Abrir um desfile é mais do que iniciar uma apresentação. É definir o tom, a energia e a identidade de toda uma escola. Em 2026, a Unidos de Padre Miguel inicia seu cortejo na Marquês de Sapucaí mergulhando no vermelho simbólico do Rio Potengi para contar a história de “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”.
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O enredo homenageia Clara Camarão, indígena potiguara símbolo de coragem na resistência contra a invasão holandesa no século XVII. A narrativa celebra o protagonismo feminino, a espiritualidade da Jurema e a força ancestral dos povos originários.
O carro abre-alas representa o Rio Potengi tingido de vermelho, urucum e sangue, marcando o nascimento místico de Clara Camarão. Uma imensa escultura da Mãe D’Água domina a alegoria, enquanto o símbolo da escola, o Boi Vermelho, surge metamorfoseado em Pajé, unindo identidade, espiritualidade e tradição. À frente desse “rio vermelho”, a responsabilidade é sentida no corpo.

Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Ana Cristina Fonseca, advogada, de 65 anos, desfila há seis anos na escola e fala com garra sobre abrir o desfile.
“Vai ser contagiante abrir o desfile como a primeira ala. Estou com sangue nos olhos para vencer esse campeonato, porque esse ano a Unidos de Padre Miguel retorna para a Especial. A nossa flechada antes de entrar na Avenida é para espetar os jurados e nos fazer campeões. É uma emoção sem tamanho viver e representar esta escola, tem que cantar e gritar para soltar tudo que está dentro do corpo”, revela a componente.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Celso da Silva, psicólogo, de 65 anos, está há três anos na escola e destaca o peso simbólico do momento.
“Estou extremamente emocionado. Não imaginei a força e a carga que essa escola está representando na avenida. A nossa flechada antes de pisar na avenida é a demonstração da certeza, do foco e da garantia de que viemos para vencer. O Boi representa a força, a ancestralidade e ele é a vida”, confiante, afirma.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Elizabeth da Silva, de 55 anos, autônoma, vive seu segundo ano na Unidos e se emociona ao falar sobre o significado do abre-alas: “É uma emoção sem fim pertencer à Unidos de Padre Miguel. A nossa flechada é para assumir a Especial em 2027.” Com os olhos cheios de lágrimas, ela resume o sentimento coletivo de quem atravessa o rio vermelho carregando mais que fantasia: “carrega pertencimento”.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
William Costa, de 53 anos, militar, também no segundo ano na escola, enxerga o abre-alas como um marco simbólico. “Não tem coisa melhor que abrir o desfile, participar do abre-alas que tem um significado importante e de potência na história. O Boi Vermelho está no nosso sangue, no nosso coração e é a nossa família”.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Já Flávia Fernandes, de 61 anos, gráfica e componente há sete anos, conecta o enredo ao protagonismo feminino exaltado pela escola.
“É maravilhoso ser mulher e representar a nossa história, a força que só nós mulheres temos. O público precisa desfilar para entender a emoção que é representar e viver a Unidos de Padre Miguel e o Boi Vermelho”, analisa.
No primeiro impacto visual da Avenida, a Unidos de Padre Miguel não apenas abre o desfile: ela anuncia resistência, espiritualidade e identidade. Dentro do rio vermelho, entre urucum e ancestralidade, a escola reafirma sua origem, sua fé e seu desejo de vitória. Mais do que um abre-alas, é um chamado. Um sopro sagrado que ecoa da Jurema à Sapucaí.









