A Botafogo Samba Clube trouxe toda a exuberância da natureza para a avenida, ao abrir a segunda noite de desfiles da Série Ouro na Sapucaí. O abre-alas “O Jardim que floresce no imaginário” é uma alegoria repleta de elementos da flora brasileira, em homenagem ao paisagista no paisagismo brasileiro conduzida por Roberto Burle Marx. 

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Capa AbreAla Botafogo
Abre-Alas da Botafogo Samba Clube. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Com esculturas bem elaboradas e muita cor, a alegoria apresentou ao público um Brasil que aprecia a própria paisagem, rompendo com padrões europeus e americanos de estética decorativa.

O carro simboliza a mensagem principal do artista: fazer da natureza protagonista e do jardim uma obra de arte viva. Folhagens e flores foram como pinceladas tropicais, dialogando com a pintura abstrata e a escultura moderna, em uma explosão de movimento e volume que tomou a avenida.

Gabriele Rodrigues AbreAlasBotafogo
Gabriele Rodrigues. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCOS

A engenheira e integrante da escola há quatro anos, Gabriele Rodrigues, de 40 anos, moradora de Campo Grande, se emocionou ao ver a alegoria pronta.

“Me impressionei com tudo. Com o tamanho, principalmente. É a primeira vez que eu vejo um carnaval assim tão colorido e tão volumoso”, revelou. 

Botafoguense declarada, ela destacou a importância do tema, e reforçou a ideia de que jardins podem ser obras de arte sim. 

“Eu acho que é muito importante a gente falar sobre isso no mundo que a gente vive hoje. O Botafogo homenageia hoje uma pessoa que buscou através da sua arte valorizar o nosso meio-ambiente. Isso conversa muito com os meus valores. Ele fez as pessoas sentirem emoção com imagens e uma organização de cores e plantas, eu acho que é bem coisa de arte mesmo”, disse.

Sophie Rosele
Sophie Rosele. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A francesa Sophie Rosele, de 37 anos, que está no Brasil especialmente para o Carnaval e desfilou pela primeira vez, também ficou impactada com o carro:

“É um carro muito elegante, com flores, e representa para mim o florescer da natureza brasileira. É muito bonito. Foi uma ideia muito boa essa homenagem. E a história fica ainda mais interessante por meio das esculturas e pinturas que as representam das flores do Brasil”. 

Cristina Mendonca
Cristina Mendonça. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Musa da escola e destaque de alegoria este ano, Cristina Mendonça também não conteve a emoção ao ver o abre-alas. Morando em Nápoles, na Itália, ela viajou especialmente para desfilar. Sobre a homenagem, ela fez questão de frisar a força simbólica da escolha do enredo, e o quanto ama ser brasileira.

“Eu acho que é uma representatividade cultural enorme, porque a gente fala da vitória-régia e de vários elementos da nossa flora brasileira. O Botafogo Samba Clube acertou muito, principalmente nesse samba-enredo, que está lindo. Eu vejo arte em tudo, principalmente no Brasil. A brasilidade latina está tomando conta do mundo agora. Como o Bad Bunny falou, ‘todo mundo quer ser latino, mas não tem o tempero, não tem o molho’, e a gente tem de sobra. Estou muito feliz de participar desse momento”, declarou.

Com um jardim que pulsa como tela viva, o abre-alas da Botafogo transformou a natureza em manifesto artístico e reafirmou a paisagem brasileira como raiz do Brasil moderno que floresce na avenida.