A ala 15 da Verde e Rosa representou o momento em que o Xamã Babalaô revive e se reconecta com as manifestações culturais da Amazônia Negra. Entre elas, o tambor surge como elo central da ponte entre fé, memória e resistência.
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FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
A ala dedicada ao Sairé resgata os toques tradicionais do Amapá, prática introduzida pelo catolicismo às populações originárias, mas que carrega na própria palavra sua raiz indígena: “Çai Erê”, antiga forma de saudação. Hoje reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amapá, o Sairé permanece vivo especialmente na comunidade do Carvão e atravessa gerações no compasso da tradição.
Ao transformar o ritual em espetáculo, a Mangueira reafirma que cada batida de tambor é gesto político e espiritual. O tambor que ecoa no Norte dialoga com o tambor que pulsa no morro. No ritmo do Sairé, a ancestralidade amapaense encontra a ancestralidade mangueirense e ambas se reconhecem.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Engenheira e estreante na escola, Luísa Ferreira, de 27 anos, fala do impacto cultural do enredo.
“Conhecer a cultura da Amazônia Negra é muito fascinante. Eu confesso que não sabia e tenho muito interesse na cultura do Amapá e do Norte. O Carnaval é isso: traz representatividade não só de religião, mas das culturas de todos os estados do Brasil. A música e a fé se misturam. A música sempre está ligada à religião, arrepia e move nossos corações. Isso está conectado com a fé que sentimos. A Mangueira deixou esse legado na avenida”, avalia.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Para Guilherme Carnel, de 46 anos, advogado e há dois anos na escola, o momento é de arrepio e reconhecimento: “É realização sentir a força da Mangueira e do enredo. O samba nasceu da ancestralidade. Ter o povo indígena ouvindo o nosso estilo musical em uma homenagem a eles é de arrepiar. Viver essas misturas é algo muito forte”.

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Já Felipe Navegantes, de 38 anos, funcionário público e há dez anos desfilando na verde e rosa, destaca o papel do tambor como herança comum.
“Sempre é uma honra desfilar na Mangueira. Não representa só a comunidade de onde eu sou fruto, mas o legado de um povo inteiro. Este ano, o Amapá e a Amazônia Negra trouxeram ainda mais tradição para o enredo. As populações negras chegaram ao Brasil trazendo o tambor, e é ele que movimenta a gente, que dá sentido à festa. É o som do tambor que nos guia”, afirmou Felipe.









