Homenageado pela Imperatriz Leopoldinense, Ney Matogrosso construiu sua trajetória artística a partir da defesa radical da liberdade de ser. A ala 21, “Não existe pecado ao sul do Equador”, evocou a versão regravada pelo cantor para transformar a Marquês de Sapucaí em um espaço simbólico de vida sem culpa, medo ou julgamento.
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A fantasia combinou referências ao pecado com cores vibrantes e exuberantes, criando contraste direto com a ideia de culpa. Em um cenário marcado pelo avanço do conservadorismo no país, os giros das matriarcas do samba surgiram como imagem de resistência do corpo feminino e libertação das amarras morais.

Consultora de vendas de 58 anos, Edna Luz desfilou pela primeira vez pela escola e destacou a alegria como forma de luta pela liberdade.
“Significa me libertar de tudo aquilo que a sociedade prega contra a mulher num momento tão difícil que nós vivemos. A mulher de 50+ pode não só desfilar, mas estudar, batalhar por algo a mais”, afirmou.

Também estreante na agremiação, a cuidadora Deise Mendes, de 54 anos, relacionou a emoção do desfile à possibilidade de expressão sem julgamentos após meses de opressão cotidiana.
“O carnaval deixa a gente livre pra ser o que a gente quiser e representar isso. Esse enredo traz essa liberdade”, disse.

Há 35 anos na Imperatriz, a costureira Maria Regina, de 79 anos, resumiu o sentido popular da festa ao falar da relação entre carnaval e alegria coletiva.
“Sem o carnaval o povo não tem uma diversão boa, uma alegria para sair. Não dá pra ficar sem carnaval, ele é a alegria do povo”, declarou.
Na Avenida, as baianas giraram como símbolos vivos de liberdade, fé e permanência, reafirmando o carnaval como território onde o corpo feminino deixa de pedir licença para simplesmente existir.










