A União de Maricá desfilou na noite deste sábado, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, sendo a sexta agremiação a cruzar a Avenida em busca de uma vaga no Grupo Especial de 2027. Com o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, a escola levou para a pista um mergulho na força dos amuletos e das proteções ancestrais. No segundo carro alegórico, “Ogum e a Forja do Metal”, o contraste visual e espiritual marcou a noite. Em entrevista ao CARNAVALESCO, componentes da composição “Armadura de Ogum” falaram sobre fé, pertencimento e emoção.

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Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Se o primeiro momento do desfile reluzia em dourado, o segundo mergulhou no prateado intenso do ferro. A alegoria religiosa e guerreira trouxe cães puxando o carro, atabaques metalizados e uma estética marcada por ferramentas ligadas ao orixá. Vestidos predominantemente em prata e metal, os componentes incorporaram a tecnologia africana de forjar o ferro, evocando proteção e resistência. A transição cromática simbolizava não apenas mudança visual, mas também um chamado à força espiritual.

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Igor Barbosa. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Devoto de São Jorge, sincretizado com Ogum, o fisioterapeuta Igor Barbosa, de 28 anos, viveu o desfile como um ato de fé. “Sou devoto, carrego comigo um terço e um escapulário de São Jorge que levei na igreja para benzer. Foi uma emoção muito grande vir nesse carro, com essa fantasia. Assim que vi o carro no barracão fiquei encantado, mas só tive dimensão dele hoje, vendo aqui na Avenida. Ele é muito maior do que eu imaginava”, contou. A armadura prateada, para ele, não era apenas figurino, mas extensão de sua devoção.

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Leandro. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A relação com a proteção espiritual também esteve presente no discurso de Leandro, de 40 anos, analista de sistemas. “Não tenho uma religião, mas acredito na proteção de São Jorge/Ogum. Acredito que ele vai guiar o desfile de toda a escola. No barracão como é bem apertado, eu não tinha dimensão do tamanho dele, me surpreendi quando vi hoje. Acredito que a escola vai cantar do início ao fim e vamos rumo ao título”, afirmou. Entre crença pessoal e energia coletiva, o sentimento era de confiança.

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Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

O enredo ressalta o balangandã como amuleto, como arma simbólica no corpo, e essa ideia atravessava os relatos. Igor reforçou que a preparação espiritual foi essencial para entrar na Avenida protegido. “Só a emoção de estar aqui já me faz ter energia suficiente para cantar e me emocionar o desfile inteiro”, concluiu. 

Visualmente impactante, o segundo carro impressionou desde o barracão até o momento do desfile. Os cães que puxavam a alegoria reforçam o aspecto guerreiro, enquanto os atabaques prateados ampliaram a atmosfera ancestral. Para os componentes, ver o conjunto pronto foi um momento de descoberta.