Na abertura do primeiro dia de desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2026, a Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um desfile que ultrapassou o espetáculo visual. A última alegoria, intitulada “Vale uma nação, vale um grande enredo”, transformou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma figura de enorme representatividade do país. 

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Alegoria Niteroi 2
Alegoria “Vale uma nação, vale um grande
enredo”, da Acadêmicos de Niterói. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

O último carro consolidou a narrativa proposta pelo enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil” do carnavalesco Tiago Martins. Mais do que biografia, a escola apostou na construção de uma ideia de nação associada à soberania e ao Estado democrático. A presença de convidados ligados ao presidente ampliou a dimensão do momento, transformando a alegoria também em acontecimento político, sem abandonar a estética.

Ator Paulo Betti
o ator Paulo Betti, 73 anos, desfilou na alegoria da Niterói. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para o ator Paulo Betti, de 73 anos, o Brasil representado ali é o de um país que deseja ser mais justo e menos desigual. Ele destacou a força da trajetória de quem saiu “do meio daqueles que não têm” e chegou à presidência, enxergando na figura homenageada a prova de que é possível romper barreiras sociais profundas. “O Lula é um fenômeno, o Brasil precisa acreditar que é possível você ser um menino pobre, que saiu do nada e vencer”.

Atriz Malu Valle 68
Malu Valle, 68 anos, atriz. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A atriz Malu Valle, que desfila pela primeira vez pela agremiação, afirmou ver no carro a imagem de uma nação soberana, sustentada pelo trabalho e pelas próprias riquezas. Para ela, a escolha de homenagear Lula reforça o papel do Carnaval como uma das principais expressões culturais do país, capaz de transformar trajetórias políticas em narrativa artística. 

Malu completou ainda: “Eu acho a coisa mais linda ver uma escola de samba que é uma das principais formas de expressão cultural escolher homenagear uma trajetória como a do Lula, que é um cara que saiu de pau de arara praticamente com a Dona Lindu e hoje é uma liderança mundial incontestável, na minha opinião a maior. A função da arte é transformar, fazer as pessoas refletirem, espero que a Acadêmicos de Niterói leve para a Avenida esse pensamento: um país livre e soberano”.

Inez Viana 60 atriz e diretora teatral
Inez Viana, 60 anos, atriz e diretora teatral. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Já Inez Viana interpretou o encerramento como o retrato de um país que ainda acredita em dias melhores, evocando o “esperançar” de Paulo Freire. “Enxergo através desse carro um Brasil que ainda acredita, que tem esperança de dias melhores. E o Lula é essa figura histórica, então a gente está homenageando esse cara que vem de um lugar muito humilde e se torna essa liderança mundial, realmente a gente está aqui esperançando por dias melhores, do verbo esperançar mesmo, como já dizia Paulo Freire. Ele é uma figura histórica, tem um papel importantíssimo na história do Brasil desde a luta sindical, depois três vezes presidente da República”. 

Sobre a questão do carnaval dialogar com a política, ela diz acreditar nesse diálogo e completou ainda: “o povo acredita, coloca suas expectativas, esperanças, seus anseios, é um modo de expurgar, mas também reivindicar coisas que você deseja”.

Angela Rebello 73 atriz
Angela Rebello, 73 anos, atriz. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A atriz Angela Rebello destacou a pluralidade do Brasil retratado na alegoria. Para ela, o enredo não homenageia apenas um líder, mas também a força de mulheres como Dona Lindu, mãe do presidente, representando tantas brasileiras do interior e do Nordeste. 

“Vejo também como uma homenagem a uma mulher brasileira, do interior, do Nordeste, que lutou pelos seus filhos e que é a razão de um dos seus filhos ser esse homenageado, pela sua criação. É um exemplo de brasileiro que não se rende, que é forte, tem esperança e luta corajosamente pelo que quer. E esse fecho com essa pluralidade do último carro representa muito isso também. Para mim qualquer ato cultural é também um ato político, não vejo como se o carnaval estivesse fazendo política e o carnaval é essa metáfora, você vê a história sendo colocada em alegorias na Avenida”, afirmou.

Daniel de Lima 38 enfermeiro
Daniel de Lima, 38, enfermeiro. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Entre os componentes, a percepção também apontou para valores como igualdade, respeito e resistência. O enfermeiro Daniel de Lima viu no carro um Brasil que fala de amor e união, enquanto o técnico do DIEESE Lucas Lima destacou a centralidade da luta por direitos e melhores condições para os trabalhadores. 

Lucas Lima 25 tecnico de DIEESE
Lucas Lima, 25 técnico da DIEESE. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

“Enxergo um Brasil de luta, que tem como seu principal líder um presidente que veio da luta sindical, que reconhece a necessidade do diálogo da melhoria e da luta por melhores condições para os trabalhadores”, encerrou Lucas.