Se a bateria pulsa, a ala das baianas é o coração. No desfile da Estácio de Sá, elas chegam como “As Mães do Réveillon”, vestidas de prata e branco, levando para a Sapucaí a memória da festa de Iemanjá em Copacabana. A celebração foi idealizada por Tata Tancredo e se tornou marco cultural da cidade, dando origem ao atual Réveillon do Rio.

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Baianas da Estacio de Sa
Baianas da Estácio de Sá
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A fantasia “Festa para Iemanjá em Copacabana” carrega no figurino os traços do icônico calçadão, um barco dedicado à Rainha do Mar com vela acesa e uma estrutura leve que valoriza o rodado. Beleza e movimento caminham juntos.

Crueza de Souza Xavier conhecida na escola como Xavier
Crueza de Souza Xavier, conhecida na escola como Xavier
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Crueza de Souza Xavier, conhecida na escola como Xavier, de 54 anos, auxiliar de serviços gerais e estreante na ala, fala da responsabilidade de vestir a fantasia das baianas.

“É uma responsabilidade muito grande. A ala das baianas representa o coração de qualquer escola. O público anseia para ver o rodado da baiana. Nós representamos a mãe baiana de todas as escolas, com muito axé, muita força e amor. Não é fácil. Hoje, cada giro nosso é como se estivéssemos levando embora o que é ruim e trazendo o que é bom: força, caminho aberto e boa energia. Vai ficar para trás tudo que for intolerância religiosa ou preconceito”, comenta.

Amanda Ferreira de 63 anos
Amanda Ferreira, de 63 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Amanda Ferreira, de 63 anos, empresária e há seis anos na escola, a fantasia toca uma vivência pessoal profunda. Ela relaciona o desfile a um episódio marcante de sua vida.

“É muito importante ver a ala das baianas trazendo o calçadão de Copacabana junto de Iemanjá. É exatamente o que eu vivo no Réveillon do Rio. Estou apaixonada. A Rainha do Mar salvou a minha vida. Eu caí de uma pedra de quatro metros na praia, e hoje não era para estar aqui se não fosse Iemanjá. Eu renasci. Só entende esse sentimento quem desfila. Não adianta explicar, é preciso viver a energia”, revela.

Laucilene Silva de 56 anos
Laucilene Silva, de 56 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Laucilene Silva, de 56 anos, biomecânica e há quatro anos na Estácio, descreve a emoção como algo que atravessa o corpo.

“É um misto de emoções representar Iemanjá. Meu corpo arrepia e meus olhos enchem de lágrimas só de pensar em tudo que vivi nessa noite. A ala das baianas veio para lavar a alma e fazer a Estácio ser campeã. Já está na hora desse título. Vamos abrir os caminhos para sermos ainda mais felizes”, comenta.