O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da União do Parque Acari,Renan Oliveira e Amanda Poblete, abre os caminhos na Passarela do Samba com a força de Exu. A agremiação leva para a Marquês de Sapucaí o enredo “Brasiliana”, de autoria do carnavalesco Guilherme Estevão.
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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO
Peça essencial no panteão afrorreligioso, Exu é o primeiro orixá, saudado e alimentado primeiro em cerimônias religiosas. Responsável pela comunicação, tem as ruas e encruzilhadas como ponto de força e, muitas vezes, é mal interpretado pela cultura dominante. Assim como em Brasiliana, os primeiros representantes do pavilhão no panteão da escola representam e reforçam o verdadeiro significado da divindade.
“Representar Exu, eu não tenho palavras para isso. Representar um orixá, eu acho que é uma bênção, de fato, divina.Então,eu não poderia estar mais feliz e mais lisonjeada”, disse a porta-bandeira.
“E a gente ficou muito feliz. Principalmente sendo da religião, cultuando Exu também nas nossas casas. É tratar com respeito e representar uma entidade tão importante pra nós. Exu é vida, Exu é caminho e Exu, se Deus quiser, vai nos dar aí os 40 pontos e tudo o que a gente merece”, somou o mestre sala.
Com a responsabilidade de representar o orixá e conciliar o bailado, o casal resguarda a dança tradicional, apesar da adição de elementos da dança afro, características da enérgica divindade.
“Nós não exageramos, mas colocamos sim alguns passos característicos da dança de Exu. Nós tentamos ao máximo dividir também, sabendo que aqui é uma representatividade carnavalesca, que nós não estamos vestidos de orixá, estamos vestidos com uma ideia do orixá. A gente soube dividir bem essas coisas e é um bailado clássico de mestre-sala e porta-bandeira”, afirmou Renan.
Com um enredo que exalta artistas em lugares de destaque, a identificação e honra para artistas do samba, representantes de um pavilhão não poderia ser diferente. Renan fala sobre a emoção de fazer parte de um enredo que valoriza artistas negros que abriram caminhos, fundamentais para seu trabalho com arte hoje.
“É uma representatividade grande. Hoje, eu viajo bastante, eu faço muitas coisas. Inclusive, pelas outras agremiações, que é a Mangueira, representando esses percussores que começaram essa história lá atrás. Montaram um show com características brasileiras, com características das danças que a gente gosta, da nossa dança, da nossa cultura, levaram esse show à frente e viajaram para todos os países”, compartilhou Renan.
O casal vive o primeiro ano da parceria defendendo o pavilhão da União do Parque Acari. Renan também é 2º mestre sala da Mangueira, e Amanda chega à escola com 17 anos de carreira e passagens por escolas como Viradouro, Vila Isabel, Renascer de Jacarepaguá e Tuiuti. Felizes com o trabalho construído e com bailado bem casado, compartilham que a parceria foi formada com dedicação.
“Com muito trabalho, com muito suor, mas com muita felicidade, com muita alegria, muita consciência de que é um trabalho coeso, um trabalho compacto que a gente vai apresentar aqui na avenida hoje”, contou Amanda.










