonfim. Foto: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

“Tudo estava muito explicado, até a minha amiga que não conhecia muito bem entender, eu consegui entender. A divisão de cores, divisão de alas, estava muito interessante, muito fácil de compreender. Infelizmente teve o problema no final, mais uma vez, com a evolução. Já é a terceira vez que a escola passa por esse problema”, disse.

Mangueira 

A última escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial mostrou que posição na ordem não define impacto. A Estação Primeira de Mangueira sacudiu a Sapucaí mesmo encerrando a noite. Para o público, a iluminação das alegorias criou um espetáculo à parte, enquanto o enredo sobre a Amazônia Negra emocionou e ampliou horizontes.

Giovanna Borges mangueira 1
Giovanna Borges. Foto: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Giovanna Borges Martins, 24 anos, estudante, destacou o luxo visual apresentado pela verde e rosa.

“Os carros e as fantasias estavam deslumbrantes. A porta-bandeira estava com uma fantasia lindíssima. Sou suspeita para dizer, mas acho que foi a melhor da noite”, afirmou a jovem.

Já Vitória Cerqueira, 30 anos, auxiliar fiscal e contábil, ressaltou o impacto artístico e a importância cultural do desfile.

Vitoria Cerqueira mangueira 1
Vitória Cerqueira. Foto: Mariana Santos e Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

“Foi lindo, mágico, surpreendente como todos os anos. A comissão de frente e o casal tiveram grande destaque neste desfile de 2026. Mas a representatividade do Amapá foi muito importante e trouxe à tona coisas que a gente, aqui no Sudeste, muitas vezes não conhece”, citou.

A primeira noite do Grupo Especial deixou claro que a disputa promete ser acirrada. Cada escola imprimiu sua identidade na Avenida, mas quem também teve voz foi o povo que canta, vibra, critica e consagra.

Na Sapucaí, o julgamento oficial acontece nas cabines. Mas o veredito emocional nasce nas arquibancadas. E se depender da reação do público, o Carnaval 2026 já começou em nível máximo de intensidade.