A Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles do Grupo especial, neste domingo, com uma homenagem à Mestre Sacacá, curandeiro do Amapá, referência na medicina alternativa. O terceiro setor da verde e rosa focou na medicina ancestral, interligando os saberes afrodescendente com os indígenas, na chamada Amazônia Negra, em que diversos elementos levam o poder da cura, o que auxiliou Mestre Sacacá a cuidar de seu povo e divulgar esse meio alternativo de cura.

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A assistente social Daniele Garcia, de 44 anos, se sentiu motivada a desfilar pela primeira vez na agremiação por conta do enredo, pois trabalha com os saberes tradicionais no Sistema Unico de Saúde, o SUS. Ela esteve presente na ala 09: “O poder das cascas é sementes”.

danielle Mangueira

“Eu chorei todos os ensaios de rua e sonhei estar aqui vivendo esse momento, porque a sabedoria da Floresta Amazônica é a cura. Poder homenagear uma benzedeira que foi a matriarca da Mangueira e o Mestre Sacaca para mim é um presente, é como se eu estivesse alinhando o meu trabalho de pesquisa, o meu trabalho como profissional do SUS e o Carnaval, é como se eu estivesse no caminho certo”, declarou Daniele.

brunofaria mangueira

Bruno Farias, decorador de eventos de 28 anos, oriundo do Amapá e morador de Recife, veio ao Rio de Janeiro somente para participar dessa homenagem. Bruno contou sua experiência com a medicina alternativa.

“Quando criança, sofria muito de asma e minha avó comprava muita garrafada para remédio de asma. Inclusive, hoje já não sofro tanto de asma porque ela começou a me curar desde pequenininho. Eu sou muito ansioso, se tivesse a garrafada para ansiedade, eu seria o primeiro a tomar todos os dias”, completou Bruno.

A nutricionista Ana Paula, de 44 anos, desfila na Mangueira há 37 anos e, nesse ano, veio no terceiro carro alegórico. A homenagem do enredo foi emocionante para ela, porque relembra seus momentos com sua avó, que era indígena e uma das parteiras e benzedeiras de sua tribo.

anapaula mangueira

“A minha avó, ela era indígena e a gente já usou muitas ervas medicinais. Inclusive, ela tinha um caderninho que ela era benzedeira da tribo dela. Meu pai teve uma doença chamada erisipela que também foi tratada com ervas”, contou Ana Paula.

A ancestralidade indígena e afro-brasileira regasta espiritualidade, tradição e cura, que faz parte do dia a dia dos brasileiros e foi bem retratada pela Verde e Rosa.