Abrindo os desfiles de domingo pelo Grupo de Acesso 1, o Camisa 12 apresentou um desfile de fácil compreensão no Anhembi. Com o enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil – A origem da fé, herança de Ketu”, a escola apostou na força ancestral das matrizes africanas e construiu uma narrativa organizada, sustentada por boa harmonia e leitura clara dos setores.
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A apresentação foi linear na maior parte do percurso, com canto consistente e componentes envolvidos com a proposta. Houve oscilação no andamento na parte final da pista, mas sem configuração de buraco. A escola encerrou sua apresentação em 57 minutos, dentro do tempo regulamentar.

COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Walmir Rogério, optou por não utilizar tripé e desenvolveu toda a apresentação no chão. A escolha favoreceu a leitura direta da proposta, com coreografia alinhada à letra e à melodia do samba-enredo.

A encenação apresentou dois grupos em cena e três personagens centrais representando as Princesas Nagô, homenageadas do enredo. O destaque ficou para o recurso de figurino com dupla face, que em determinado momento era invertido pelas personagens principais, criando efeito visual simbólico e reforçando a ideia de transformação e resistência ao longo da narrativa.
A apresentação foi clara e conectada ao enredo, cumprindo o papel de introduzir o tema com objetividade.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Luã e Estefany realizaram os movimentos obrigatórios durante as apresentações aos módulos, mantendo boa postura e condução segura do pavilhão.

No segundo módulo, o pavilhão chegou a enrolar por alguns segundos, mas a porta-bandeira conseguiu reabri-lo rapidamente, dando sequência à coreografia sem maiores prejuízos visíveis.
No restante da apresentação, o casal manteve regularidade e sintonia, concluindo o percurso sem novas intercorrências.
HARMONIA
A harmonia foi um dos pontos altos do desfile. O Camisa 12 manteve o canto de forma linear do início ao fim, com componentes respondendo no mesmo tom e demonstrando domínio da obra.

Nos momentos de bossa, o rendimento crescia. A bateria elevava a energia e os intérpretes Tim Cardoso e Clovis Pê utilizavam sua experiência para incentivar ainda mais os componentes e manter a atenção das arquibancadas. Houve troca constante entre pista e público, favorecendo o conjunto musical da apresentação.
ENREDO
O enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil – A origem da fé, herança de Ketu”, assinado por Delmo de Moraes, é uma proposta que dialoga com a ancestralidade e com a formação da fé de matriz africana no Brasil.

Durante o desfile, a narrativa se mostrou de fácil leitura. Foi possível compreender visualmente o que o samba anunciava, fator que favorece a avaliação técnica. A escola organizou bem seus quadros, permitindo que o público acompanhasse o desenvolvimento histórico das personagens homenageadas.
EVOLUÇÃO
No quesito evolução, houve oscilação no andamento na parte final da Avenida. Algumas alas aceleraram o passo, não mantendo o mesmo ritmo do início do desfile.
Nesse momento, era perceptível a atuação da equipe de harmonia orientando os componentes para que retomassem o andamento adequado. Entre algumas alas surgiu um espaçamento maior do que o habitual, mas que não configura buraco de acordo com a contagem das grades e o regulamento.

Apesar dessas oscilações, os componentes desfilaram animados e soltos, mantendo energia ao longo do percurso.
SAMBA-ENREDO
A obra de Turko, Maradona, Cláudio Russo, Imperial, Silas Augusto e Rafa do Cavaco é considerada uma das mais fortes do Grupo de Acesso 1.
Trata-se de um samba de fácil entendimento, com melodia harmoniosa e empolgante. A letra traduz com clareza a proposta do enredo, o que favoreceu o canto coletivo e a assimilação rápida por parte do público.
FANTASIAS
O conjunto de fantasias foi bem distribuído e utilizou a paleta de cores de forma coerente com o enredo.

Destaque para a ala das baianas, que desfilaram com indumentária em alusão ao orixá Oxalá, reforçando o eixo religioso da narrativa.
As fantasias eram funcionais e permitiam boa mobilidade, possibilitando que os componentes evoluíssem com liberdade.
ALEGORIAS
As alegorias apresentaram leitura clara dentro da proposta do enredo. O Camisa 12 trouxe carros com bom acabamento e investiu em papel picado, recurso que potencializou o impacto visual, especialmente no primeiro setor.

O conjunto alegórico cumpriu o papel de sustentar a narrativa sem comprometer a compreensão da história apresentada.
OUTROS DESTAQUES
A parte musical da agremiação foi novamente um ponto positivo. A bateria do mestre Lipe e os intérpretes Tim Cardoso e Clovis Pê demonstraram sintonia e consistência ao longo da apresentação.

As destaques de chão investiram em indumentárias luxuosas e muito samba no pé durante todo o percurso, contribuindo para a energia da escola na Avenida.









