A escola de samba Tom Maior levou para a avenida um enredo que reverencia Uberaba a partir de uma carta espiritual psicografada por Chico Xavier. O médium, nascido em Pedro Leopoldo, mas consagrado em Uberaba, se coloca como instrumento para dar voz à cidade que marcou sua trajetória. Essa narrativa é revisitada por meio do olhar do carnavalesco Flávio Campello, 48, que apresentou na avenida cores em fantasias e alegorias vibrantes para simbolizar a ancestralidade, a história e o progresso do município, transformado em símbolo do Espiritismo no Brasil, onde Chico desenvolveu sua mediunidade e encerrou sua jornada.

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Para que o entendimento de todo o enredo na avenida fosse notado por quem estava também nas arquibancadas ou como telespectador na TV, Flávio comenta que todos os pensamentos foram voltados para um desfile didático e que pudesse ter uma homenagem clara, assim tomou como base uma foto territorial
“A inspiração veio de uma foto de satélite que vi da cidade de Uberaba. Vi a quantidade de rios que existiam ali naquela região, era algo surreal, chegava a brilhar nesse mapa”, explicou Flávio.

O carro abre-alas, intitulado “Das Águas Emana o Perfume! – A Terra das Águas Claras e Berço de Gigantes”, sintetiza o primeiro setor do desfile ao destacar as origens de Uberaba. A alegoria exalta a ancestralidade indígena, os dinossauros que habitaram a região e a força vital das águas que moldaram o território. Esculturas de peixes e figuras híbridas simbolizam a interdependência entre natureza e vida. Elementos trazidos pelo carnavalesco foram calculados para retratar especificidades do enredo.
“Queria abrir com essa inspiração para poder retratar até a etimologia do nome da cidade, porque Uberaba vem da palavra ‘Iberabe’, que significa terra das águas brilhantes, terra das águas cristalinas. E essa abertura que quis, através da ala que veio na frente do carro, mais a ala que vem atrás do carro, que são nossas baianas, também o nosso casal, abrindo alas para essas cores sensacionais. Acho que foi um grande trunfo na manga, foi perfeito”, exaltou o carnavalesco.
Já a terceira alegoria, “O Futuro Chegou! – Nos Caminhos para a Industrialização”, retrata a transformação econômica de Uberaba, usando engrenagens e estruturas metálicas; tons terrosos compõem o cenário que simboliza a chegada das indústrias e a força do trabalho coletivo.

“Era tentar buscar todo esse misticismo, todo esse sincretismo em torno de Chico Xavier, através da espiritualidade. Por isso que a gente trouxe a Índia, por isso que a gente trouxe essa industrialização com uma cara mais vintage, porque a gente queria retratar aquilo que o Chico colocava nas suas cartas, inclusive contando a história da cidade. Foi mais ou menos essa referência que nós tivemos para construir esse projeto”, comentou Flávio, que quis reafirmar nas alegorias a vocação progressista do município, associando inovação e esforço humano à construção de seu futuro.
Sobre as expectativas para a escola, Flávio diz sair da avenida já com vontade e acreditando que possa voltar no sábado para o desfile das campeãs.
“Foi um desfile marcado pela emoção, porque muitos sentimentos explodiram dentro dos nossos corações ao longo desse ano todo, com a perda do nosso saudoso Gilsinho, que foi o primeiro sentimento que a gente teve, aquele vazio imediato. Mas o Leozinho veio para preencher esse vazio; hoje, ele representou muitíssimo bem a escola e o Gilsinho. Tenho certeza de que faremos história na terça-feira, com um resultado incrível e o possível primeiro título da escola”, finalizou o artista.










