A Acadêmicos de Niterói foi a primeira escola a pisar na Marquês de Sapucaí neste domingo, abrindo os desfiles do Grupo Especial 2026. A Azul e Branca da Cidade Sorriso levou para a Avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo. O tema narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a infância em Garanhuns até a Presidência da República eprovocou debates nas redes sociais e entre parte do público: existe limite para o que o Carnaval pode contar?

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Para ouvir quem constrói o espetáculo na prática, o CARNAVALESCO conversou com quatro componentes que estrearam ou retornaram à Sapucaí com a Niterói.

O bibliotecario Paulo Garrido
O bibliotecário Paulo Garrido
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

O bibliotecário Paulo Garrido, servidor da Fundação Oswaldo Cruz e presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz, defendeu que a cultura tem um grande potencial de mobilização e que a liberdade de criação e de pensamento deve ser preservada.

Para ele, o enredo da Niterói integra a história do Brasil e da política internacional ao retratar “um metalúrgico que foi liderança sindical e tem uma trajetória de compromisso com a população brasileira. A escola foi ousada e corajosa ao levar esse tema à Avenida, mesmo que o carnaval sempre tenha dialogado com a política. Na minha visão isso deve continuar acontecendo”.

Rilke Publio farmaceutico 62 anos
Rilke Públio, farmacêutico, 62 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Rilke Públio, farmacêutico, 62 anos, também estreante na agremiação, pontuou que o samba-enredo percorre a trajetória de Lula desde o nascimento até a atuação sindical e política, sem recorrer a especulações. “Não há nenhuma novidade escondida. É a história de vida e de liderança política de uma figura pública. E eu acho que homenagear alguém vivo é uma escolha legítima da escola”.

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Camila Mateus, de 46 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Já Camila Mateus, de 46 anos, acrescentou que a homenagem ultrapassa a dimensão partidária e se concentra no percurso pessoal: “Estamos homenageando o ser humano, o cidadão que veio de Garanhuns e construiu uma trajetória. É a história de um brasileiro que deu certo, não é apenas a história de um político”.

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Jaqueline Deister
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Jaqueline Deister, por sua vez, avaliou que parte das críticas decorre do ambiente de polarização e de disputas ideológicas. Segundo ela, há setores que recorrem com frequência a questionamentos e ações judiciais para impedir manifestações culturais.

“São pessoas que não têm um respeito legítimo com a democracia e tentam vetar o exercício artístico”, afirmou a componente.