A Unidos de Bangu levou para a Marquês de Sapucaí, como quarta escola da noite pela Série Ouro, um dos momentos mais políticos e emocionantes do Carnaval 2026. No enredo “As Coisas que Mamãe me Ensinou”, a agremiação homenageou Leci Brandão não apenas como sambista, mas como deputada atuante na defesa da cultura popular, das raízes africanas e dos direitos sociais.

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Um ponto alto desse discurso veio na terceira alegoria, o “Quilombo da Diversidade”, carro que coroou o desfile com a presença da própria artista e celebrou sua luta no mandato na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), incluindo leis aprovadas em prol das minorias.

Com destaques trans e forte presença da comunidade LGBTQIAPN+, o carro transformou a avenida em território de afirmação e orgulho. Entre plumas, cores vibrantes e mensagens de resistência, a militância ganhou forma estética e política.

ERICA SIPP
Érica Sipp, de 50 anos
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Érica Sipp, de 50 anos, cabeleireira, desfilando há dois anos na escola, destacou a importância de ocupar esse espaço.

“É sempre bom levantar a bandeira do nosso público, da nossa comunidade LGBT. Ainda mais com Leci sendo a homenageada, já ele ela não deixa de ser uma militante. Então pra gente é muito importante lutar pela nossa causa”, afirmou.

Sobre a mistura entre arte e política no Carnaval, foi enfática: “Hoje em dia é muito importante. Pode juntar música, política, televisão. Pode misturar tudo, tudo é válido quando a causa é positiva”, disse.

Para ela, atravessar a Sapucaí teve um significado ainda mais profundo. “A gente que é trans bota a cara a tapa todo santo dia na rua. Poder passar pela maior passarela do mundo levantando a nossa bandeira é muito importante pra gente estar nessa causa”, concluiu.

LUCAS SANTOS
Lucas Santos, de 34 anos
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Lucas Santos, de 34 anos, anestesista, estreante na Bangu, falou sobre representatividade e união. “Eu achei muito interessante pelas roupas, pelas cores, pela representatividade. Levar para um lado onde todo mundo está junto e todo mundo é aceito e normalizar tudo, eu acho muito legal”, afirmou.

Ao comentar o fato de a homenageada ser sambista e parlamentar, defendeu a união das duas esferas. “A arte movimenta as pessoas e ajuda a gente a se unir todo mundo junto. Eu acho que a arte defende o amor e a união de todo mundo”, disse.

Para ele, desfilar em homenagem a uma deputada que atua na causa é simbólico. “Todo mundo que defende a nossa causa e luta a favor disso é muito importante. Ter uma voz dentro do governo que defenda as minorias é sempre muito importante”, concluiu.

CAIO EDUARDO
Caio Eduardo, de 21 anos
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Também estreante, Caio Eduardo, de 21 anos, do setor administrativo na área elétrica, ressaltou o alcance social do tema.

“Esse tema tem muita relevância, porque atinge uma boa parte da população. A representatividade é muito importante até pra encorajar e pra que não ocorra tanta intolerância”, afirmou.

Sobre política e arte caminharem juntas, foi direto: “Tudo é política. Principalmente a arte é uma forma de manifestar esse lado crítico. Então tem tudo a ver”, disse.
Para ele, representar a diversidade em um carro como aquele é motivo de responsabilidade. “Tá aqui com essa fantasia maravilhosa representando a diversidade é muito lindo”, pontuou.

ALINE FERNANDES
Aline Fernandes, de 42 anos
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Aline Fernandes, de 42 anos, também em seu primeiro desfile pela escola, falou sobre liberdade e verdade na representação. “Eu acho que a representação já vem da diferença da gente estar dando liberdade para todos os gêneros”, afirmou. Para ela, a atuação política da homenageada faz diferença. “Quando tem verdade é diferente. Eu acho que na Leci isso é um caso diferente. É um diferencial na nossa cultura brasileira e pro samba”, disse.

Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val, o desfile costurou ancestralidade, cultura e militância. No alto do “Quilombo da Diversidade”, Leci Brandão simbolizou não apenas a artista consagrada, mas a parlamentar que transformou o mandato em instrumento de luta.