Professores, pais e ex-alunos de universidades públicas defenderam o direito à educação pública na Sapucaí durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, que abriu a noite do Grupo Especial apresentando a trajetória do presidente Lula.

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Ala Prouni
Ala Prouni da Acadêmicos de Niterói. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A fantasia remete ao percurso de ascensão social das camadas mais pobres por meio dos estudos. Desenhos de pichações e casas de favela adornam a beca de formatura usada pelos componentes, além de um estandarte em forma de diploma, no qual aparece o curso concluído por cada integrante ou familiar beneficiado por programas sociais. A representação ecoa experiências pessoais vividas por quem desfilou.

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Movidas pelo enredo e pelo amor à educação, sindicalistas formadas em universidades públicas da Bahia viajaram juntas para prestigiar a escola. Suas trajetórias dialogam com a proposta da ala: foram as primeiras da família a ingressar no ensino superior, tornaram-se servidoras públicas e hoje são mães. Como trabalhadoras de universidade pública, relatam que, graças às políticas sociais, o ambiente acadêmico se tornou mais diverso.

Joana Evangelista, sindicalista da área da saúde, é mãe de Rina Evangelista, administradora formada em uma faculdade particular. Segundo ela, o diploma da filha só foi possível graças ao ProUni, programa que concede bolsas integrais ou parciais para estudantes de baixa renda.

“Foi fundamental para a vida dela, porque era um momento financeiro difícil para a gente. Ela sempre teve boas notas, sempre foi muito estudiosa, mas, sem o ProUni, não teria condições de ingressar. Como sou mãe solo, não havia outra renda para ajudar. Ver a vontade dela de crescer e aqueles sonhos sendo realizados foi muito importante”, declarou.

Joana Evangelista
Joana Evangelista. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Para Joana, o diploma universitário é instrumento de redução das desigualdades sociais. O ingresso no ensino superior amplia oportunidades, promove ascensão social e fortalece a autoestima dos jovens.

“Muitas vezes, os jovens se sentem humilhados, retraídos. Quando conseguem alcançar aquilo que sonham, a autoestima se eleva e eles passam a estimular outras pessoas. É isso que precisamos: garantir que famílias mais humildes conheçam e exijam seus direitos. Por meio dessas políticas públicas, temos conseguido ao menos diminuir a desigualdade social”, afirmou.

Do outro lado da sala de aula, o professor e doutor em Geografia Cristiano Brito acompanha de perto trajetórias semelhantes às narradas pela escola. Atuante em projetos voluntários e pré-vestibulares comunitários, ele já presenciou alunos de baixa renda, filhos de empregadas domésticas e trabalhadores informais, ingressarem em cursos como engenharia, matemática e medicina. A experiência reforça, segundo ele, a centralidade da educação como política de Estado.

“O acesso precisa ser para todos. Essa é uma pauta prioritária de qualquer governo, porque não existe nação sem educação”, disse.

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Cristiano Brito. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Após 30 anos de docência, Cristiano avalia que o acesso ao ensino superior produz efeitos que atravessam gerações.

“Hoje, filhos de trabalhadoras domésticas e de pessoas do mercado informal têm essa oportunidade. Muitos já estão inseridos em empregos qualificados, com salários equivalentes aos de outros profissionais. Isso repercute na qualidade de vida, no acesso a direitos e no bem-estar das famílias, inclusive de mães, avós e bisavós que não tiveram essa chance”, concluiu.