A Azul e Branca de Cavalcanti aposta na força feminina e na espiritualidade para conquistar a Marquês de Sapucaí. Com o enredo “Salve todas as Marias – laroyê, Pombagiras!”, a Em Cima da Hora transforma a Avenida em território de reverência às entidades que simbolizam liberdade, resistência e empoderamento.

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Componentes da Em Cima da Hora
Componentes da Em Cima da Hora
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

O desfile propõe uma reflexão sobre como as Pombagiras desafiaram estigmas e preconceitos ao longo dos séculos ao se afirmarem como figuras de poder, acolhimento e transgressão. Presentes nas ruas e encruzilhadas, espaços historicamente marginalizados, elas permanecem vivas na fé de quem encontra nelas orientação e proteção.

Entre os componentes, um detalhe chama atenção: todos os entrevistados estão desfilando pela primeira vez na escola. O motivo? O enredo.

O professor Leandro Avelar de 46 anos
O professor Leandro Avelar, de 46 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

O professor Leandro Avelar, de 46 anos, decidiu atravessar a Avenida impulsionado por sua própria vivência espiritual. Ele conta que a relação com a entidade é pessoal e também acadêmica, já que Maria Mulambo faz parte de sua pesquisa de mestrado.

“Desfilar falando de Pombagira é um momento de alegria para mim. É incrível mostrar a força delas dentro de uma sociedade que ainda exclui e marginaliza. Quando penso em Pombagira, penso em empoderamento. Eu me conecto com aquelas que falam direto, sem rodeio. Hoje me sinto ainda mais ligado à minha Pombagira, que me orienta na vida social, afetiva e pessoal”, revela o componente.

Sheila Monsanto de 56 anos
Sheila Monsanto, de 56 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Sheila Monsanto, de 56 anos, secretária e também estreante na escola, a relação é de devoção e entrega emocional. Ela resume a entidade como base da sua vida espiritual.

“A Pombagira é tudo na minha vida. É força, proteção, caminhos abertos e prosperidade. Ela me orienta nas decisões e me mostra qual caminho seguir. Só de cantar o samba na Avenida, meu corpo arrepia inteiro. É impossível conter a emoção”, conta Sheila.

Eduardo Jesus de 63 anos
Eduardo Jesus, de 63 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Eduardo Jesus, de 63 anos, contador, vive a experiência pela admiração e respeito à fé alheia. Mesmo vindo de outra tradição religiosa, ele reconhece a potência simbólica das entidades.

“Eu sempre ouvi falar da Pombagira, mas admiro a força e o empoderamento que ela desperta nas pessoas. Essa espiritualidade não é diferente da cristã ou católica: a relação de fé é a mesma. Vejo principalmente mulheres ganharem mais autoconfiança, mais proximidade com sua força interior e se sentirem mais prósperas”, comenta.

Ao levar as Pombagiras para o centro do desfile, a Em Cima da Hora rompe estigmas e transforma a Sapucaí em espaço de reconhecimento e respeito. Na encruzilhada entre tradição e resistência, a Azul e Branca canta: Laroyê.