Primeira a cruzar a Marquês de Sapucaí neste domingo, a Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial com um enredo de forte impacto social. Em “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, a agremiação homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e colocou no centro da Avenida o debate sobre a fome. A Ala 14, intitulada “A fome tem pressa”, sintetizou o recado: combater a insegurança alimentar é decisão política e compromisso coletivo.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO
A fantasia chamou atenção por sua dicotomia. O real estampado ao lado de um prato vazio traduzia, de forma visual e didática, a ideia de que renda significa comida na mesa. A proposta remetia ao contexto de 2003, quando o país enfrentava índices alarmantes de insegurança alimentar e políticas públicas de combate à fome passaram a ocupar o centro da agenda nacional.

FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO
Para Letícia Martins, de 39 anos, pedagoga que desfila há cinco anos com a escola, a responsabilidade é compartilhada. Ela defende que Estado e sociedade precisam caminhar juntos no enfrentamento do problema.
“Trazer esse tema faz com que as pessoas possam sair da sua bolha e enxergar o mundo como um todo, não acho que seja um ato político trazer isso para avenida e sim um ato humanitário”, disse.

FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO
O contador Felipe Costa, de 34 anos, em seu segundo ano na escola, também interpreta a fantasia como uma mensagem direta sobre redistribuição de renda. Para ele, dinheiro no bolso representa comida no prato, e o Estado precisa agir em parceria com a sociedade. Felipe entende o combate à fome como política pública e acredita que expor o problema na vitrine global do Carnaval é uma forma de pressionar por soluções conjuntas.
Luiz Couto, 34 anos, supervisor de eventos, reforça a ideia de corresponsabilidade. Ele pondera que não basta cobrar ações do poder público se a própria sociedade alimenta divisões e intolerâncias: “Não adianta a sociedade reclamar e continuar pregando o ódio”, afirmou. O desfile, para ele, prova que o Carnaval também é território de consciência.
Hayres Muniz, 29 anos, motorista que desfila há três anos, associou o enredo à memória de mudanças percebidas desde o início dos anos 2000.
“O mundo todo fica vidrado no carnaval, então a Acadêmicos de Niterói trazendo a história do Lula que ajudou a combater a fome lá em 2002, eu era bem pequeno e você vê a mudança, de lá pra cá a população consegue ir ao mercado, comprar o básico, uma sobremesa, coisas que eu não tive na minha infância e hoje uma mãe pode proporcionar isso com mais facilidade para seus filhos”, relatou.
Já a professora Camila Matheus, 46 anos, no terceiro desfile pela escola, citou trecho do samba: “Comida na mesa do trabalhador, a fome tem pressa, então é importante que a gente saia da miséria, o dinheiro está aí justamente para ajudar nessa questão”, finalizou a componente.









