Penúltima escola a desfilar, a Tom Maior realizou sua apresentação no Carnaval 2026. A agremiação da Zona Oeste levou para a avenida a cidade de Uberaba e a história de Chico Xavier, com o objetivo de alcançar a melhor colocação possível, já que retorna do Acesso 1. No entanto, o que se viu na pista foi uma escola que jamais deveria ter deixado o Grupo Especial. O nível de investimento no conjunto estético foi altíssimo, com fantasias de elevado padrão e alegorias que podem figurar entre as melhores do carnaval. O grande destaque esteve justamente na estética, aliada ao empenho da comunidade, que mostrou por que a Tom Maior tem trajetória de Grupo Especial.

A escola encerrou seu desfile às 1h02min com o enredo “Chico Xavier: Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”, desenvolvido pelo carnavalesco Flávio Campello.
COMISSÃO DE FRENTE
Sob o comando do estreante Gandhi Tabosa, a comissão de frente apresentou o segmento “Manancial de uma Terra Sagrada”. Toda a coreografia foi executada sobre um tripé que representava as raízes ancestrais. A proposta cênica traduziu a ancestralidade da terra de Uberaba, especialmente no período da pré-história e da era dos dinossauros. Os componentes vestiam figurinos em tom cinza, com pinturas corporais que, combinadas com lentes de contato, reforçaram a atmosfera pré-histórica, sem remeter ao contexto indígena.

Em determinado momento, um integrante realizava uma transmutação cênica e surgia com cabeça de dinossauro. Uberaba é fortemente associada a esse período da história do planeta, e a representação foi satisfatória.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Ruhanan Pontes e Ana Paula Sgarbi desfilou com a fantasia intitulada “Um manancial de terra sagrada”. A vestimenta marcou a abertura monocromática em azul. Experientes e parceiros de longa data em outras agremiações, apresentaram uma performance segura e sincronizada. A coreografia foi bem executada, com movimentos obrigatórios realizados corretamente. Foi uma atuação consistente de ambos.

HARMONIA
A comunidade da Tom Maior demonstrou canto forte ao longo de todo o desfile. Embora o conjunto tenha transmitido certa sensação de frieza, é importante considerar que o samba possui andamento cadenciado, assim como a bateria, o que naturalmente imprime maior lentidão à apresentação. Ainda assim, a escola mostrou uma comunidade aguerrida, que manteve o canto potente do início ao fim. Destacaram-se os apagões promovidos pela bateria Tom 30, que incendiaram os componentes.

ENREDO
A proposta foi levar Uberaba para a avenida, cidade marcada pela presença histórica do médium Chico Xavier. O município é rico em referências culturais e históricas, com forte ligação à pré-história e aos povos originários, ponto bem introduzido na comissão de frente. A Índia também apareceu na narrativa, assim como o Geoparque dos dinossauros, apresentado no abre-alas como Terra de Gigantes, além de elementos da culinária local. A ideia de conduzir o enredo por meio de uma carta psicografada por Chico Xavier foi um recurso criativo e bem aplicado desde a sinopse até o samba-enredo. As alegorias, principalmente, facilitaram a compreensão da narrativa, aliando clareza e beleza estética.

EVOLUÇÃO
A escola evoluiu com leveza e alegria, ocupando a pista de forma correta. Mesmo com o ritmo cadenciado, a intensidade foi mantida, como já havia sido observado nos ensaios técnicos. Os componentes dançaram de um lado para o outro sempre sendo incentivados e orientados pelas lideranças. Em certos momentos havia pedidos para colocar na grade, com o objetivo de não deixar espaçamentos na lateral da pista. Não foram percebidos buracos, divisão de alas ou falhas que comprometessem o quesito.

SAMBA
O samba foi bem interpretado pelo também estreante Léozinho Nunes. O cantor repetiu o desempenho dos ensaios técnicos e conduziu a obra com animação, utilizando cacos que incentivaram os componentes, como o chamado “Vamos lá, geral”. Ele assumiu o microfone no meio do ciclo e demonstrou total domínio da obra, que se encaixou bem em sua voz. O entrosamento com a bateria Tom 30, especialmente nos apagões, foi preciso, sem qualquer atravessamento, evidenciando sintonia entre intérprete e ritmistas.
FANTASIAS
Flávio Campello apostou em uma estética refinada na concepção das fantasias. A abertura completamente azul deu unidade visual ao início do desfile, seguida por um conjunto mais colorido que dialogou harmoniosamente com as alegorias. As indumentárias chamaram atenção pelo acabamento e pela riqueza de detalhes. Vale destacar que as indumentárias não atrapalharam a evolução e o canto da escola. Uma Tom Maior leve, apesar de esteticamente bem servida de materiais.

ALEGORIAS
A primeira alegoria, intitulada “Das águas emana o perfume! A Terra das Águas Claras e Berço de Gigantes”, foi um carro de grande impacto visual que completou a abertura azul da escola, composta pelo casal, pela ala e pelo próprio abre-alas. Uma grande escultura central, em constante movimento, destacou-se ao representar de forma carnavalizada a pré-história de Uberaba.

O segundo carro, “Tem boi pra lá e pra cá! O Zebu: Da Índia para Uberaba”, apresentou esculturas de elefantes e bois, além de forte iluminação e brilho. Houve, porém, um problema técnico: a alegoria teve sua iluminação apagada por um período durante o percurso e passou assim pelo segundo módulo de jurados. Posteriormente, o sistema foi restabelecido e o carro seguiu normalmente.

A terceira alegoria, “O futuro chegou! Nos caminhos para a industrialização”, trouxe engrenagens e esculturas com olhos iluminados, remetendo ao avanço tecnológico e à modernização da cidade.

Encerrando o desfile, o último carro, “Chico de luz e amor! Um templo de fé: eterno Chico Xavier”, apresentou uma alegoria em formato de templo, com escultura realista do médium escrevendo uma carta. A representação emocionou especialmente os admiradores do espiritismo e da trajetória de Chico Xavier.

OUTROS DESTAQUES
A bateria Tom 30, comandada pelo mestre Carlão, executou bossas estratégicas, com destaque para o apagão coordenado envolvendo toda a escola, realizado tanto na pista quanto no recuo. Mais uma vez, Carlão demonstrou experiência à frente da cadenciada Tom 30.

A rainha de bateria Pâmela Gomes e a madrinha Andreia Gomes também se destacaram, sambando com garra e presença durante todo o percurso.










