A fofura tomou conta da Marquês de Sapucaí na segunda noite de desfiles da Série Ouro, neste sábado. Abrindo a apresentação da Botafogo Samba Clube, a ala infantil “Guardiã da Biodiversidade” coloriu a avenida com pequenas joaninhas alvinegras que traduziram em gesto simples a mensagem ambiental do enredo dedicado ao paisagista Roberto Burle Marx.

Na fantasia, o tradicional vermelho do inseto deu lugar ao preto e branco do Botafogo. A escolha teve um motivo especial: símbolo de equilíbrio ecológico, a joaninha apresenta o cuidado com a flora brasileira e a preservação dos biomas celebrados no desfile.
Com linguagem lúdica, a ala transformou a infância em imagem de futuro. Na pista, asas, antenas e movimentos leves evocavam proteção à natureza, enquanto as crianças encarnavam valores que precisam ser cultivados desde cedo para florescer adiante.
Para a representante de atendimento Daniela Cursino, de 33 anos, mãe de Bento, falar de preservação com os pequenos é essencial:
“Eu acho que, para o futuro, eles já saberão o que tem que preservar. Sem a natureza não dá para sobreviver. Por isso, é importante criarem essa consciência desde pequenos e, lá na frente, aplicarem isso no dia a dia”.

A pesquisadora Renata Pires, de 43 anos, mãe de Lara, destacou a memória afetiva construída na avenida: “É o segundo ano que ela desfila, e isso fica para a vida toda. É vínculo com a cidade, com o carnaval, com a escola e também com o time. Eu achei linda a ideia da ala. Colocar as crianças como representação da biodiversidade tem tudo a ver”.
Entre as próprias crianças, a mensagem ambiental apareceu com naturalidade. Bento, de 10 anos, contou o que aprendeu ao vestir a fantasia:
“Eu achei legal porque a gente entende que precisa preservar as florestas. As árvores dão oxigênio, e sem elas a gente não consegue respirar”.

Lara, de 8 anos, foi direta no alerta: “Não se pode jogar lixo na natureza. Tem que preservar, porque sem as árvores a gente não tem oxigênio”.

Helena Félix, de 7, resumiu a importância da mensagem: “Tem que preservar, porque a natureza é importante para todo mundo, para as pessoas e para os animais”.
Já Eduarda Toledo, de 11 anos, celebrou o aprendizado vivido no carnaval: “Gostei de saber o significado da joaninha. Se a gente não cuidar do ambiente, pode chegar uma hora em que o mundo acaba”.

Além da mensagem, o encantamento com a fantasia também marcou a experiência. Cada detalhe ganhou preferência própria.
“Gosto das asas, porque depois posso usar como almofada”, contou Lara, rindo.
“Eu amo que parece um macacão”, disse Helena.
Bento concordou: “Meu favorito é o capacete com as duas antenas. São bonitinhas”.
Entre asas delicadas, pequenas descobertas e lições ditas sem peso, a ala infantil transformou a avenida em jardim vivo — lembrando que o futuro da natureza talvez comece justamente na simplicidade do olhar de uma criança.










