Do sertão ao terreiro, a Pérola Negra transformou a avenida em palco para a trajetória de Maria Bonita. Sexta escola a desfilar neste domingo, a agremiação apresentou o enredo “Valei-me Cangaceira Arretada, Maria que Abala a Gira, Valente e Bonita que Vence Demanda” assinado pelo carnavalesco André Machado.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A escola desenvolveu a personagem desde o cangaço histórico até sua consagração espiritual na umbanda, mantendo coerência entre fantasias, alegorias e proposta temática. O desfile seguiu com regularidade na pista, sustentado por boa harmonia e evolução constante.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Alê Batista, a comissão de frente foi dividida em dois grupos: policiais e cangaceiros. A encenação colocou em cena o confronto direto entre repressão e resistência, tendo Maria Bonita como personagem central.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Durante a apresentação, os policiais detêm os cangaceiros, executam o parceiro de Maria Bonita e a capturam. A coreografia foi marcada por embates físicos que deram intensidade dramática à cena. Em um dos momentos mais marcantes, Maria Bonita risca a faca no chão do Anhembi, gesto que reforça sua postura de enfrentamento e resistência.

A proposta foi objetiva e alinhada ao enredo, traduzindo com clareza o conflito que marcou a trajetória da personagem homenageada.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Natália e Kawe executaram os movimentos obrigatórios previstos no regulamento com segurança e precisão. O sincronismo do casal foi um dos pontos positivos da apresentação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Representando Maria Bonita e Lampião, a dupla construiu uma coreografia que dialogava diretamente com o enredo, mantendo postura firme e coerente com a temática. A apresentação nos módulos foi excelente e tecnicamente bem resolvida.

HARMONIA

A Pérola Negra manteve o canto em bom nível do início ao fim, com a escola sustentando o mesmo tom ao longo da pista.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O rendimento crescia especialmente nas bossas, com destaque para o trecho “o povo do samba te aplaude nesse cortejo de fé”, quando o canto se elevava e ganhava maior força coletiva. Lucas Donato e Juan Briggs conduziram o carro de som com firmeza, mantendo a energia do desfile.

EVOLUÇÃO

A Pérola apresentou evolução constante ao longo do percurso. Os componentes desfilaram soltos e alegres, mantendo regularidade no andamento e boa ocupação da pista.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A agremiação encerrou seu desfile em 58 minutos dentro do tempo regulamentar, confirmando controle do andamento e organização até o fim do percurso.

FANTASIAS

As fantasias representaram com clareza os setores do enredo e facilitaram a leitura da história. O conjunto visual combinou com a estética do cangaço e com os elementos espirituais associados à Maria Bonita.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Destaque para a ala das passistas, que trouxe um colorido vibrante ao desfile, enriquecendo a composição visual. Também chamaram atenção as alas posicionadas atrás do terceiro carro, que reforçaram o impacto do setor.

ALEGORIAS

O conjunto alegórico apresentou bom acabamento e manteve coerência com a proposta narrativa. O abre-alas foi um dos pontos mais fortes do desfile, com uma escultura imponente de Lampião no topo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A última alegoria teve destaque ao trazer Maria Bonita em seu terreiro, consolidando a transição da figura histórica para entidade cultuada na umbanda.
No conjunto, as alegorias cumpriram seu papel de ilustrar a história contada, mantendo clareza e alinhamento com a proposta.

SAMBA-ENREDO

O samba, composto por Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Chico Maia, Mateus Pranto, Fabian Juarez e Salgado Luz, foi um dos sustentáculos da apresentação.

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A obra apresenta fácil assimilação e favoreceu o canto coletivo, contribuindo para o bom rendimento da escola ao longo do desfile.

OUTROS DESTAQUES

Joyce Rocha teve atuação segura como rainha de bateria, com presença marcante e boa interação com o ritmo da escola.

A bateria manteve regularidade e sustentação do samba durante todo o percurso, reforçando o bom desempenho musical da agremiação no Grupo de Acesso 1.