A Ala 01 transformou a Avenida em território espiritual ao celebrar o Turé, ritual indígena praticado por povos originários do extremo norte do Brasil. A cerimônia, marcada pela gratidão aos seres do Outro Mundo, guia simbolicamente o reencontro do Xamã Babalaô com sua Amazônia Negra.

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Componentes da ala
Componentes da ala
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com cinco fantasias distintas formando um grande mosaico social e espiritual, a ala inaugural funcionava como rito de passagem. Mais do que um setor coreográfico, é um chamado: um convite para que público e componentes atravessem juntos a fronteira entre mundos do cotidiano ao sagrado, do material ao ancestral.

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Matheus Camelo, de 30 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Matheus Camelo, de 30 anos, analista financeiro e estreante na Mangueira, descreve o momento como transformação pessoal e coletiva.

“Muita emoção ser o primeiro ano na escola e já estar na primeira ala. Sinto que abri meus caminhos. A responsabilidade era grande para dar gás na avenida e deu certo. A primeira ala precisa entrar bem e trazer a torcida com a gente. Se a gente entra para baixo, a arquibancada sente. Hoje eu agradeço à Mangueira por tudo que ela ensina ao povo. O próprio enredo é algo que muita gente ainda não conhecia”, comenta.

Julia Santana de 24 anos
Julia Santana, de 24 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Julia Santana, de 24 anos, analista de pesquisa de mercado e estreante na agremiação, o Turé se conecta diretamente à identidade mangueirense.

“É muito emocionante ser a primeira ala da Mangueira porque eu sou mangueirense. Mostramos na avenida para o que viemos e o nosso chão firme. Nosso principal ritual é olhar para todos os ancestrais. O enredo do Amapá, da Amazônia Negra, trouxe essa mistura presente na avenida”, diz.

Rosilene Souza Batista de 53 anos
Rosilene Souza Batista, de 53 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Rosilene Souza Batista, de 53 anos, doméstica e estreante na verde e rosa, reforça o sentimento coletivo da comunidade: “A emoção domina meu corpo, seja em qualquer ala dessa escola. Nossa comunidade merece o título, merece respeito. Falar do Amapá no Rio de Janeiro é mostrar que o Brasil vai muito além do Sudeste”.